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Advogado diz que processo de Scarlett Johansson é 'golpe publicitário'

Atriz alega que Disney deveria ter lançado 'Viúva Negra' apenas no cinema

Scarlett Johansson em cena do filme 'Viúva Negra' - Divulgação
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São Paulo

A disputa travada entre Scarlett Johansson e a Disney ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira (6). O advogado da empresa de entretenimento, Daniel Petrocelli, chamou o processo movido pela atriz de "campanha orquestrada de relações públicas".

Johansson foi à Justiça alegando que o contrato que fez com a Disney foi violado quando a companhia lançou o longa "Viúva Negra" simultaneamente nos cinemas e na plataforma de streaming Disney+, já que o pagamento pelo filme se basearia em grande parte no desempenho do longa nas bilheterias. O prejuízo da atriz pode ter ultrapassado os US$ 50 milhões (correspondente a R$ 262 milhões).

Petrocelli disse à Variety que as demandas no litígio de Johansson estão longe dos limites do contrato da atriz com o estúdio. “É óbvio que esta é uma campanha de relações públicas altamente orquestrada para alcançar um resultado que não pode ser obtido no processo”, disse Petrocelli. “Nenhuma pressão pública pode mudar ou obscurecer os compromissos contratuais explícitos. O documento escrito é claro".

Ele acrescentou que o acordo de Johansson previa que “Viúva Negra” fosse lançada em ao menos 1.500 salas de cinema, o que a Disney cumpriu ao projetar o longa em 9.000 espaços nos Estados Unidos e 30.000 em todo o mundo. Mais de uma vez ele enfatizou que as decisões de distribuição cabem inteiramente ao estúdio e que foi necessário criar uma estratégia devido ao impacto devastador da pandemia do coronavírus sobre o cinema tradicional.

Petrocelli argumenta ainda que o lançamento do Disney Premier Access — ferramenta do Disney+ que permite aos assinantes assistirem a lançamentos do cinema sem sair de casa mediante pagamento de valor extra — foi bom para a atriz. “Tratamos a receita do Disney Premier Access como bilheteria para os fins dos requisitos de bônus no contrato. Isso apenas melhorou a economia para Johansson”.

O advogado de Johansson, John Berlinski, criticou via comunicado a declaração inicial da Disney sobre o processo na semana passada como um "ataque pessoal agressivo e misógino contra Johansson" e disse que os comentários de Petrocelli foram "uma tentativa desesperada" de reabilitação de imagem.

“Os advogados da Disney não podem apagar as declarações públicas anteriores da empresa, os termos do contrato da atriz, a história do que realmente levou a esse processo ou as implicações de seu comportamento na comunidade de talentos em geral”, disse Berlinski. “Se a Disney realmente acreditasse no que seus advogados afirmam agora, ficaria feliz em ter a disputa decidida em um tribunal aberto, em vez de tentar esconder sua má conduta do público em um processo confidencial”, pontuou.

O advogado da Disney aponta que a crise inesperada trazida pela Covid levou as companhias de cinema a se adaptar. “O estúdio estava tentando acomodar milhões de fãs que estão nervosos e não se sentem confortáveis ​​em entrar nos cinemas”, disse Petrocelli. “Todos tiveram que se ajustar.”

A presidente do sindicato dos atores, Gabrielle Carteris, também defendeu Johansson e atacou a Disney pela atitude. “Ninguém em qualquer área de trabalho deve ser vítima de reduções surpreendentes na compensação esperada. É irracional e injusto. A Disney e outras empresas de conteúdo estão indo muito bem e certamente podem cumprir suas obrigações de remunerar os artistas cuja arte e talento são responsáveis ​​pelos lucros da corporação", diz trecho do comunicado.

Além disso, Carteris defendeu que a disputa também está relacionada à paridade salarial de gênero em Hollywood. “As mulheres não são 'insensíveis' quando se revoltam e lutam por um pagamento justo, elas são líderes e defensoras da justiça econômica”, disse ela.

“As mulheres foram vitimadas pela desigualdade salarial durante décadas e também por comentários como as declarações à imprensa feitas pela Disney. Esse tipo de ataque não tem lugar em nossa sociedade e o sindicato continuará a defender seus membros de todas as formas de preconceito”, concluiu.

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