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Com foco em refugiados, 'Órfãos da Terra' traz Renato Góes e Julia Dalavia como protagonistas

Gravada em São Paulo, trama das 18h da Globo deve estrear em abril

Julia Dalavia (Laila) e Renato Góes (Jamil) gravam no centro de São Paulo

Julia Dalavia (Laila) e Renato Góes (Jamil) gravam no centro de São Paulo Paulo Belote/Globo

Rafael Andery
São Paulo

Atenção! Este texto contém spoiler!

Com uma trama centrada na história de amor entre um casal de refugiados, interpretados por Julia Dalavia (Laila) e Renato Góes (Jamil), "Órfãos da Terra", a próxima novela das seis da Globo, já tem cenas gravadas em São Paulo.

O F5 acompanhou um dia de gravações no topo do Edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu da metrópole, localizado no centro da cidade. Na cena, Laila, uma refugiada síria e cristã, reencontra Jamil, um muçulmano libanês por quem havia se apaixonado durante a fuga de seu país, e revela a ele que está grávida. 

"Eu costumo brincar que a história de amor é o pano de fundo da novela", afirma Góes. "Tudo na trama é tão forte, tão vivo e tão gigante que essa história acaba sendo um pano de fundo."

Escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes, a novela se debruçará sobre a vida de refugiados que moram em São Paulo, vindos do Oriente Médio, da África ou do Haiti. O elenco contará ainda com Alice Wegmann, que viverá a vilã da trama, além de Leona Cavalli, Marco Ricca, Herson  Capri e Letícia Sabatella. A estreia do folhetim deve ocorrer em abril e substituirá "Espelho da Vida". 

"É uma dramaturgia de novela, é entretenimento, uma história cheia de encontros e desencontros", explica Julia. "Mas tudo é muito bem embasado, muito pesquisado. Todas essas 'chavinhas' de novela estão apoiadas sobre essas questões dos refugiados." 

A guerra civil da Síria, da qual a personagem de Julia foge, começou em 2011, como consequência da repressão a manifestações realizadas no país na esteira da Primavera Árabe, uma onda de protestos que pediam abertura política e democracia em diversos países árabes. O conflito já matou cerca de 400 mil pessoas e forçou a fuga de quase seis milhões de sírios de seu país, milhares deles com destino ao Brasil. 

"Antes da guerra, esses personagens tinham uma estrutura familiar, financeira e social constituída, e que foi repentinamente destruída", diz Duca Rachid, uma das autoras. "Eles chegam em nosso país dispostos a começar um novo capítulo de suas vidas com esperança e entusiasmo que permeiam toda a trama." 

Entusiasmo que não escapou ao casal protagonista durante a preparação para a novela. Julia Dalavia e Renato Góes passaram cerca de três meses estudando a cultura e a língua árabes, além de terem conversado com vários refugiados, incluindo o ex-BBB sírio Kaysar, que ajudou o elenco na preparação.

Além dele, a trama também contou com a consultoria do padre Paolo Parisi, que chefia a Missão Paz, em São Paulo, onde são acolhidos haitianos, sírios, congoleses e venezuelanos.​

"Kaysar e a maioria dos refugiados não coloca tanto peso em suas histórias. Eles têm mais uma sensação de superação", diz Julia. "Existe uma esperança, uma felicidade, um brilho nos olhos. Mas quando eles contam o que viveram, passa um filme na sua frente." 

"A realidade é dura, difícil", diz Renato Góes. "Mas ver a alegria dessas pessoas é o que eu achei mais forte, mais bonito. Por isso acho que tenho que trazer muita alegria para o personagem, essa alegria que o Kaysar tem, por exemplo." 

Se a experiência com a temática dos refugiados tem sido uma coisa nova para os atores, eles sempre podem encontrar um porto seguro na renovação de uma parceria antiga. Isso porque Renato Góes e Julia Dalavia já formaram um par romântico de novela das nove, ainda que por apenas 15 episódios.

Em "Velho Chico" (Globo, 2016), Góes interpretava um jovem Domingos Montagner (1962-2016), enquanto Julia fazia o papel depois assumido por Camila Pitanga na segunda fase da novela. "Nós só nos encontrávamos uma vez na trama, mas desde aquela época eu penso que iria ser muito bom quando fizéssemos uma novela juntos", conta o ator.

"'Velho Chico' foi uma virada para mim. Já tinha feito um monte de coisa, mas todo mundo acha que aquele foi meu primeiro trabalho. [...] Lembro até de ter comentado com Julia na época que o povo era muito besta de não colocar a gente direto como protagonista da novela das seis. Tinha certeza que ia dar certo", completa. 

Resta saber se a química entre os protagonistas será suficiente para agradar ao público. Ao abordar a questão dos refugiados, o casal fictício está consciente de que se trata de um tema delicado e potencialmente polarizador. 

"Já vi gente na internet falando que não ia ver a novela porque falava sobre refugiados. Caramba. Eu tenho certeza de que a pessoa não sabe como é essa vida. Acima de tudo o que eu quero mesmo é passar esses recados. Quem tiver coração que escute", diz Góes.

"Espero que consigamos informar e sensibilizar as pessoas, entender como podemos lidar com esse tema, e como podemos ajudar", completa Julia.

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