Zapping - Cristina Padiglione

Glória Pires é criticada ao dizer que grupos de teatro 'não existem mais'

No Altas Horas, atriz falou sobre sua formação profissional pela TV

Glória Pires no Altas Horas
Glória Pires no Altas Horas - Reprodução
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Exceção à regra de que todo ator precisa do teatro para ser reconhecido como grande profissional do ramo, Glória Pires comprou uma briga com colegas de ofício que fazem carreira fora da TV.

Ao argumentar que é de fato um "bichinho de TV", como disse Serginho Groisman no Altas Horas, a atriz explicou que sua formação acabou acontecendo longe dos palcos. Mas tropeçou ao dizer que não existem mais grupos de teatro atualmente, ao tentar comparar o momento presente com os tempos em que começou, ainda aos 4 anos, em 1968.

Glória esteve no programa ao lado de Betty Faria, Chris Vianna e Marina Ruy Barbosa, em celebração aos 70 anos da telenovela, comemorados no final de 2021.

"O teatro tem uma importância de formação, de educação. O tempo que as pessoas passam naquela convivência...", começou Glória, em tom de absoluta reverência ao meio. Mas em seguida, veio o pomo da discórdia: "Hoje não existem mais os grupos de teatro, mas existiam as grandes companhias", disse a atriz, provavelmente pensando em coletivos como TBC, Procópio Ferreira e Arena.

"As pessoas trabalhavam, tinham um repertório, era uma vida cultural muito intensa e muito valorizada, e existia todo aquele aprendizado", continuou Glória. "E comigo foi diferente. Eu já caí ali na televisão, foi um enorme aprendizado e está sendo até hoje, com muitos momentos de superação, porque eu sou uma tímida e é uma coisa complicada que levou muito tempo pra eu ficar feliz, pra eu conseguir curtir, brincar. Eu levava muito a sério e sofria muito com aquele peso".

O caso é que grupos de teatro podem ter outros moldes hoje, mas estão longe de entrar em processo de extinção. E representantes de movimentos que mantêm companhias teatrais em pleno vigor, mesmo em tempos de redução de plateias presenciais, manifestaram-se no Twitter contra a declaração da atriz.

Diretor-executivo da SP Escola de Teatro e cofundador da Cia. de Teatro Os Satyros, Ivam Cabral refutou com veemência a declaração da atriz: "Então… a Glória Pires, ontem no #AltasHoras, falando que não existem mais grupos de teatro é prova de uma ignorância sem tamanho. Existe um mundo incrível além da Globo. Mais diverso, interessante e livre, creiam."

"E parem de associar o sucesso (ou fracasso) do pessoal do teatro à televisão. Simplesmente existem zilhões de atores no teatro que não têm interesse em trabalhar na televisão. Eu sou um deles. Acabei de recusar um convite pra fazer uma série incrível", concluiu Cabral.

O post motivou comentários de atores, diretores e outros profissionais de dramaturgia endossando Cabral e repudiando a falha de Glória.

"Chocante", reagiu o ator e diretor Marcelo Várzea.

"É isso. Eu só pensava no grupo da minha cidade natal. @gloriapires, lá em Três Rios (RJ) existe o Grupo de Amadores Teatrais Viriato Corrêa, o grupo mais antigo do país ainda em atividade (e com sede própria). O teatro ainda existe e respira! Muitos atores de lá estão pelo mundo!", respondeu Luana.

Ainda no "Altas Horas", Glória comentou que sua primeira incursão na TV foi aos 4 anos, ainda na TV Excelsior, mas acabou gravando uma única cena. Aos 8, ela esteve em "A Primeira Órfã", já na Globo, e dali não parou mais.

Também presente no programa de Serginho Groisman, exibido sábado (5), Betty Faria se lembrou das várias vezes em que esteve com Glória em um set de TV, desde "Duas Vidas" (1977). O primeiro papel de grande destaque de Glória veio em "Dancin'Days", de Gilberto Braga, aos 14, quando foi filha de Sônia Braga, criada por Joana Fomm.

Em 1979, Glória contracenou com Betty em "Água Viva", também de Gilberto Braga, que morreu no ano passado. Uma das atrizes prediletas do autor, Glória puxou uma salva de palmas para ele durante o programa.

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem