Tony Goes

Faustão na Band ainda é o mesmo Faustão, para o bem e para o mal

Programa de estreia trouxe poucas novidades e atrações requentadas

Faustão na Band - Rodrigo Moraes/Band
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Há duas maneiras de reagir à estreia de Faustão na Band. A primeira delas é se deixar levar pela emoção. Lá está ele, Fausto Silva, praticamente uma lenda viva da TV brasileira, dando a volta por cima depois de ter sido tão maltratado pela Globo. Bem-humorado, ele não disfarça a felicidade de estar de volta ao ar.


O cenário cintilante aposta em tons escuros, mais adequados a uma atração noturna. As bailarinas também surgiram cobertas de brilhos, como convém a uma noite de gala. E a primeiríssima atração foram as videocassetadas, agora rebatizadas de Cassetadas do Faustão. Só o nome mudou. Para quem estava com saudade, é como reencontrar o prato favorito que a mamãe faz ia.

A outra maneira de reagir é com distanciamento crítico e uma certa dose de cinismo. As bailarinas são lindas, dedicadas, um autêntico patrimônio nacional –no entanto, não é meio deprimente que, no ano da graça de 2022, um programa no horário nobre comece com um bando de mulheres rebolando em trajes sumários? Parece que o tempo não passou e que ainda estamos em 1962.


Algo parecido pode ser dito das cassetadas. No ar desde meados do século 18, elas encarnam o humor mais primário que existe. Nada contra, mas é este o quadro de impacto que Faustão escolheu para abrir sua volta triunfal?

Depois vieram Zeca Pagodinho, Alexandre Pires e Seu Jorge. Presenças simpáticas, músicas ótimas, uma bela homenagem ao maestro Rildo Hora e Faustão à vontade, em seu habitat. Ou, para ser malvado, em sua zona de conforto, de onde não pretende mais sair.

Ninguém estava esperando nada de revolucionário. Mas a impressão que essa estreia passou foi a de que se trata de mais do mesmo, agora em nova embalagem. Para piorar, este mesmo já tem algumas décadas de janela.

A bem da verdade, Faustão na Band traz duas novidades: a jornalista Anne Lotterman, que deixou a Globo em dezembro, e João Guilherme Silva, filho de Fausto Silva. Os dois atuam como coapresentadores, mas, neste primeiro programa, foram pouco mais do que assistentes de palco. Como o formato irá mudar a cada dia da semana, vamos torcer que os dois encontrem mais coisas para fazer.

Nada disso incomodou o espectador. A estreia de Faustão na Band rendeu algo entre oito e nove ponto no Ibope na Grande São Paulo, uma marca que a emissora não atingia há muito tempo. Também deu à Band a glória de um segundo lugar, atrás apenas da Globo e um pouco à frente da Record. Nada mau para quem, até a semana passada, mal chegava a meio ponto nesse horário, ocupado pelo programa do pastor R. R. Soares.

O programa também foi transmitido ao vivo pelo YouTube, chegando a mais de 47 mil visualizações simultâneas.

A grande questão, obviamente, é se esse bom desempenho se manterá. Faustão na Band irá ao ar de segunda a sexta, e a audiência pode flutuar muito em função de quem forem os convidados do dia. O clima de novidade também pode se dissipar rapidamente: afinal, é o mesmo Faustão de sempre, para o bem e para o mal.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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