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Roger Waters e Cristiano Ronaldo fazem pensar no poder das big techs

Vídeos de entrevistas do músico e do jogador bombaram nas redes durante a semana

Cristiano Ronaldo - Reuters
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Dois vídeos que viralizaram nas redes sociais nesta semana despertam boas reflexões. O primeiro foi de uma entrevista com Roger Waters no sábado passado (12), em que ele revelou ter recusado um pedido de Mark Zuckerberg, dono do Facebook, para usar uma das músicas do Pink Floyd em uma propaganda. A resposta dele foi: “Vá se f****! Nem f******!”.

A canção em questão era “Another Brick in the Wall (Part 2)”, um hino contra o totalitarismo lançado no clássico álbum “The Wall”, de 1979. A obra seria usada em uma campanha do Instagram, que pertence ao Facebook. O músico justificou a recusa: "Eles querem usá-la para tornar o Facebook e o Instagram ainda maiores e mais poderosos do que já são”.

Será que iriam usar no comercial o trecho “you’re just another brick in the wall” (você é apenas mais um tijolo no muro)? Enfim, não é todo dia que a gente assiste a um artista consagrado denunciando o poder excessivo das grandes redes em vez de usá-las para ganhar ainda mais dinheiro.

Já o segundo vídeo foi de uma entrevista do jogador Cristiano Ronaldo na segunda-feira, em que ele afastou duas garrafinhas de Coca-Cola, patrocinadora da Eurocopa, e colocou uma garrafa de água na sua frente, levantando-a e dizendo: “Água!”. Com o gesto espontâneo, ele passou a mensagem de não é saudável beber refrigerante.

Logo após a entrevista, a Coca-Cola perdeu US$ 4 bilhões de dólares em valor de mercado na Bolsa de Nova York, e especulou-se se isso seria consequência do ato do português.

Seja o prejuízo da empresa um reflexo da atitude do jogador ou não, o fato faz pensar em como um simples gesto que viraliza na internet pode ter um impacto gigantesco no mundo “real”, para o bem ou para o mal —nesse caso, se menos pessoas tomarem refrigerante por causa disso, com certeza terá sido um bem. Mas também tem muita gente por aí compartilhando fake news que provocam a morte de milhares. Vale refletir sobre o tamanho dessa responsabilidade antes de cada clique.

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Alessandra Kormann é jornalista, tradutora e roteirista. Trabalhou sete anos na Folha.
Desde 2005, é colunista do Show!, do jornal Agora.

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