Tony Goes

'Popstar' se firma como formato bem-sucedido em sua primeira temporada

Fernanda Lima, apresentadora do programa musical "Popstar"
Fernanda Lima, apresentadora do programa musical "Popstar" - Cesar Alves/Globo


A parte mais difícil de qualquer reality show competitivo é escalar o elenco. Não basta que os participantes sejam bons no assunto da competição --culinária, carpintaria, seja lá o que for. Eles também precisam ser interessantes e “renderem” boa televisão. Ou seja, têm que ser personagens, com carisma e arco dramático.

Este problema assola o "Big Brother Brasil" até hoje. Mesmo depois de 17 edições, todo ano ainda são escolhidos concorrentes sem a menor graça. São os populares "samambaias", que ficam num canto fazendo fotossíntese sem se envolver nas querelas do resto da casa.

A Globo resolveu a questão com "Popstar" de maneira pouco original, porém eficaz. O concurso musical --cuja primeira temporada terminou neste domingo (10)-- não abriu inscrições a quem quisesse participar nem se propôs a revelar o próximo astro da música brasileira.

Só figuras conhecidas do público em outras áreas do entretenimento foram chamadas: muitos atores, além de uma apresentadora e um comentarista esportivo. Para variar, a Globo lançou mão de sua arma mais poderosa --seu próprio elenco, do qual muitos dos concorrentes do "Popstar" já faziam parte.

E por isto mesmo o resultado foi tão bom. Para começar, todos os candidatos já tinham larga experiência em frente às câmeras. Desenvoltura, desinibição, noção de estar falando para uma audiência que vai muito além da presente no auditório: tudo isto faz diferença, e fez.

Nem todos eram famosíssimos. O espectador da Globo talvez não tivesse ouvido falar de Sabrina Parlatore, que nunca havia trabalhado na emissora. Ou não soubesse ligar o nome de André Frateschi --o vencedor-- à sua pessoa. Por outro lado, figuras estabelecidas como Thiago Fragoso, Fabiana Karla ou Lúcio Mauro Filho garantiram a quota de celebridade.

Talvez por isto mesmo, o programa estreou com cara de karaokê entre amigos, e os jurados --ou "especialistas"-- demoraram um pouco para serem rigorosos. Mas o fato de a bancada ser rotativa, com novos nomes surgindo, saindo e voltando todas as semanas, acabou dando frescor à atração.

A coisa esquentou quando começaram as primeiras eliminações, e os números do Ibope passaram a subir. Depois do trauma de três temporadas mornas do “Superstar” --um formato adquirido de uma produtora israelense-- a Globo finalmente emplacou uma competição desenvolvida por seus próprios talentos.

"Popstar" já tem espaço garantido na grade no ano que vem, e consta que a fila de interessados já é grande. Porque, mesmo não sendo este seu objetivo, o programa acabou alavancando a carreira musical de alguns de seus concorrentes, que estão com vários shows agendados. Mas também cumpriu sua missão primordial: divertiu o público. Não é pouco. 

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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