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Em 'Orfãos da Terra', Eli Ferreira conta com ajuda de congolesa no sotaque e faz o próprio cabelo

Atriz vive Marie, refugiada que abre salão no Brasil e emprega Laila

A atriz Eli Ferreira - Instagram/Eli
Beatriz Vilanova
São Paulo

Em “Órfãos da Terra”, nova novela da faixa das seis da Globo, Eli Ferreira é Marie, uma refugiada que chegou ao Brasil após perder o marido em uma guerra civil.

"Ela foi baleada e ficou em coma durante um tempo”, adianta Eli sobre a personagem. "E acredita ter perdido o filho também. Aqui, ela conhece o Jean-Baptiste (Blaise Musipère), um refugiado haitiano que é namorado dela, e aos poucos vai abrindo o seu salão de beleza, onde vai empregar a Laila (Julia Dalavia).”

Em entrevista à Folha, a atriz conta que as preparações da personagem começaram em meados de dezembro e contaram com a ajuda de uma professora de prosódia congolesa, que a acompanha até hoje.

“O sotaque deles é de francês, mas não como o de um parisiense. A minha preparadora me tira dúvidas de como falar algumas palavras, porque é algo bem diferente, principalmente em algumas sílabas e o som do 'R'".

A novela é gravada no Rio de Janeiro, mas tem como pano de fundo o bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Eli chegou a passar uma semana entre os paulistas, onde visitou um centro de refugiados para criar veracidade ao drama de sua personagem.

“Conversei com refugiados sobre a situação deles, sobre como foi a vinda deles. Muitos vieram na verdade antes da guerra atingir onde viviam. Outros vinham sem nem saber que estavam vindo para o Brasil”, conta. “Eles passaram por coisas tão absurdas que é completamente longe da nossa realidade”.

Ainda sobre a preparação da personagem, ela diz ter assistido a documentários sobre a Guerra do Congo e ter se chocado com a questão do estupro ser usado como uma arma de guerra no país. "Essa minha personagem pode ter passado por tudo isso ou não”, diz.

Com cerca de 20 capítulos gravados, a carioca também disse que fez o próprio cabelo da personagem na novela. Ela conta que, após 18 anos usando química no cabelo, resolveu mudar.

“Foi depois que terminei ‘Tempo de Amar’. Usei química pela última vez em em janeiro de 2018. Tirei e falei: ‘Não quero mais’. No final do ano, me vi com o cabelo deste tamanho, sem química, e pensei: ‘Que liberdade’.”

Em conversa com Gustavo Fernandéz, que assina a direção artística da novela, a atriz revelou o desejo de não ter que relaxar o cabelo –e o pedido foi respeitado.

“Hoje eu mesma faço as minhas tranças. Já vi vídeos ensinando como fazer e levo uma hora e meia trançando. Coloco um espelho atrás e um na frente, e vou fazendo”, explica.

Com as melhores expectativas para a novela, Eli diz que interpretar a personagem está sendo desafiador. “É uma das personagens mais distantes de mim. Ela tem 30 anos, é mais velha que eu, tem filho e marido. O máximo que tive perto disso é o meu irmão de nove anos, que ensaia o roteiro comigo.”

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