Tony Goes

Por que Madonna ainda é a mulher mais importante do pop?

Cantora completa 60 anos nesta quinta (16) e é homenageada no mundo todo

Cantora Madonna no lançamento de 'The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years' em Londres, em setembro de 2016
Cantora Madonna no lançamento de 'The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years' em Londres, em setembro de 2016 - REUTERS
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Ninguém deu muita bola para Madonna quando ela surgiu, em 1982. Nem mesmo sua gravadora: a cantora não aparece na capa de seu primeiro single, “Everybody”. Um começo curioso para uma carreira em que a imagem seria tão importante quanto a música.
 
Dois anos depois, mesmo com dois álbuns estourados no planeta inteiro, Madonna ainda não era levada a sério. A revista “Veja” publicou naquela época uma matéria comparando-a com Cyndi Lauper, um talento que teria vindo para ficar. Madonna, ao contrário, só teria mais uns meses de fama e olhe lá.
 
Cyndi Lauper ainda está por aí, gravando discos esporádicos e trabalhando como atriz de teatro. Nunca mais repetiu o sucesso da década de 1980. Madonna, por outro lado, cresceu a ponto de ser a única mulher a entrar para o panteão dos gigantes do pop e do rock. Um clube rarefeito que combina vendagens, longevidade e influência cultural, e onde estão nomes como Elvis Presley, David Bowie, Michael Jackson e os Beatles.
 
Nesta quinta (16), Madonna completa 60 anos. Ela não é a primeira estrela do pop contemporâneo a atingir tal marca ainda em atividade. A lendária Tina Turner chegou aos 60 em 2009, e comemorou a façanha com uma turnê mundial. Mas Tina não lança um álbum de inéditas desde 1999, e vive hoje semi-reclusa em sua casa na Suíça. Por mais glórias que tenha acumulado em sua longa carreira, não tem a importância de Madonna.

Mas por que Madonna é tão importante? Sua música é boa, mas não é revolucionária. Ela não abriu novos horizontes sonoros, como seu conterrâneo Prince (ela é de Michigan e ele era de Minnesota, dois estados do Meio-Oeste americano). Mas Madonna sempre esteve entre as primeiras a aderir às inovações. E, com seu faro comercial, trouxe para o “mainstream” o que estava rolando nas margens da cultura, como a dança vogue dos gays de Nova York ou as experimentações eletrônicas do underground londrino.
 
O que transformou Madonna em um ícone foi sua atitude. Ela sempre se colocou como uma mulher no controle de sua própria narrativa. Sem o menor pudor de ser ambiciosa, nem de sentir prazer com o sexo. Mudou de aparência incontáveis vezes, mas nunca mudou sua mensagem. Desde os primórdios, esta continua a mesma: “eu sou tão fabulosa quanto quero ser, e você pode ser também”.

Décadas depois, Lady Gaga reformulou a proposta, dizendo a seus seguidores (os “little monsters”) que eles não precisavam mais ser fabulosos para serem amados. Mas a carreira de Gaga desandou em 2011, quando, inconscientemente ou não, ela cruzou uma linha com a canção “Born This Way”, um quase-plágio de um hit de Madonna de 1989, “Express Yourself”. Desde então, suas vendas caíram e sua imagem desbotou; ela não é mais vista como uma ameaça ao reinado de Madge.
 
Quem é, então? No momento, Madonna tem apenas uma rival à sua altura: Beyoncé, que ampliou o discurso de empoderamento da colega redirecionando-o para as mulheres negras. Mas a própria Bey já disse que aprendeu muito com Madonna – inclusive, a usar a mídia em benefício próprio.
 
Vamos ver se Beyoncé, que completa 37 anos em setembro, chega à sua sexta década de vida ainda lotando shows, gravando novidades e influenciando a moda e os costumes. Pode até ser, mas ela não terá sido a primeira. Esse trono, ninguém tira mais de Madonna.

Tony Goes

Tony Goes (1960-2024) nasceu no Rio de Janeiro, mas viveu em São Paulo desde pequeno. Escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. Ele também atualizava diariamente o blog que levava seu nome: tonygoes.com.br.

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