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Zapping - Cristina Padiglione
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jornalismo

Por que a saída de Bonner do JN mexe tanto com a audiência?

Jornalista volta à bancada e endossa que Globo ainda não tem sucessor para o posto

William Bonner, jornalista e âncora do JN
O jornalista William Bonner, âncora e editor-chefe do Jornal Nacional, da Globo - @realwbonner no Instagram
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Mesmo após William Bonner desmentir, por meio de nota enviada a esta coluna, as especulações sobre uma possível saída da bancada do Jornal Nacional ou da própria Globo, o assunto não cessou: já estaria Bonner a preparar sua saída da cadeira que ocupou ao longo de 26 anos?

"Não sei quem inventa esses boatos de que eu pretenderia sair da Globo, mas a intenção é óbvia: ganhar dinheiro ao levar pessoas a clicar no link enganoso", justificou o âncora do Jornal Nacional. "Meu nome e os de outros colegas da Globo têm sido usados sistematicamente com esse propósito por sites que vivem desse expediente baixo."

Segundo Bonner, seus "planos profissionais estão todos concentrados no Jornal Nacional e em projetos do jornalismo da Globo" para os quais ele foi e "ainda vier a ser escalado". "Estou completando nesses dias de junho exatos 36 anos na Globo e me sinto com energia e disposição para seguir por muito tempo no desempenho de um trabalho que considero de enorme relevância para o nosso país."

A reação desmente também que ele estaria cansado, e por isso planejando reduzir o ritmo de atividades que exerce hoje, como âncora e editor-0chefe do noticiário de maior alcance do país.

Como bem diz o jornalista, uma indústria de cliques se desperta ao menor sinal de movimentação sua. A motivação vem, evidentemente, da força de sua imagem e do fato de ele não contar ainda com um sucessor que inspire a confiança que o público lhe deposita, ao mesmo tempo em que tantos profissionais, inclusive do jornalismo, estão deixando a Globo.

Quando se levanta a questão sobre uma possível saída de Bonner do JN em curto ou médio prazo, a pergunta é: quem ocupará este posto?

A figura mais apta, hoje, para ancorar aquele cenário é alguém que já está ali: Renata Vasconcellos, ainda que não tenha o perfil de editora-chefe, função acumulada por ele, seria a persona mais próxima de comandar a nave, sem gerar grandes impactos na perceção de anunciantes e público.

Nesta terça (14), Bonner voltou à bancada, após duas semanas de ausência, período em que foi aos Estados Unidos para receber um prêmio na Filadélfia, da Voice Foundation, tendo aproveitado para emendar alguns dias de descanso antes de encarar a maratona pré-eleitoral que nos aguarda daqui até outubro.

HISTÓRICO

Quando passou a ocupar a cadeira de apresentador doJN em 1996, ao lado de Lillian Witte Fibe, em substituição a Cid Moreira e Sérgio Chapelin, Bonner também foi posto à prova por plateia e anunciantes. À época, a saída de Cid Moreira da bancada, iniciativa sustentada pelo então diretor de jornalismo Evandro Carlos de Andrade, foi um choque. O locutor estava ali fazia 27 anos, desde a estreia do noticiário, mesma temporada que Bonner completará em 2023.

A ideia, na ocasião, era trocar locutores por jornalistas na apresentação, passando a contar com profissionais que tivessem pleno domínio sobre o conteúdo do jornal. Faltava a Moreira e Chapelin a expertise de conduzir entrevistas ou conversas ao vivo, longe do teleprompter.

Hoje, diante da chance de Bonner sair, no entanto, apesar do largo rodízio já experimentado no JN, a sucessão não aponta claramente para um substituto à altura, alguém capaz de conjugar o carisma e a segurança que ele soma na apresentação, sem falar na credibilidade da voz do âncora, alvo, aliás, da homenagem recebida há duas semanas na Filadélfia. Não é pouca coisa.

Mas, supondo que a Globo já traçasse desde já a saída dele da bancada, como se especulou, seria improvável pensar em anunciar tal decisão em pleno ano de eleições presidenciais. Não seria esta uma boa hora para antecipar o assunto sobre uma troca de âncora do JN, uma das figuras mais estáveis deste país no imaginário popular, e por isso tão temida pelos aspirantes ao poder em cada sabatina por ele encabeçada naquela bancada.

Resumo da ópera: nem a Globo teria intenção de prever neste momento a suposta despedida dele da bancada, especulada para o fim de 2023, nem Bonner se mostra exausto pela missão, como ele já disse.

Tem razão, o marido de Natasha Dantas, em se incomodar por ver seu nome como isca para os caça-cliques de vários sites na internet, mas conspira a favor dessa bolsa de apostas também o cenário de transformações no quadro de estrelas da Globo (ainda que os jornalistas procurem fugir dessa classificação, própria do entretenimento, é assim que o público os vê).

Ou seja, pressa para tanto não há.

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

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