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Regina Casé diz que Lurdes, de 'Amor de Mãe', é uma vitória de mulheres, pobres e nordestinos

Atriz de 65 anos comemora retorno às novelas como protagonista

Lurdes (Regina Casé) em

Lurdes (Regina Casé) em "Amor de Mãe" João Cotta/TV Globo

São Paulo

Longe das novelas há 18 anos, Regina Casé, 65, tem encantado a crítica e o público como Lurdes, de “Amor de Mãe”, nova trama das 21h da Globo. O papel tem um quê de repeteco de atuações anteriores da atriz, acostumada a fazer mulheres forte, nordestinas e trabalhadoras, mas é comemorado por ela como uma “grade vitória”. 

“É muito difícil uma protagonista vir dessa classe social, ter essa idade, ser uma mulher do povo, nordestina e ainda assim encantar as pessoas. Ela tem a pretensão de que as pessoas fiquem apaixonadas por ela. Isso é uma vitória tão grande, porque era algo impensável antes”, afirma a atriz, citando uma porção de artistas nordestinos. 

Chico Anísio, Renato Aragão e Tom Cavalcante estão entre suas referências. Artistas que, segundo Regina, poderiam estar interpretando Shakespeare, mas que acabaram sendo “confinados no humor”, simplesmente por seus sotaques, gestos e jeito de ser. "Como se o fato de ser nordestino já empurrasse o artista para uma caricatura", diz. 

Regina afirma que ela mesma, apesar de carioca, sempre soube que não tinha o perfil de mocinha de novela. Desde o início da carreira, ainda no grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone, já se questionava qual papel interpretaria, até que percebeu que já sabia tudo de mulheres como Lurdes, em decorrência de suas andanças pelo país. 

“Eu conheço elas [essas mulheres] há muito tempo, tenho intimidade com o jeito delas de falar, de pegar o cabelo, da mexer as mãos. Se você reparar eu não sou nada desse jeito, nem tenho sotaque nordestino, por que eu sou carioca da gema. As pessoas as vezes acham que eu sou assim”, afirma Regina em meio a risos. 

E Lurdes de fato não tem nada de piada. É uma mãe determinada, que sai da cidade fictícia de Malaquitas, no Rio Grande do Norte, para procurar no Rio de Janeiro o filho Domênico, vendido pelo marido. Ao seu lado, estão seus quatro outros filhos: Magno (Juliano Cazarré), Ryan (Thiago Martins), Érica (Nanda Costa) e Camila (Jéssica Ellen). 

Apesar de ser uma novidade entre as “mocinhas” das novelas da Globo, Lurdes não é uma personagem nova na carreira de Regina. Não tem como vê-la sem recordar a Val, do filme “Que Horas Ela Volta?” (2015), ou Darlene, de “Eu, Tu, Eles” (2000). Regina afirma, inclusive, que pensou em como evitar essa semelhança. 

“Pensei em não botar sotaque, mas aí pensei que não, as pessoas têm que entender que todas do Nordeste têm esse sotaque e nem por isso são iguais. São pessoas completamente diferentes entre si. O sotaque da Lurdes é parecido com o da Val, com a dona Darlene, mas cada uma é um universo e uma pessoa completamente diferente.” 

A última novela que Regina havia participado foi “As Filhas da Mãe” (2001), com exceção de duas participações especiais em “Ciranda de Pedras” (2008) e “Cheia de Charmes” (2012). Mas isso não quer dizer que ela estava parada. Foram vários os filmes e programas, como Esquenta! e a minissérie “Som e Fúria”, ambos da Globo. 

Regina conta que recebia sim propostas para fazer novelas, mas sempre coincidia com projetos legais na periferia: “Eu botava na balança e pensava ‘se eu não for para periferia, viajar para Angola, Cidade do México, alguma outra atriz vai?’ Não. ‘Mas qualquer uma delas faria bem o papel na novela?’ Faria. Então eu vou pra lá.” 

E foram essas viagens que contribuíram para os principais personagens de Regina. “Eu fui guardando tudo em mim, no meu coração. Então é uma chance quando vem um filme, quando vem uma novela, onde eu posso trazer isso tudo que eu guardei, aí eu fico muito apaixonada, estou fazendo Lurdes com muita paixão”, afirma a atriz. 

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