Renato Kramer

'Papo de Segunda' discute polarização política na internet

"O que eu acho mais importante nos dias de hoje é a gente conviver com quem a gente discorda", declarou o apresentador Marcelo Tas no "Papo de Segunda" (GNT) que foi ao ar neste domingo (20).

"Enriquece!", acrescentou João Vicente. "A gente tem que debater aqui, e claramente nos dividimos em opiniões diferentes, com respeito e afeto". "E mais: com humor!", observou Léo Jayme. "Porque quem tem humor não consegue ser fanático", cita frase de Amós Oz (escritor e pacifista israelense), " e quem é fanático não tem humor", conclui.

Vicente argumenta, sempre se referindo aos acontecimentos recentes no país: "É bonito ver o Brasil indo para as ruas lutando contra a corrupção. Porém a gente tem que estudar, tem que entender, não é simples", ressalta o humorista.

Pelo #PapoDeSegundaNoGNT, Tas recebe um tuíte nada animador de uma telespectadora: "Marcelo Tas é totamente fanático, ditador de opinião, decepcionante!". "Vocês acham que eu fui um ditador aqui?", questiona os colegas por suas colocações enfáticas no início do programa.

"Não, eu acho que nós fizemos um exercício bom de discussão", opina o jornalista Xico Sá. "Ele (Tas) tem uma posição de âncora do programa, que tem que tocar a bola, e ele faz isso muito bem, portanto eu não acho que o Marcelo Tas seja um ditador", opina João Vicente.

Marcelo Tas
Marcelo Tas - Divulgação/GNT
Marcelo Tas

Marcelo Tas

Divulgação/GNT

"Eu sou um ditador esclarecido", suaviza o clima o próprio Marcelo. Todos riem. "Eu acho que a gente está aqui para isso, para expor as nossas opiniões, e as discussões são boas, cada um tem a sua cabeça", continua Vicente. "Somos pagos para isso", arremata Sá.

Tas retoma o fator convivência. "É o que para mim está faltando. Tem gente que não quer simplesmente disputar, tem gente que quer matar o adversário. O que temos hoje é um discurso impositivo, o que gera um fanático. Realmente é importante você ouvir e discordar e conviver com quem você discorda", conclui Tas.

"O momento é muito perigoso", observa Xico Sá. "Para a gente se pegar sendo fanático é um segundo. Tem uma coisa boa que é a passionalidade —uma paixão por uma ideia e tal, mas eu acho que há um terreno perigoso. Acho lindíssima a manifestação democrática, sendo de que lado for, o direito de gritar contra qualquer coisa —mas acho perigosa a crença de que isso vai resolver todos os males da pátria", diz Xico.

Para alívio de Marcelo, chegou um tuíte redentor de uma outra telespectadora: "Não acho o Tas ditador. Achei esclarecedor e firme em suas convicções". "Eu agradeço agora. Foi o outro lado do açoite", comentou o apresentador.

É, não está fácil para ninguém, em relação a nada: trabalho, dinheiro, amor e até amizade. O fundo do poço a que chegamos era falso.

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem

Últimas Notícias