Tony Goes

Silvio Santos celebra 60 anos de carreira, mas a era dos apresentadores está chegando ao fim

O apresentador é o personagem mais importante da história da televisão brasileira

Silvio Santos comemora 60 anos como apresentador de TV
Silvio Santos comemora 60 anos como apresentador de TV - Lourival Ribeiro/SBT
 

Nesta quarta (7), completaram-se seis décadas desde que Silvio Santos apareceu pela primeira vez diante das câmeras, comandando o programa "Hit Parade” da antiga TV Paulista (hoje a Globo de São Paulo).

Silvio é o personagem mais importante da história da televisão brasileira. Comunicador de carisma ímpar, empresário de enorme sucesso, figura crucial para entendermos a cultura de massas do nosso país.

O dono do SBT ainda nem tinha 50 anos quando se começou a falar em seus "herdeiros". Quem seria o próximo Silvio Santos? Dentro de sua própria emissora surgiram dois nomes fortíssimos: Gugu Liberato e Celso Portiolli. A princípio imitando escancaradamente o “patrão”, ambos logo desenvolveram estilos próprios, engatando carreiras bem-sucedidas.


Silvio Santos comemora 60 anos como apresentador; relembre momentos cômicos


E, no entanto, nenhum deles tomou o trono de Silvio. Nem ninguém tomará. Não é por falta de talento dos pretendentes. É porque a TV mudou, e a importância dos apresentadores vem diminuindo drasticamente.

O formato do programa de auditório veio do rádio, mas floresceu na TV. O Brasil, talvez mais do que qualquer outro país, gerou um panteão de "animadores" (como se dizia em priscas eras). Além do próprio Silvio, gente do quilate de Hebe Camargo, Flávio Cavalcanti, Chacrinha.

Durante muito tempo, o apresentador foi a principal chamariz de sua própria atração. Silvio implantou por aqui o programa "interminável", chegando a ocupar quase 12 horas seguidas nas tardes de domingo (na América Latina, havia o similar “Sábado Gigante”, que durou 53 anos e era apresentado pelo lendário Don Francisco, nome artístico do chileno Mario  Kreutzbeger).

 

Os apresentadores ainda são os profissionais mais bem pagos do nosso showbiz. Ganham salários astronômicos e ainda recebem fortunas por ações de merchandising, campanhas publicitárias e presenças VIP em eventos.

Mas alguma coisa está diferente. Nos últimos meses, o noticiário de entretenimento vem reportando as dificuldades que muitos deles vêm enfrentando para renovar seus contratos ou até mesmo permanecer no ar.

Gugu custou a se acertar novamente com a Record, que preferia que ele abrisse mão do programa próprio para apresentar algum formato internacional. Marcos Mion perdeu seu "Legionários" e também irá apresentar formatos comprados (se não for para a Band, que estaria interessada em seu passe). E Roberto Justus simplesmente deixou a emissora.

No SBT, o "Domingo Legal" de Celso Portiolli corre o risco de ser extinto. Silvia e Patrícia Abravanel revelaram-se autênticos talentos televisivos, mas é difícil imaginá-las carregando atrações com seus próprios nomes.

Na Globo, Fausto Silva continua imperando aos domingos, e comenta-se que o canal adoraria ter Rodrigo Faro como seu sucessor. Mas a nova leva de apresentadores surgida na casa --Fernanda Lima, Tiago Leifert, Fernanda Gentil-- tampouco parece destinada a comandar programas centrados neles mesmos, e sim a conduzir "realities' como o "BBB" ou o "Popstar".

Até o fato de Luciano Huck cogitar uma carreira política pode ser um sintoma de que a era de ouro dos apresentadores está mesmo chegando ao fim. Sem ter para onde crescer dentro da TV, Huck mira a presidência da república.

Silvio Santos veio aí e ainda está brilhando forte. Mas não vem ninguém depois dele. Pelo menos, ninguém de seu tamanho.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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