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'Desafiadora', novela 'Jesus' chega ao fim após subir audiência da Record e alcançar os EUA

Último capítulo vai ao ar nesta segunda-feira (22) com surpresas

Jesus caminha no deserto.
Cena da novela "Jesus" - Divulgação
São Paulo

Um dia após a Páscoa, a novela da Record "Jesus" chega ao fim com um bom resultado. A história conhecida em todo o mundo, retratada em folhetim pelo diretor Edgard Miranda, conseguiu elevar o Ibope da emissora no Brasil e chegou a ter média de 15 pontos nos últimos episódios.

“Podemos conhecer uma história, mas é o modo como ela é contada que faz a diferença”, disse a autora da novela, Paula Richard, em entrevista à Folha. “Dessa vez ela foi mostrada em sua íntegra, algo que nunca foi feito antes. Muitas passagens de Jesus eram desconhecidas do público em geral".

Perto do fim, ela analisa os últimos capítulos, que descreve como "muito fortes e emotivos", e diz sentir um alívio imenso por concluir o desafio. "De minha parte, sei que poderia ter feito uma ou outra coisa melhor, mas fiquei muito feliz com o resultado".

Para o elenco, as férias já estavam decretadas desde meados de março, quando acabaram as gravações, após nove meses de trabalho. Mas isso não significa que o envolvimento também acabou.

Day Mesquita, que interpreta Maria Madalena, diz que “foi um trabalho árduo e intenso para todos”, feito em muitos detalhes e com cuidado. Tanto ela quanto Jessika Alves, que vive Maria de Betânia, enxergam os respectivos papéis na novela como um grande desafio.

“É sempre um desafio fazer uma novela de época, ainda mais com uma história que mexe tanto com as pessoas e conosco. Tiveram cenas bem intensas, que exigiram bastante da gente”, diz Jessika. Day concorda: “Foi sem dúvidas um dos trabalhos mais intensos e desafiadores que já fiz até então, e estou muito feliz com todo o processo, a repercussão e o resultado. Agora fica a saudade”.

Já para Paula, o mais difícil foi escrever determinadas cenas, como a da Via Crucis e a da Crucificação. “A cena da crucificação não é a mesma quando você conhece a vida e a trajetória dos personagens que a presenciaram. Através dos olhos desses personagens, uma cena tantas vezes vista toma outra dimensão”, diz.

Outro grande desafio, segundo ela, foi contar a história na íntegra, com todos os personagens e suas tramas paralelas, dentro de uma linha de tempo dramatúrgica.

A autora diz que chegou a ser questionada sobre o material usado como base para a novela, mas afirma que as interpretações podem variar de acordo com a fé da pessoa. Ela comentou sobre as “alterações” que fez, como o fato de Maria Madalena não ser retratada como uma prostituta na novela.

“O que causou essa ‘fama’ à Madalena é que durante muito tempo ela foi identificada como sendo a mulher prostituta que lava os pés de Jesus, também chamada Maria, um nome extremamente comum na época. Mas, em 1969, o próprio Vaticano retificou esse engano. Claro que, a essa altura, a imagem da Madalena arrependida, prostituta, já estava no imaginário coletivo. Sendo assim, eu não mudei a ‘história original’, mas retornei a ela”, explica.

Ela conta que também teve a oportunidade de desenvolver personagens que só eram mostrados em seus momentos icônicos, explorando quem eram realmente, o que viveram e de que forma foram tocados por Jesus.

“Tiveram muitas histórias paralelas”, diz Jessika. “Conseguimos conhecer um pouco mais de cada personagem. Por exemplo, como era Barrabás antes de ficar conhecido como o ladrão de Jesus. Há algumas coisas que historiadores já sabiam mas nunca havia sido contado na novela, e isso também é bem legal.”

Para compor a própria personagem, ela diz que também procurou pela visão de outras pessoas sobre Maria de Betânia. “É uma personagem muito estudada pela devoção que teve a Jesus, que teve atitudes que as mulheres na época não tinham, e as pessoas sempre vinham com uma expectativa muito grande.”

“Cada um lê e interpreta de uma forma, então é difícil atingir às expectativas de todos. Mas desde o início a nossa preocupação era conseguir passar a mensagem da forma mais verdadeira, mais bonita, e com toda a importância que ela realmente tem na vida das pessoas”, conclui Jessika.

Segundo a atriz, o último capítulo terá algumas surpresas, bem como passagens que não estão na Bíblia e serão inéditas na TV. A exibição é às 20h45.

'O PÚBLICO É O GRANDE ESPECIALISTA'

Elenco e produção não deixaram de acompanhar a repercussão da novela durante os nove meses em que ela esteve no ar. 

“Sempre acompanho a repercussão da novela entre os espectadores. O público é o grande especialista, é para ele que escrevemos”, afirma a autora. Day diz ter notado uma resposta "muito positiva" do público, e Jessika está satisfeita com o resultado. "Muitas coisas tinham efeitos especiais ou eram complicadas de gravar, mas percebemos que toda a energia gasta valeu a pena”, reflete a atriz.

“Gosto de acompanhar as redes porque nos dão uma resposta imediata", continua Jessika. "Estou sentindo um feedback muito legal das pessoas. Elas me param na rua, vem falar da novela e de cenas específicas, como a que Maria Betânia lava os pés de Jesus, que repercutiu muito na internet. Muita gente me disse que sempre quis ver essa cena interpretada, que enxergaram Maria como um exemplo do que elas querem ser com Jesus.”

A repercussão tem se estendido, inclusive, para fora do Brasil. “Jesus” é transmitida nos Estados Unidos, Panamá, Bolívia, Porto Rico, República Dominicana, Colômbia e Moçambique, e chegou a ser líder de audiência em vários desses países.

“Sabia que a novela estava tendo uma ótima repercussão em alguns países fora do Brasil, mas não imaginei que seria tanto a ponto de sermos abordados nos EUA”, revela Day. "É incrível receber o carinho do público num país que não é o seu de origem, me senti acolhida.”

“Acredito que a trajetória de Jesus sempre será interessante, mesmo sendo conhecida por muitos. É uma história que fala de amor, respeito, compaixão e doação ao próximo; é universal e atemporal”, avalia.

Em balanço final, Jessika concorda que o tema da novela ainda é atual e necessário: “Estamos contando uma história de anos mas ao mesmo tempo muito atual. Ainda estamos precisando escutar e se tocar com isso, entender que somos todos diferentes, mas somos todos irmãos. E a aparência, religião ou opção sexual não importam, e sim o que você tem dentro. É a fé, o coração, caráter e valores. Era isso que Jesus procurava e essa é uma das mensagens mais bonitas que a gente pode deixar com a novela.”

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