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Reprise de 'A Viagem' chega ao fim, e Christiane Torloni cita cena mais difícil

Antes da novela, atriz enfrentava luto pela morte do filho Guilherme

 Téo (Maurício Mattar), Diná (Christiane Torloni) e Alexandre (Guilherme Fontes)
Téo (Maurício Mattar), Diná (Christiane Torloni) e Alexandre (Guilherme Fontes) - Bazilio Calazans/Globo
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São Paulo

As atrizes Christiane Torloni, 64, e Lucinha Lins, 68, relembraram nesta sexta-feira (2) uma das cenas mais emocionantes e difíceis que gravaram em "A Viagem" (1994). É o momento em que o personagem de Guilherme Fontes, Alexandre, irmão delas na história, morre e acontece uma cerimônia de cremação.

Em live com Torloni para celebrar o último capítulo da reprise, que acontece nesta sexta no canal Viva, Lins disse que ligou para o diretor Wolf Maya para afirmar que a colega não poderia participar daquela gravação. Isso porque a intérprete de Diná ainda vivia o luto da perda do filho Guilherme, morto em 1991 em um acidente.

"Ele [Wof Maya] me disse: 'você não é a primeira que me diz não faça isso, mas falei com ela, e ela vai encarar.' Nós fizemos essa cena, todos nós [do elenco] estávamos extremamente preocupados porque aquilo poderia magoar você", disse Lucinha para Torloni.

A atriz relembrou que, durante as filmagens, uma borboleta amarela muito pequena pousou no caixão, bem em frente à Torloni. "Teve que parar a gravação. Essa borboleta voltou por duas ou três vezes voando, e ela vinha para você [Torloni]", comentou.

"Nós éramos muitos nos estúdios e emocionou a todos. [A borboleta] era uma gota de cristal e ela flutuava na sua frente, era uma proteção, era uma luz para você naquela cena. Jamais esquecerei", completou a atriz.

Torloni disse não se lembrar da borboleta, mas afirmou que aquela filmagem foi a mais difícil que fez ao longo de toda a novela. Antes de estrelar "A Viagem", ela disse que estava morando em Portugal, com o seu outro filho Leonardo, que era irmão gêmeo de Guilherme, e se recuperando da morte precoce do menino aos 12 anos.

Contou também uma curiosidade. Foi o cantor português Roberto Leal, morto em 2019, que a apresentou à doutrina espírita, tema da novela. "Ele acabou descobrindo onde eu estava morando, e a primeira vez que eu recebi um livro espírita foi dele, com uma dedicatória que eu guardo até hoje."

Ela relata que voltou ao Brasil pelo caminho do espiritismo e que a "A Viagem" fez parte desse retorno. Sobre a cena da cerimônia de cremação, Torloni disse lembrar que se sentiu abraçada pelos colegas de elenco.

"O artista é um sujeito que empresta tudo que ele tem para a arte. Nós vivemos em uma corda bomba, somos equilibristas da poesia, do amor e da arte. Se as pessoas pudessem imaginar como nós somos perigosamente desequilibrados", afirmou.

"A gente está nessa corda bamba, sem bastão na mão, e a arte nos equilibra. Mas ela pode nos desequilibrar também", acrescentou.

Lucinha Lins disse que a sua cena mais difícil é quando Estela, sua personagem, recebe a notícia da morte da irmã Diná. Ela afirmou que o momento foi gravado em um sábado, com direção de Mauricio Farias (responsável pela séries "Hebe", "A Grande Família", "Tapas e Beijos").

"Eu falei: não sei como vou fazer isso. E ele disse: eu também não sei", recordou. Lucinha contou que achava que tinha de cair no chão, porque era como se a Estela tivesse perdendo as forças. Farias concordou e disse que ela não precisava se preocupar com o texto nem com as marcações, porque ele deixaria todas as câmeras ligadas.

Assim foi feito, e a cena foi filmada de primeira, sem precisar repetir. Naquele dia, recordou a atriz, nada mais foi gravado. "[No retorno], eu tive que parar em algum lugar, e eu devo ter chorado uns 40 minutos, eu não tinha controle."

"E ali eu também percebi que era a reta final da novela. Nossa, meu Deus, que perda que estava acontecendo no meu coração, na minha alma e cabeça diante de um trabalho tão lindo, tão emocionante de fazer", concluiu.

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