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Fernanda Montenegro diz que série com filha tem bode como melhor ator: 'Zequinha Montenegro'

Atrizes encenam 'Gilda, Lúcia e o Bode' e celebram parceria 'sem demagogia'

'Gilda, Lúcia e o Bode’, série com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres Globo

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São Paulo

Sucesso na tela da Globo em setembro, a série “Amor e Sorte” vai ganhar um episódio inédito de continuação protagonizado por Fernanda Montenegro, 91, Fernanda Torres, 55 e Zequinha Montenegro. As duas primeiras, todos já sabem, são mãe e filha, já consagradas na dramaturgia do país. Já o terceiro não é parente, mas é quase.

“Nomeamos o bode que contracena com a gente de Zequinha Montenegro. O animal arrebentou, virava na hora certa, dava close. O Zequinha é perfumado”, diverte-se Fernanda Torres, rapidamente complementada pela mãe, Fernanda Montenegro. “O bode é o nosso melhor ator. Nos ensaios ele era instável, mas na ação o danadinho roubava a cena”, comenta.

Na primeira história, que foi ao ar em setembro e feita toda na casa dos atores, que já moravam juntos, o público pôde conhecer Lúcia e Gilda. Personagens antagônicas, Lúcia (Torres) levava Gilda (Montenegro), sua mãe, para a Serra, para passarem a quarentena juntas. Na convivência forçada, o relacionamento conflituoso das duas passava por uma transformação.

“Fizemos num sentido impressionista. Era uma família fechada numa fazenda, netos, pais, avó e um bode no nosso sítio em Petrópolis (RJ). E como as pessoas gostaram voltamos com um episódio mais bem estruturado. Trabalha pensando em as pessoas nos amarem, mas se vier rejeição aceitamos com muita dignidade”, afirma Montenegro, que na trama vive um momento de descoberta e rebeldia, bem diferente da filha que é mais fechada e controladora.

Segundo Fernanda Torres, o público se emocionou de um jeito que elas não esperavam. Mas nem mesmo a repercussão positiva faz com que elas projetem transformar “Gilda, Lúcia e o Bode” em série com temporadas. Talvez um ou outro episódio esporádico em datas comemorativas. E só.

Nesse segundo episódio, o tema será dinheiro, ou a falta dele. “Como vai passar no dia de Natal, não queríamos falar da Covid. Jorge Furtado [autor e roteirista] disse que o tema é dinheiro, que é a questão de 2021, a sobrevivência. A minha personagem perdeu o emprego na pandemia e agora mora com a mãe. Até o bode acaba indo parar no Rio”, diz Torres.

E voltando ao bode, o animal foi trocado da primeira série para a segunda. “No primeiro especial tinha o bode Juvenal, um bode selvagem. Ele tinha um chifre que mais parecia uma entidade grega. Mas ele era terrível, tinha um cheiro que você sentia ao acordar. E em cena ele fazia xixi na gente”, relembra a atriz.

“E agora pegamos outro bode, e o Zequinha é perfumado. Quem vê um episódio ou outro percebe que houve uma troca de atores. Eu amo o Juvenal com toda sua selvageria, mas agora é a vez do Zequinha”, ri Torres. “O nosso bode é feliz, alimentado, sadio. Adorei conviver com ele”, emenda Montenegro.

A atriz, com mais de 70 anos de carreira, fala que aprendeu bastante com os personagens. “A filha é executiva, e a mãe é o resultado da revolução que aconteceu em 1960. E é com esse desencontro que elas se completam. O que a mãe tem de solta e maluca, a herdeira tem de estruturada”, revela a atriz que complementa dizendo que na hora do “valendo” não existe isso de mãe e filha. “Cada uma tem suas próprias pernas e vai para o mundo. Nossos corações batendo juntos, mas sem demagogia.”

A VIDA IMITA A ARTE E VICE-VERSA

De acordo com as atrizes, é possível traçar alguns paralelos entre a trama e a vida real. “A Lúcia tem que resolver problemas financeiros e de saúde da mãe. É uma inversão de papéis. Uma pessoa que viveu 90 anos sabe muito. É algo que eu também vivo com a mamãe”, diz Torres.

“É muito natural para nós trabalharmos juntas. Sempre nos juntamos em coisas boas. Temos muita intimidade e liberdade. Uma fala para a outra o que pensa. Mas não ficamos segurando a mão uma da outra com olhos cheios d’água. É natural”, completa.

Diferentemente do episódio de “Amor e Sorte”, agora a família foi estendida. Amigos da equipe da série “Sob Pressão” deram uma força na produção. Além disso, todos os protocolos por causa do coronavírus foram tomados com testes três vezes na semana.

“Tem hora que alguma emoção aparece no episódio, algo que toca o coração, mas não deixa de ter humor, numa medida clássica, não piada baixa. É a comédia de costumes. Engloba relacionamento humano. Na escola, na faculdade, entre amigos, num ponto de ônibus. É um diário do ser humano. Adoro esse tipo de tratamento”, define Montenegro.

Assim como sua personagem, a atriz diz que também vive uma ansiedade nos tempos de pandemia em que vivemos. Mais uma vez, é a vida imitando a arte e vice-versa. “Tenho uma paciência um pouco revoltada. Nessa idade, com tudo o que está rolando, quase cem anos de vida, fico me perguntando se terei tempo de ver uma certa paz no mundo. E de repente vem isso [incertezas da pandemia] que fecha um ciclo tão feio. Mas vamos em frente sem perder a esperança.”

'Gilda, Lúcia e o Bode'

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