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Em 'Gênesis', Marcella Muniz cita zelo e sintonia ao dividir set com filha

Atriz faz Maresca, papel de filha, Thais Müller, em nova fase

Marcella Muniz com a filha Thais Muller nos bastidores de "Gênesis" Divulgação

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São Paulo

Se trabalhar no meio das incertezas da pandemia já é uma bênção, poder fazer o que mais ama em família é muito melhor. É essa a experiência vivida pelas atrizes Marcella Muniz, 54, e Thais Müller, 28, mãe e filha, que puderam dividir o set de filmagens na novela “Gênesis”, da Record.

A semelhança entre as duas, tanto na aparência quanto no jeito de atuar, fez com que a emissora convidasse a atriz capixaba, que tem 40 anos de carreira e passagens pela Globo, a dar continuidade à personagem da filha, Maresca, nos capítulos finais da história.

Na narrativa, a moça tímida e atrapalhada, filha caçula de Lotam (Ricardo Blat), aprende com ele a arte da medicina sem saber que esse pode ser o seu maior talento. Muniz entrou na história para viver a mesma personagem, agora mais velha, em 20 capítulos.

“Fiquei lisonjeada em fazer minha filha mais velha. Admiro muito o trabalho dela. Lá na Record ela é chamada de ‘mini mim’, pois é muito parecida comigo nos trejeitos e nas formas de interpretar”, afirma Muniz​, que já esteve em "Malhação" (Globo, 2001), "Uga Uga" (Globo, 2000) e Jesus (Record, 2018) .

Desde que souberam da novidade, mãe e filha começaram a ensaiar juntas, passar os textos e evoluir o papel. Na história, Müller deu a Maresca uma risada peculiar, comumente utilizada nos momentos de apreensão. Até o tom da gargalhada foi treinado para que a passagem de tempo ficasse verossímil.

“É mais desafiador você dar sequência ao personagem de alguém que o montou, mas é bacana, pois além de ser minha filha eu confio nela. Para essa composição, peguei a Thais, dei minhas primeiras cenas para ela e pedi para ela ler. Quis entrar na mesma sintonia e musicalidade do papel”, afirma a mãe.

E engana-se quem pensa que, no momento do “gravando”, mãe esquece que quem está no set é a própria filha. Apesar de elas não atuarem juntas, uma ficava vendo e analisando as cenas da outra nos bastidores.

“Teve um momento que fui assistir a uma cena dela. Precisei falar algo com ela, só que a Thais disse que eu a deixei nervosa. Por ser mãe, as vezes a gente passa do limite, fico dando conselho e ela pedia para parar. Excesso de zelo”, afirma a mãe coruja.

Porém, diz Müller, o excesso de zelo não necessariamente é um problema. Para ela, trabalhar perto da mãe e vê-la continuar um papel que foi feito com tanto esmero é uma honra.

“Ser olhada tão de perto dá ansiedade, é profissão que se coloca muito à prova. Estar ali na frente dela dava nervoso, mas é algo de fã e ídolo. O que fica para mim é o olhar dela atrás das câmeras com um sorriso no rosto. Me contagiou mais”, diz a filha.

Müller começou a atuar aos seis anos e já passou por novelas como “O Cravo e a Rosa” (Globo, 2000), “Kubanacan” (Globo, 2003), “Os Dez Mandamentos” (Record, 2016) e “Topíssima” (Record, 2019).

Agora, em sua quarta trama na Record, a atriz, nascida no Rio de Janeiro, pode passar a personagem para a pessoa que mais a inspira e mais a ajudou dentro da dramaturgia, como diz ela. “A Maresca é nossa. História que não termina quando eu saio. Nunca estive tão tranquila de entregar um papel.”

A gravação da passagem de tempo entre a fase jovem de Maresca (Thais Müller) para a fase mais experiente (Marcella Muniz) evidenciou toda a sintonia de semanas de estudo. Segundo as atrizes, ao final da filmagem toda a equipe as aplaudiu.

A cena em questão ficou emocionante. “A Maresca jovem está cozinhando num acampamento e o fim da cena é a personagem pegando lentilha e rindo. Num jogo de câmeras, quando volta para ela já sou eu na mesma posição”, rememora Muniz.

“Eu realmente tenho os mesmos trejeitos dela, percebi isso na hora. Me marcou o olhar de admiração da minha mãe. O bom de conhecer tanto a pessoa é que uma coisa que é falada no seu ouvido na hora pode transformar aquela cena”, emenda Müller.

Não bastasse toda essa admiração mútua em família, outra coisa que gerou uma pontinha de inveja na equipe de “Gênesis” foi o fato de ambas serem as únicas pessoas no set que podiam se abraçar na pandemia. “A gente já tinha essa desculpa para poder se agarrar mais”, brinca Müller.

REGINA DUARTE E FERNANDA MONTENEGRO

Além de toda felicidade que a atriz Marcella Muniz está sentindo por dividir o set de gravações com a filha, Thais Müller, mesmo que ambas não tenham contracenado juntas, ela destaca que essa é uma chance rara na dramaturgia.

“As únicas pessoas que fizeram isso que eu me lembre foram Gabriela e Regina Duarte e as Fernandas [Montenegro e Torres]. É uma emoção grande você estar no seu trabalho e toda hora ouvir que a sua filha é muito boa. É gratificante como mãe e artista. Isso me trouxe momentos felizes”, define Muniz.

Gabriela e Regina atuaram juntas em tramas da Globo como “Top Model” (1989), “Por Amor” (1997), “Chiquinha Gonzaga” (1999) e “A Lei do Amor” (2016). Já as Fernandas viveram mãe e filha na série “Amor e Sorte” e Torres viveu o papel da mãe mais jovem em flashbacks na novela “As Filhas da Mãe” (2001).

Por isso que, quando a Record chegou para Muniz com o convite de continuar o papel da filha, o susto foi grande. “Estava acabando de gravar ‘Amor sem Igual’ e o pessoal me ligou e disse que queriam essa personagem. Renovamos o contrato e fui acompanhar de perto. Que presente ter troca com a minha filha.”

Müller afirma que comemora a cada minuto essa parceria. “Ficamos felizes. Ver minha mãe fazendo a mesma cena que eu foi muita emoção. Privilégio estar no mesmo set”, opina.

Parceria numa grande novela é a primeira vez. Porém, não é inédito que ambas se encontrem na dramaturgia. A mãe revela que, há seis anos, fez com a filha uma peça na qual Müller representava sua sobrinha.

E mais novidades vão surgir em breve. “Acabamos de fazer um filme, no ano passado, no qual a Müller é a protagonista. Mas nós não contracenamos. Esse longa se chama ‘O Meu É Meu, o Seu É Nosso”. Eu faço participação em duas cenas. Gosto de trabalhar com uma galera jovem”, emenda Muniz.

No projeto, que deverá ser lançado em 2022 num cenário pós-pandemia, ela interpreta a mãe do garoto com quem Müller se envolve. É uma história de amor que norteia as paixões e as relações dos jovens hoje em dia.

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