Marcelo Arantes

Eliminação decidirá enredo do 'BBB 18' entre triângulo amoroso ou caça à bruxa

A debochada e divertida ruiva Ana Clara tem protagonizado a edição

Ana Clara é um dos destaques desta edição do "BBB 18"
Ana Clara é um dos destaques desta edição do "BBB 18" - Divulgação/TV Globo

Na terceira semana de confinamento, a alegria gratuita no "BBB 18" deu lugar ao reconhecimento da incerteza e ao reforço de ideias.

Os participantes já conseguem reconhecer que não é simples dominar o próprio personagem, e por mais que se esforcem, só saberão o que o editor escolhe para mostrar deles quando deixarem o confinamento. Por isso tentam a todo custo reforçar características que julgam importantes de si, repetindo a mesma coisa várias vezes, na intenção de que saia algo na edição diária.

Até lá, a debochada e divertida ruiva Ana Clara tem protagonizado a edição. Ainda que o público se pergunte como um dos familiares mais rejeitados nas enquetes de eliminação (Ayrton) tenha sobrevivido ao paredão da família Lima, a aposta da direção em mantê-lo confinado com a filha funcionou. Livrou a casa da monotonia e, na ausência de auditoria de votos, os meios justificaram os fins. Recentemente, o apresentador Tiago Leifert soltou efusivamente um "Nós temos Ana Clara" e o público mais atento percebeu por quem a direção também está encantada.

Quando comemora a saída do pai no meio de uma festa para agir com liberdade, Ana Clara diverte o público e traz a discussão de limites para dentro dos lares brasileiros. A intimidade dessa família, que chocou o público pelo excesso de carícias íntimas entre pai e filha, também entretém pela bizarrice, como o episódio em que a estudante bebeu o leite coletivo no gargalo da garrafa, entornou parte dele e usou um pano de prato para limpá-lo do chão. Na sequência, limpou a própria boca e assoou levemente o nariz com o mesmo pano.

Apesar de inexperientes 20 anos, Ana Clara faz uma boa leitura do jogo. Sabe que alguém precisa roubar o protagonismo do "BBB 18" e render material de edição, então provocou Breno até que ele a beijasse escondido por duas vezes, e se envolveu em discussões com o pai sobre a questão. Ayrton insiste em educá-la em rede nacional e poupá-la a todo custo de fazer sexo na frente das câmeras, mas a filha já se mostrou indomável e o fará --basta querer.

A entrada de Jaqueline na trama surge, assim, de necessidade semelhante em roubar protagonismo. Divertida e dona de poderosos atributos físicos, vinha também tentando conquistar o arquiteto Breno há algum tempo com massagens e danças que lembram rituais de acasalamento. Perdido entre duas mulheres mais inteligentes que ele, o goiano dificilmente sairá ileso quando qualquer uma delas começar a se vitimizar ao ser rejeitada.

Em 18 edições de "BBB", o público sempre se identificou com o perfil das mulheres preteridas, o que nos leva a acreditar que boa parte dele pode ser imaturo emocionalmente para lidar com a rejeição, e por isso se projeta por compaixão na figura abandonada. 

Nesse elenco rico, outros personagens tentam despontar do anonimato, como Lucas, o líder bom-moço que chama Tiago Leifert de "Tiagão" para fazer média até com ele, e teme desagradar aos demais colegas de confinamento, mas pode não ser perdoado pelo público por se comprometer bem pouco com o jogo.

No paredão desta terça (6), Lucas indicou a acriana Gleici com uma fraca argumentação, capaz de convencer apenas suas "caprichetes" --termo usado na internet para designar telespectadoras ávidas por rostos bonitos e casais de propaganda de margarina.

Embora seja figuração na disputa com Jaqueline e Mahmoud, a indicação de Gleici deve forcá-la a sair de sua zona de conforto, no caso a órbita de Paula e Ana Clara, e mostrar uma atitude mais própria e contundente para o jogo. Difícil prever quem será o próximo a deixar o programa, já que as enquetes estão balanceadas. Neste caso, a decisão obviamente fica na mão da direção, a depender de quem tem maior potencial de audiência. 

Vítima da combinação de sete votos, Mahmoud queimou a largada ao se envolver em muitos conflitos no início, e ainda sustenta um personagem de lenta digestão para o telespectador por entrar continuamente em paradoxos.

Porém está amarrado ao enredo que o antagoniza a Ana Paula, a equivocada bruxa que se aliou à amiga Patrícia para montar um tropa de choque com o reforço de Diego e Caruso. Combater as crueldades de Ana Paula desde o segundo dia de jogo pode projetar Mahmoud adiante, e se for eliminado precocemente entrará para o hall de participantes com alto potencial de entretenimento mas ingênuos estrategistas. 

Levada ao paredão por pura falta de sorte, durante a última prova do líder, a brejeira Jaqueline traz leveza e graça ao "BBB 18", e seu triângulo com Breno e Ana Clara é promessa certa de audiência. Decidir entre ela e Mahmoud certamente tirará o sono da direção do programa. 

Marcelo Arantes

Marcelo de Oliveira Arantes (@dr_marcelo_) é psiquiatra, mora em São Paulo e comenta o "BBB" há dez anos, desde que participou do "Big Brother Brasil 8". É autor de “A Antietiqueta dos Novos Famosos”.

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