Colo de Mãe
Descrição de chapéu Agora

A sociedade não aceita a mãe com filhos

Você pode até ser mãe, mas quando diz que seu filho precisa de você, as dificuldades surgem

Agora

Ser mãe, gostar de ser mãe e assumir integralmente seus filhos são coisas completamente diferentes. Nem toda mãe assume integralmente as crias. Nem toda mãe gosta da maternidade e nem toda mãe vivencia o maternar. E está tudo bem. Cada uma deve viver a vida como quer.

Mas quando você é mãe, vive integralmente a maternidade —mesmo que esteja no mercado de trabalho— e assume totalmente o cuidado com seus filhos porque gosta, se sente realizada e não quer terceirizar a criação mais do que o mínimo necessário, você terá muitas dificuldades para ser aceita em muitos espaços.

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O círculo de “amizades” é o primeiro desses locais. É impressionante o quanto a sociedade trata a mãe como algo sagrado, mas quando a maternidade implica em abrir mão de encontros, passeios e diversões, a coisa muda de figura.

Quando você diz que é mãe, imediatamente surge um respeito maior por sua pessoa. Mas experimente dizer que precisa abrir mão de algo por causa de seus filhos, que precisa de tempo para eles e necessita de muita compreensão porque criar filhos não é fácil, para você ver o quanto a sociedade não irá facilitar sua vida. Poucos ficam.

No mercado de trabalho também não é nada fácil. Uma das coisas mais cansativas que vivemos na maternidade é ter que lembrar o tempo todo a todas as pessoas que temos filhos. Que eles precisam comer, que necessitam da mãe para várias tarefas.

Que, por ser mãe, é necessário que os horários sejam totalmente respeitados e que férias e folgas precisam coincidir com momentos em que se pode ficar com as crias. Você faz um discurso, conversa, explica, faz piadas e pede compreensão, mas todo o esforço dura pouco. Passado algum tempo, você precisa explicar, de novo, que você é mãe e que, mais do que isso, você tem filhos e precisa de tempo com eles.

E, quando se trata de relacionamentos amorosos para mães que querem se aventurar em novos paixões, a situação só piora. É impressionante quanto é difícil uma mãe que tem filhos ser aceita e ser amada. O que reforça o que eu disse no começo: você pode até ser mãe, mas deixar claro que seus filhos moldam a sua existência é um passaporte para a rejeição e a solidão.

Isso me leva a crer que as pessoas, de forma geral, gostam muito dos papéis, das representações sociais, mas não estão dispostas a aceitar a dureza do dia a dia fora das imagens perfeitas que são criadas. Criar filhos é uma tarefa que exige não só da mãe, mas de todo entorno, amor e compreensão.

O que acaba ocorrendo com muitas mães é que elas desistem. Desistem do emprego, desistem de criar laços de amizades e desistem de tentar um novo relacionamento. Ou desistem da própria maternidade. Terceirizam totalmente a criação. E, um dia, a vida cobra.

Cobra porque você perdeu tempo e ele não volta. Cobra porque relacionamentos pessoais que não te respeitam jamais vão somar em sua vida.

A vida cobra justamente porque filhos são seres humanos que precisam do investimento do nosso tempo e do nosso amor para se tornarem pessoas bacanas. Por isso, não vale a pena jogar tudo para o alto.

Insista na sua maternidade, na criação de seus filhos e no espaço que você merece. Lembre-se que lugar bom para a mãe é onde cabe o filho.

E, se não respeitam o fato de que você precisa criá-los, reorganize a rota.Busque alternativas, mas jamais abandone a tarefa. Por mais difícil que pareça, ela é recompensadora. Eu garanto.

Colo de Mãe

Cristiane Gercina, 41, é mãe de Luiza, 13, e Laura, 8. É apaixonada pelas filhas e por literatura. Graduada e pós-graduada pela Unesp, é coordenadora-assistente de Grana do jornal Agora, empresa do Grupo Folha. Quer ver o desenho do seu filho publicado na coluna? Envie-o para o e-mail colodemae@grupofolha.com.br com nome completo e idade da criança, nome e celular do responsável.

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