Renato Kramer

Regina Duarte diverte e comove em "Raimunda, Raimunda"

A maior estrela da televisão brasileira está encerrando a temporada do seu espetáculo "Raimunda, Raimunda" (Francisco Pereira da Silva) em São Paulo.

Comemorando os cinquenta anos de uma das carreiras mais bem sucedidas das artes cênicas brasileiras, Regina Duarte foi apresentada às 'Raimundas' de Chico Pereira em 2009, pelo Grupo Harém de Teatro de Teresina, e 'foi amor à primeira leitura'.

Em 2010, durante os festejos dos 60 anos de telenovela no Brasil, o produtor cultural Hermes Frederico cumprimentou a atriz oferecendo-se para produzi-la no teatro. Pronto: o sonho de viver a arretada cearense Raimunda nos palcos tornava-se realidade.

E Regina Duarte ousou ir mais longe: assumiu o desafio de, além de protagonizar, dirigir o espetáculo, aproveitando para colocar em cena a reciclagem de toda uma vida dedicada à arte de representar.

A doce e meiga Regina, que aos dezoito anos estreou na extinta TV Excelsior como a Malu de 'A Deusa Vencida'. No mesmo ano entrou para o teatro profissional como a Bianca de 'A Megera Domada' (William Shakespeare), com direção de Antunes Filho. Em 1969 foi para a TV Globo viver a Andréa, de 'Véu de Noiva'; em 1970, foi a Ritinha de 'Irmãos Coragem' e, em 1971, ganhou a alcunha carinhosa de 'Namoradinha do Brasil', ao interpretar a Patrícia de 'Minha Doce Namorada'. Daí em diante não parou mais. Em 1972 consagrou-se definitivamente como a maior estrela da televisão brasileira ao viver a Simone de 'Selva de Pedra' - a primeira telenovela que literalmente parou o Brasil.

Tudo isso poderia tornar Regina Duarte uma atriz acomodada em seu sucesso. Mas não. Inquieta e sempre em busca de novos desafios, Regina se joga de corpo e alma no universo rico em humanidade que o autor Francisco Pereira da Silva propõe em suas Raimundas.

O primeiro momento é a viagem de Ramanda e Rudá, num futuro indeterminado, em direção a São Saruê --a terra prometida mencionada nos cordéis nordestinos. Regina e o ator Saulo Segreto conseguem alternar momentos de grande lirismo com outros saborosos de um humor ágil e repentino.

A segunda história conta a saga de Raimunda Pinto, que deixa o Ceará para tentar a vida como enfermeira no Rio de Janeiro - então capital do país-- e acaba sendo recebida no Palácio do Catete pelo Presidente Getúlio Vargas, tal é a sua persistência. Raimunda consegue finalmente entrar para a escola de enfermagem e operar o seu lábio leporino - que tanto a faz sofrer.

Regina se despoja de toda e qualquer vaidade para dar vida à pobre e desajeitada Raimunda Pinto. A atriz xinga, fala fanho, esperneia, vira do avesso e se entrega a sua personagem inteiramente, com uma energia e uma garra poderosas. A Raimunda de Regina Duarte diverte e comove. E ainda vira 'madame'!

No espetáculo, um grupo de oito jovens atores completam o elenco formando um todo harmonioso. Impossível não destacar o exuberante 'Encantador de Serpente', vivido por Allan Souza Lima.

'Raimunda, Raimunda' está em cartaz no Teatro Raul Cortez (Bela Vista - SP) até o dia 16 de dezembro. Para completar o 'festival' Namoradinha do Brasil - a exposição que conta toda a trajetória dos cinquenta anos de carreira de Regina Duarte: 'Espelho da Arte - A Atriz e o Seu Tempo', permanece no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (Centro) até 24 de fevereiro de 2013, com entrada franca.

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

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