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Racismo é crime e tomaremos providência, diz Giovanna Ewbank após socialite chamar Titi de 'macaca'

Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank
Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank - Greg Salibian-12.nov.201/Folhapress


​A mulher que se apresenta nas redes sociais como socialite Day McCarthy publicou um vídeo no qual chama Titi, 4, filha dos atores Bruno Gagliasso, 35, e Giovanna Ewbank, 31, de "macaca com cabelo de bico de palha". Essa não é a primeira vez que a filha do casal é vítima de racismo nas redes sociais.

"Queria entender os falsos, os puxa sacos, que me criticam pela minha aparência, por não ter olhos azuis, cabelo liso e nariz bonito, fino, como a sociedade impõe esse tipo de beleza. Mas ficam lá, no Instagram do Bruno Gagliasso, elogiando aquela macaca, a menina é preta, tem cabelo horrível, de bico de palha, e tem um nariz de preto, horrível, e o povo fala que a menina é linda. Essas mesmas pessoas vêm no meu Instagram criticar a minha aparência. Você só está puxando saco porque é adotada por famosos. Filha não é. Como duas pessoas brancas, dos olhos claros, vão ter uma filha preta, de cabelo pico e com nariz de negro. Ai, povo ridículo hein", disse McCarthy.

Ewbank usou seu Instagram, neste domingo (26), para agradecer as mensagens de apoio e afirmou que o casal já está tomando as devidas providências perante a lei.

"Bom domingo com AMOR e a pureza de uma criança a todos que tem nos mandado mensagens sobre o acontecido. Racismo é crime, e já estamos tomando as devidas providências perante a lei. Obrigada", escreveu Ewbank, em sua conta no Instagram na legenda de uma foto da filha.

Já Gagliasso postou uma foto com a frase da filósofa americana Angela Davis: "Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista".

TITI

Titi foi adotada pelo casal depois de Ewbank realizar uma viagem à África para conhecer o trabalho de uma ONG americana com órfãs durante um quadro do "Domingão do Faustão" (Globo).

"Foi um reencontro de almas, ficamos o dia todo juntas. Liguei para o Bruno e disse: 'Encontrei minha filha'. Ele respondeu: 'Então me sinto pai dela'", contou Ewbank, em entrevista à revista "Marie Claire", em maio deste ano.

Em 2016, mensagens racistas foram feitas em uma foto publicada por Ewbank no Instagram depois de Gagliasso criticar os usuários da web que se unem para publicar mensagens racistas nas páginas de artistas.

"Nossa família é muito amada, e nós temos policiais bons que vão descobrir [os autores das ofensas]. Minha filha tem algo que esses caras não têm: amor", disse, na época, no "Domingão do Faustão".

No dia 16 de novembro de 2016, Gagliasso prestou queixa na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) contra os comentários racistas deixados para Titi. Um mês depois, sete pessoas, incluindo um adolescente de 17 anos, foram levadas pela Polícia Civil do Rio para prestar esclarecimento sobre as ofensas racistas.

Na delegacia, o adolescente de 17 anos confessou ser um dos autores das ofensas publicadas nas redes sociais. Segundo a Polícia Civil, o adolescente disse ter criado um perfil falso em uma rede social para fazer as ofensas, acreditando que assim ficaria impune.

MAIS OFENSAS

Em agosto deste ano, McCarthy chamou a filha de Roberto Justus e Ticiane Pinheiro, Rafaella, de "brinquedo assassino", em referência ao filme homônimo que tinha como personagem principal o boneco Chucky.

Roberto Justus e Ticiane Pinheiro, pais de Rafaella
Roberto Justus e Ticiane Pinheiro, pais de Rafaella - Greg Salibian-04.ago.2013/Folhapress

"Brasileiro quer processar tudo. Mas, como eu moro no Canadá, o Justus não tem cidadania canadense. Pra ele vir aqui me processar, ele teria que ter cidadania. As leis aqui e no Brasil são diferentes. Eu achar a Rafaella Justus feia não é crime, tá? Isso não é crime. Você ameaçar a pessoa, cometer um crime, tudo bem. Mas a Rafaella Justus é feia, tem um metro de testa, olho torto, e daí? Eu também sou feia."

RACISMO COM CELEBRIDADES

Outras celebridades brasileiras já foram vítimas de mensagens racistas pela internet no ano passado. Entre elas, as cantoras Ludmilla e Preta Gil, Adélia do ex-"BBB" e a jornalista Maju Coutinho, que denunciaram as agressões racistas que receberam.

Recentemente, a atriz Taís Araújo foi vítima de comentários irônicos de personalidades políticas por ter dito em um evento que "a cor de seu filho faz com que as pessoas mudem de calçada no Brasil".

"Quando eu engravidei do meu filho, eu fiquei muito aliviada de saber que no meu ventre tinha um homem. Porque eu tinha a certeza de que ele estaria livre de viver situações vivenciadas por nós mulheres. Certo? Errado. Porque meu filho é um menino negro. Liberdade é um direito do qual ele não vai poder usufruir. No Brasil, a cor do meu filho é o que faz que as pessoas mudem de calçada, segurem suas bolsas, blindem os seus carros", disse a atriz, em palestra no TEDxSaoPaulo, em agosto passado.

A declaração foi revelada apenas no dia 14 de novembro pela organização do evento onde fez a afirmação. Na véspera do Dia da Consciência Negra, Laerte Rimoli, presidente da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) replicou um post com a imagem de um homem em queda livre ao lado de um avião. Diz o texto: "Passageiro pula de avião ao constatar que Taís Araújo estava a bordo".

Na última quarta (22), Rimoli excluiu as imagens, publicando um pedido de desculpas. "Peço desculpas à atriz Taís Araújo e sua família por ter compartilhado um post inadequado em minha timeline".

Um dia depois, o ator Pedro Cardoso abandonou uma entrevista ao vivo no programa "Sem Censura", da TV Brasil, em um apoio aos grevistas e contra o presidente Rimoli.


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