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Nicolas Prattes diz que pediu para ser Alfredo em 'Éramos Seis', o 'anjo torto' da família Lemos

Ator estreia nesta segunda (4) na nova fase da trama

 O ator Nicolas Prattes
O ator Nicolas Prattes é Alfredo em "Éramos Seis" - Raquel Cunha/Globo
Karina Matias
São Paulo

Assim que foi chamado para fazer "Éramos Seis", Nicolas Prattes, 22, decidiu pesquisar tudo sobre a novela e ficou com vontade de interpretar Alfredo, o garoto problema da família Lemos. Mas, inicialmente, o diretor Carlos Araújo tinha outro plano para ele. A ideia era que o ator assumisse o papel do bom moço Carlos, o filho mais velho de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni).

Foi um longo tempo de preparação para dar vida ao primogênito. Até que cerca de dois meses antes da estreia da trama, em 30 de setembro, Prattes conta que recebeu a notícia de que seu desejo se realizaria. A direção da novela decidiu fazer uma mudança e o ator foi escalado para dar vida a Alfredo –o papel de Carlos ficou com Danilo Mesquita.  

"É o personagem que eu mais pedi para fazer. Carlos é aquele caxias, que segue o que tem ser feito, o bom filho. Mas eu tinha acabado de fazer o bom filho em outra novela [ele foi o bonzinho Samuca em ´O Tempo Não Para', novela das sete da Globo, que terminou em janeiro deste ano], e queria alguma coisa diferente", diz ele, lembrando que no cinema já exerceu o seu lado vilão no filme "O Segredo de Davi" (2018), em que interpreta um assassino.

Alfredo não chega a ser um vilão, mas como define Prattes, "é o anjo torto da família". "Ele é o alter ego de Júlio. Todas as contradições dele, os conflitos, o tipo de revolta que ele tem casam com as de Júlio. Esse é o maior motivo de todas as discussões, brigas e é a maior poesia de tudo, porque Alfredo é igual ao pai, mas ele não aceita o filho do jeito que ele é nem o contrário", diz. 

O ator entra na segunda fase da história, que começa a ser exibida a partir de segunda-feira (4). Na primeira etapa, o papel foi interpreta por Pedro Sol. Em seu primeiro mês de exibição, "Éramos Seis" teve média de 21 pontos de audiência na Grande São Paulo (cada ponto do Kantar Ibope equivale a 73.015 domicílios), e 24 no Rio (cada ponto equivale a 46.175 residências). Desde 2017, diz a Globo, uma novela das seis não registrava média superior. ​

Para se preparar, Prattes afirma que leu três vezes o livro que deu origem à novela, escrita por Maria José Dupré, e viu muitos vídeos das outras versões da trama, especialmente a de 1994, do SBT. Naquela adaptação, Alfredo foi interpretado por Tarcísio Filho. "Assisti [as outras versões] até para poder fazer diferente."

Para Prattes, é uma responsabilidade "muito grande" fazer parte de uma novela, que já é conhecida e querida de muitas pessoas, inclusive da sua avó materna, Maria Prattes, 67. "Ela ama [a trama]." 

Filho da atriz Giselle Prattes, a primeira aparição de Nicolas na TV foi aos três anos, quando fez Francesco, filho de Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda) em "Terra Nostra" (Globo, 1999). Era a avó que o acompanhava nas gravações. "Ela me chama até hoje de 'meu Francesquinho'. Muito antes que eu decidisse seguir na profissão, ela queria que eu fosse ator para fazer uma novela de época."

Por isso, para ele, estar na novela, a sua primeira de época, tem ainda um gosto mais especial: de poder homenagear a avó. "Quando eu coloquei o figurino pela primeira vez e mandei uma foto, ela ficou emocionada, e eu fiquei também", diz ele, que adotou um bigode para compor o personagem. 

POLÍTICA

Na segunda fase da trama, o momento conturbado do Brasil é praticamente um personagem. Alfredo estará envolvido em movimentos políticos e vai lutar contra os getulistas na Revolução de 1932. "Ele é acusado de ser comunista e vai contra toda aquela idealização de Getúlio [Vargas] e do governo provisório. A Revolução de 32 vai marcar bastante a história", diz. 

Questionado sobre a situação atual do país, Prattes diz que não vê sentido nas brigas entre quem se diz ser de "esquerda ou de direita". "Para mim todo mundo tem que se juntar e começar a fazer coisas que sejam passíveis de mudanças e que sejam agregadoras, e não cada vez mais se distanciarem", afirma.

Confira a seguir, entrevista em vídeo com o ator, em que ele fala mais sobre Alfredo.

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