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'A Dona do Pedaço' estreia com briga de famílias e triângulo amoroso de gays e ninfomaníaca

Trama de Walcyr Carrasco é embalada pela música 'Evidências'

Maria Da Paz (Juliana Paes) em 'A Dona do Pedaço'
Maria Da Paz (Juliana Paes) em 'A Dona do Pedaço' - Globo/João Miguel Júnior
Beatriz Vilanova
Rio de Janeiro

Em “A Dona do Pedaço”, os personagens passeiam entre fórmulas clássicas, como a paixão proibida e a briga de famílias inimigas semelhantes à história de "Romeu e Julieta", até movimentos modernos como o do empoderamento da mulher. Exibida na faixa das nove da Globo a partir desta segunda-feira (20), a trama de Walcyr Carrasco conta com Juliana Paes (Maria da Paz Ramirez) e Marcos Palmeira (Amadeu Matheus) encenando o casal principal. 

Já no início na narrativa, uma tragédia interfere no destino dos dois personagens, cujas famílias são inimigas, e Maria foge da cidade fictíca de Rio Vermelho, no Espírito Santo, para São Paulo, grávida e jurada de morte. Lá, ela sobrevive vendendo os bolos que aprendeu a fazer com sua avó Dulce (Fernanda Montenegro) até se tornar dona de uma confeitaria de sucesso. Em determinando momento, ela terá de lidar com um reencontro inesperado.

“Existe na Maria a doçura e inocência de Julieta, mas talvez ela não seja tão resiliente. Ela não aceita aquela imposição, não aceita a morte. Ela quer lutar, batalhar e viver esse amor", diz Juliana Paes sobre a personagem. “A gente vai vestir a camisa do melodrama, contar essa história sem vergonha de ser feliz e do amor."

A obra é dividida entre um prólogo e duas fases (entre a fictícia Rio Vermelho e São Paulo), mesclando uma história contemporânea de amor com elementos clássicos da literatura e do próprio humor. Uma das principais reflexões propostas é a do poder feminino.

"É a história de uma mulher que não precisa de homem para viver e para ser feliz. Walcyr é muito criativo etem as ideias mais loucas do mundo”, avalia Marcos Palmeira. "Este é o momento das mulheres. Elas são as donas do pedaço mesmo, e a gente [homem] tem que cobrir pelas beiradas."

“A personagem fala muito do espírito trabalhador, aguerrido, do povo brasileiro. É a ‘dona do pedaço’ que existe em cada um de nós, e principalmente nas mulheres", acrescenta Paes. "Tenho certeza que em cada mulher existe uma Maria da Paz, que teve que abrir mão de alguma coisa, [...] guardar uma dor muito grande em uma caixinha para poder ganhar a vida e conquistar seus objetivos."

Walcyr, que escreve a novela com Nelson Nadotti, Márcio Haiduck e Vinicius Vianna, afirma que sempre busca destacar a força do poder feminino na maioria de suas tramas. Além da protagonista Maria, há fortes personagens como as próprias matriarcas Dulce e Nilda (Jussara Freire).

“Elas são mulheres vigorosas que se impõem dentro de um universo violento”, diz o autor, que também cresceu com uma avó cozinheira. “O feminismo está sendo abordado no sentido da potência das mulheres. Como na série ‘Assédio’, a heroína é uma mulher muito potente”, afirma Amora Mautner, diretora artística, que promete uma trama cheia de reviravoltas e mensagens positivas.

Para desenvolver a trama, Mautner afirma que se inspirou em uma estética pop, com brilho, cor e alegria. Segundo ela, até mesmo a trilha sonora tem um conceito popular com a regravação de "Está Escrito", interpretada por Xande de Pilares, para abertura da novela, enquanto núcleos como o de Maria da Paz e Amadeu terão as músicas originais “Evidências” e “Cheia de Mania”.

“Estou muito feliz com esse reencontro”, diz o autor, em referência ao novo trabalho com Amora. “Não só encontrei uma grande e excepcional diretora, como uma grande amiga. E esse elenco, escolhemos com o coração." ​

Para ele, o mais difícil tem sido escrever sem pensar em resultados. "Se eu parar para pensar no que vai dar certo e no que vai dar errado, não escrevo", afirma Walcyr. "A mídia em geral cobra muito mais os números de audiência que a própria emissora, que sabe que é preciso um prazo para dar certo, eventualmente. A pressão é muito mais externa que interna."

Nesta novela, Amora Mautner também trabalha ao lado do ex-marido Marcos Palmeira, o que não é uma problema para ela. "Além de ser uma pessoa maravilhosa e um colega de trabalho maravilhoso, ainda é um grande ator. Acho que dei muita sorte com esse meu ex-marido. Ele é muito bom de trabalhar junto e a gente se dá muito bem."

Agatha Moreira é a responsável por interpretar a filha de Maria da Paz, Josiane, que cultiva desprezo pela mãe e critica constantemente seu comportamento e aparência. Ela almeja uma projeção social e, por isso, articula um plano com o playboy Régis (Reynaldo Gianecchini) para conseguir o patrimônio da mãe.

A novela também traz tramas paralelas com nomes de peso, como a de Vivi (Paolla Oliveira) e Kim (Mônica Iozzi), que tomam à frente no núcleo das influenciadoras digitais, e a de Rock (Caio Castro) e Agno (Malvino Salvador), que devem protagonizam um relacionamento homossexual (a trama ainda não está definida), enquanto um deles é casado com Lyris (Débora Evelyn), uma ninfomaníaca.

“Walcyr é muito bom nisso. Prova disso é que ninguém se importou com o beijo de Félix com Niko [“Amor à Vida”]. Porque ele conseguiu fazer com que o personagem se conectasse com o público; o público adorava o Félix e ele era o vilão da novela”, comentou Salvador, que já trabalhou com o autor em outras cinco novelas.

Malvino afirma que, independentemente de existir ou não um beijo gay na trama, ele vai buscar essa conexão mais íntima com o público. Walcyr concorda: “Quero fazer uma novela com uma mensagem positiva, que faça bem ao público, que seja um momento positivo no dia dele e que dê forças para a batalha  diária”, diz ele. “Que traga uma mensagem de superação, coragem, esperança, amor e muita emoção.”

Já Paolla Oliveira diz que sua personagem, Vivi, “é bom caráter, espevitada e divertida". Na trama, ela cresce longe da mãe e da irmã (Nathalia Dill) ao fugir de uma morte encomendada, e a única lembrança que carrega é o amuleto idêntico ao da irmã, que recebeu da bisavó Dulce.

"A Vivi vem de uma infância humilde e traumática e se torna essa mulher adotada, mas segura, poderosa e digital influencer”, diz Paolla. “Ela fala muito de moda. É muito conectada, fashion e ousada, sem medo. É muito segura. E acho que a internet gira um pouco em torno disso também.”

A trama também mostrará os bastidores das influenciadoras digitais e questões que as cerceiam, como a compra de seguidores nas redes sociais. “É um universo muito diferente do meu, mas estou encantada. Você se comunica muito pela forma como se veste, por exemplo”, diz Monica Iozzi, que agora está loira para a persongaem Kim.

A jornalista viajou a convite da Globo.

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