De faixa a coroa

Eleita Miss Brasil 2020, Júlia Gama diz que previu em sonho momento da coroação

Modelo vai representar o Brasil na próxima edição do Miss Universo

Júlia Gama é eleita Miss Brasil 2020

Júlia Gama é eleita Miss Brasil 2020 Marcelo Faustini/Divulgação

Aclamada e com louvor. Esse é o momento que vive a modelo gaúcha Júlia Gama, 27, revelada nesta quinta-feira (20) como a Miss Brasil 2020. Ela foi nomeada para o posto pela nova organização nacional, chamada de U Miss Brasil, e vai representar o país na próxima edição do Miss Universo.

"Em agosto de 2019 tive um sonho muito real, em que eu seria Miss Brasil de novo, sem participar de concurso, disputaria e venceria o Miss Universo. E agora estou aqui. Cada vez que me lembro dele, eu me arrepio toda. Foi um sinal divino, pois naquela época não tinha nem como isso acontecer, logisticamente falando. Nem consigo acreditar que é uma realidade", diz a modelo, que foi Miss Brasil Mundo 2014.

Agora, Gama é a segunda brasileira a disputar os dois principais concursos de beleza: o Miss Mundo e o Miss Universo. Antes dela, apenas sua conterrânea Adriana Alves, que disputou o Miss Universo em 1981 e o Miss Mundo em 1984, realizou o feito.

"Não pensei que ser miss de novo seria uma possibilidade. Estou trilhando uma carreira de atriz, gravei inclusive alguns filmes na China, e não pensava mais em competir neste ramo. Decidi no ano passado que queria voltar ao Brasil para me posicionar como atriz e rezei para Deus me ajudar a encontrar o melhor caminho."

Seu nome foi escolhido em segredo por um júri que avaliou profundamente habilidades, posicionamento e histórico de algumas candidatas, sem que nem elas mesmas soubessem. E com um currículo invejável no ramo das disputas de beleza, ela foi a mais votada, fato celebrado inclusive pelo empresário Winston Ling, novo dono da franquia no país.

"Antes mesmo de eu ter assinado o contrato de franquia, já tinha iniciado o processo de escolha da nova miss", conta Ling. "Julia sempre foi minha escolha, porque ela representa o pacote completo para uma miss. Posso garantir que Julia tem grande potencial de ser a Miss Universo."

Representante de uma marca de spas e cosméticos chinesa, Júlia Gama morava no país asiático há pouco mais de três anos. Seu primeiro contato com Ling aconteceu por acaso na Itália, durante uma ação social da mesma ONG que apoiavam. "Como ele também morava na China, ficamos próximos e ele me cogitou para o posto assim que ele adquiriu a franquia. Mas aí fiquei sabendo que fui selecionada pela comissão de Ling em maio, e já fui me organizando para voltar ao Brasil, tudo em segredo", diz.

Com apresentação do missólogo Roberto Macedo, em vídeo exibido pela internet e sem apoio de TV aberta, Gama desfilou, foi coroada e discursou em português, espanhol, inglês e mandarim. Por causa da pandemia do novo coronavírus, o evento foi gravado e aconteceu sem público, seguindo todas as recomendações sanitárias. Ela recebeu a faixa das mãos da mineira Júlia Horta que, em 2015, quase foi a sucessora de Gama. Mas calma, a gente explica essa história melhor a seguir.

DE NERD A MISS

Júlia Gama é um daqueles exemplos para se inspirar e imitar. Estudante de engenharia química, sem nunca ter andando de salto ou usado maquiagem, ela resolveu se arriscar no mundo miss em 2013, incentivada por uma amiga e seduzida pelo desafio. Assim ela sagrou-se “A Mais Bela Gaúcha”, extinto certame para empossar a Miss Rio Grande do Sul –versão Mundo. Transmitido por uma TV aberta em todo o estado, ela ficou conhecida localmente e, mais ainda, após vencer a etapa nacional, o Miss Brasil Mundo.

No Miss Mundo ela fez história ao vencer a prova mais difícil da competição, a de projetos sociais, e entrou no grupo das dez finalistas entre mais de cem candidatas. E nada disso foi por acaso, já que Gama estudou cada uma das competições, desenhou cronogramas próprios para se preparar para cada uma delas, aprendeu tudo que não sabia, inclusive andar de salto, e foi de nerd a miss.

"Cheguei no Brasil em julho, fiquei em quarentena isolada, já que vinha da China, e desde então tem sido uma corrida contra o tempo. Fotos, ensaios, reuniões com a equipe, planejamento, gravação, coroação… tudo está uma loucura. Estou estruturando a equipe que quero para trabalhar comigo, tendo um apoio que acho que nenhuma outra Miss Brasil teve", diz a Miss Brasil 2020.

DE JÚLIA PARA JÚLIA

Quando Gama foi passar a coroa de Miss Brasil Mundo 2014, uma das candidatas ao posto de 2015 era, justamente, Júlia Horta. A vencedora foi a paulista Catharina Choi, e a mineira bateu na trave e ficou em quinto lugar. No ano passado, Horta venceu a etapa nacional do Miss Universo e, agora, é sucedida por Gama.

Outra curiosidade sobre essa duplicidade Mundo-Universo é que quando Gama disputou o Miss Brasil Mundo em 2014, a amazonense Mayra Dias era uma das suas concorrentes. Posteriormente, Dias tornou-se Miss Brasil Universo 2018.

"Meu sentimento hoje é de que tudo é possível, e tenho a certeza de que a gente cria a nossa vida. Não existe nenhum sonho que vem para gente em vão. Se você tem algo dentro de você, existe em propósito. Não cale ou ignore seu sonho, escute, pois, isso é sua essência, seu eu interior te mostrando o caminho. Quando recebi a coroa, tive a certeza de que estou vivendo o que tinha que viver. Estou muito feliz e muito mais confiante", diz Gama.

O Miss Brasil até o ano passado era realizado pela Polishop, por meio de sua marca de cosméticos Be Emotion, em parceria com a Band TV. Entretanto, o contrato entre as empresas acabou e não foi renovado, descontinuando a realização da competição de beleza.

O Miss Universo, cuja próxima edição deve ser realizada no primeiro trimestre de 2021 nos EUA, é o maior concurso de beleza feminina do planeta, transmitido ao vivo anualmente para uma plateia de mais de 1 bilhão de telespectadores em quase 200 países.

Começou em 1952 e somente dois anos depois o Brasil participou, conquistando o segundo lugar com a baiana Martha Rocha, que morreu no último dia 4 de julho. O Brasil foi campeão duas vezes: em 1963, com a gaúcha Ieda Maria Vargas, e em 1968, com a baiana Martha Vasconcellos.

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil, Miss Universo, Miss Mundo e Mister Brasil. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias e comunicação corporativa.
Contato ou sugestões, acesse instagram.com/defaixaacoroa e facebook.com/defaixaacoroa

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