Televisão

Datena diz que não quer nunca mais entrevistar Bolsonaro após divulgação de vídeos

Apresentador falou que presidente precisa respeitar mais o cargo que ocupa

José Luiz Datena no Brasil Urgente (Band) - Reprodução
São Paulo

O apresentador José Luiz Datena, 63, afirmou durante o programa Brasil Urgente (Band) desta sexta-feira (22) que não gostaria de entrevistar nunca mais o presidente Jair Bolsonaro, após a divulgação de vídeos de uma reunião ministerial em que ele fala palavrões e faz ameaças.

“De preferência, eu não quero mais entrevistar o presidente da República depois de uma atitude dessa. Eu gostaria que ele desse entrevista pra quem ele quisesse, com todo respeito que tenho por ele, pelo cargo dele, eu me permito nunca mais fazer uma entrevista com ele”, afirmou Datena ao vivo.

A Band chega a ser mencionada na reunião mostrada nos vídeos, quando o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, diz que representantes da emissora lhe pediram dinheiro. Ele diz que passou "meia hora levando porrada" e critica que funcionários do canal estejam em home office durante a pandemia.

"Hoje de manhã, o pessoal da Band queria dinheiro. O ponto é o seguinte, vai ou não vai dar dinheiro pra Bandeirantes? Não vai dar dinheiro pra Bandeirantes? Passei meia hora levando porrada, mas repliquei. E falei: 'Olha, vocês estão em casa? Eu tenho 30 mil funcionários na rua. Não tem esse negócio, essa frescurada de home office'", afirma Guimarães.

Datena afirmou no programa desta sexta que havia pedido uma entrevista um dia antes e que Bolsonaro teria rejeitado justamente por “medo” da divulgação dos vídeos, liberados pelo ministro Celso de Mello, do STF. O apresentador ainda falou que respeitou “porque ele sempre me tratou com respeito, com carinho”.

“Mas depois de uma fala dessa, eu me permito deixar a Band escolher outros repórteres e apresentadores para entrevistá-lo. Que essa relação continue como apresentador de TV e presidente, cargo que eu respeito e ele deve respeitar mais. Respeitando esse cargo ele vai respeitar o povo brasileiro.”

Durante a reunião ministerial, Bolsonaro e ministros falam palavrões, fazem ameaças de prisão, morte e proferem xingamentos e ataques a governadores e integrantes do Supremo Tribunal Federal. Ações de combate ao coronavírus são tratadas de forma lateral no encontro.

O presidente chega a falar ainda no encontro sobre controlar órgãos de segurança para preservar sua família. “Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar!”, disse.

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