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Internautas relembram campanha de Marcius Melhem contra assédio na Globo

Em 2014, diretor segurou cartaz com os dizeres 'Eu Não Mereço Ser Estuprada'

Marcius Melhem na campanha Eu Não Mereço Ser Estuprada, na Globo.
Marcius Melhem na campanha Eu Não Mereço Ser Estuprada, no Altas Horas (Globo). - Reprodução
Eduardo Ribeiro
São Paulo

Após uma série de novas denúncias de assédio sexual e moral, o ator e diretor Marcius Melhem, 48, revelou, em entrevista ao UOL, que demorou um ano para falar porque antes de tudo queria entender o que estava acontecendo. Ele disse que "depois de um ano, eu consigo entender que tudo que aconteceu e está acontecendo comigo, aconteceu a partir dos meus erros."

A entrevista vem repercutindo e levantando inúmeras discussões nas redes sociais. Na noite desta sexta-feira (4), um perfil no Twitter resgatou uma participação do humorista em um debate no Altas Horas, da Globo, cuja pauta era justamente a violência e assédio contra a mulher e em que Melhem posou com o cartaz da campanha Eu Não Mereço Ser Estuprada.

O programa foi ao ar em 5 de abril de 2014. Participaram da conversa Claudia Leitte, Juliana Paes e Marcelo Adnet, com mediação da escritora e jornalista Nana Queiroz.

Nana foi a criadora da campanha, como protesto a uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que divulgou que 65,1% dos brasileiros concordavam, total ou parcialmente, que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas".

"Enfim, a hipocrisia do Marcius Melhem", escreveu Sidney Andreato, autor do post que levantou reações. "Marcius Melhem já protestou pela causa feminista na Globo", apontou outra internauta. “Isso envelheceu muito bem”, ironizou um terceiro perfil.

A colunista Mônica Bergamo, da Folha, foi a primeira a expor a extensão das acusações contra o humorista, por meio de uma entrevista com a advogada Mayra Cotta, publicada em 24 de outubro. Nesta sexta (4), reportagem da revista piauí revelou detalhes sobre dois assédios sofridos por Dani Calabresa que causaram comoção de internautas e artistas. Na época dos fatos, Melhem atuava como diretor humorístico da emissora. Segundo testemunhas e colegas da atriz, as situações aconteceram em 2017.

Melhem afirmou que já entrou com uma ação da Justiça, na quinta passada (3), contra a advogada Mayra Cotta, que representa as mulheres e testemunhas que o acusam de assédio, para que ela prove as denúncias. "Uma advogada devia ser a primeira pessoa a acreditar na lei, e não buscar justiça pela imprensa. A justificativa que ela usa de que as vítimas teriam medo de se expor, as vítimas estão expostas, estão completamente expostas. Não tem ninguém mais exposto hoje que a Dani Calabresa."

Disse também que vai tomar medidas judiciais contra Dani Calabresa, pedindo que ela confirme ou desminta relatos de assédio que teria sofrido. "É uma pena eu ter que fazer isso, mas estou interpelando a Dani Calabresa para que ela confirme ou desminta o teor da matéria da piauí, porque eu e ela sabemos que aquilo não aconteceu."

Dani Calabresa, 38, se manifestou publicamente pela primeira vez sobre os novos detalhes que vieram à tona nesta sexta-feira (4) sobre as denúncias de assédio moral e sexual feitas contra Marcius Melhem. A humorista foi a primeira mulher a levar a situação à alta cúpula da Globo.

"Nunca quis ser vista como uma mulher assediada", afirmou Calabresa, em mensagem postada nas redes sociais. "Mas para recuperar a minha saúde, precisei me defender. Nunca procurei a imprensa. Tomei as medidas cabíveis para conseguir ajuda. Tudo é muito difícil, dá medo, vergonha, mas temos que lutar por respeito e justiça. Não passarão. Assédio é crime!"

O movimento Me Too Brasil divulgou uma nota de apoio à atriz. "Dani Calabresa sofreu calada durante anos. Foi assediada diversas vezes, viu seus sonhos serem despedaçados e ainda enfrentou desconfiança e inúmeras dificuldades para denunciar a série de abusos que sofreu de seu ex-chefe, Marcius Melhem. O Me Too Brasil apoia sua atitude de denunciar, sua força é o exemplo que precisamos para ajudar a diminuir os casos de assédio no Brasil e no mundo", diz o comunicado.

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