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Walcyr Carrasco diz que críticas cobravam realismo de uma novela que nunca teve essa intenção

'O Outro Lado do Paraíso', assinada pelo autor, chega ao fim nesta sexta (11)

SWalcyr Carrasco na cerimônia de entrega do 59 Premio Jabuti, em novembro de 2017 - Mastrangelo Reino/Folhapress

Descrição de chapéu Agora
Fabiana Schiavon
São Paulo

Walcyr Carrasco, autor de "O Outro Lado do Paraíso", novela da Globo que termina nesta sexta (11), explica o sucesso da trama rebatendo as críticas que recebeu. "Além de um elenco maravilhoso e de uma direção fantástica, o que fez a novela ser sucesso foram justamente os pontos criticados por supostos especialistas em televisão. Eles sempre cobravam realismo de uma novela que nunca teve a intenção de ser realista. Ela foi concebida e estruturada como um melodrama à antiga", descreve o escritor.

As curas milagrosas de Mercedes (Fernanda Montenegro) e o reaparecimento de alguns personagens assassinados foram citados em discussões nas redes sociais. "Desde sempre declarei que a trama era inspirada em 'O Conde de Monte Cristo', de Alexandre Dumas, um livro escrito inicialmente em forma de folhetim e que se tornou um clássico", diz ele.

O autor afirma que jamais conta uma história sem se basear no que ele mesmo acredita. A lei do retorno, usada como mote da trama, veio da Ordem de Rosacruz, um grupo místico e filosófico. "Faço parte da Rosacruz há 30 anos e acredito na Lei de Amra, que é a lei do retorno. Meu sentimento estava presente ao longo de toda trama", diz o autor.

Ele explica outro tema que sofreu criticas. A personagem Adriana (Julia Dalavia) tratou o trauma de Laura (Bella Piero), vítima de pedofilia, apenas com base em sua formação de coach. "Sou coach e não exerço a profissão por falta de tempo. Foi justamente na minha formação que eu me defrontei com um número enorme de pessoas abusadas na infância e na adolescência", conta Carrasco.

"Não nego, que para casos tão profundos, um psicólogo tem mais ferramentas para trabalhar. Inclusive, há um movimento para que o coach seja um curso optativo para o psicólogo."

FINAL FELIZ PARA PATRICK

Nada como um casamento para finalizar a trama e reunir todos os personagens naquela sequência final de alegria. E em “O Outro Lado do Paraíso”, quem passará por isso será Clara (Bianca Bin) e Patrick (Thiago Fragoso), que devem mesmo terminar juntos.

A personagem começou a ficar em dúvida entre dois amores na reta final da novela. Vendo o seu ex-marido, Gael (Sergio Guizé), recuperar-se de seu jeito violento, ela quase desiste da paixão de Patrick, o homem que a ajudou a colocar em prática sua vingança contra todos os vilões da história.

O ator Thiago Fragoso já comemora a escolha da personagem. "Estou muito feliz com o final deles na novela", diz. "Acho que o Patrick fez por merecer a felicidade e poder finalmente ficar com a mulher que ama. Clara sofreu muito, também merece ser feliz. Eu sempre me emociono com finais felizes”, diz o ator.

Mesmo tendo entrado no meio da trama, Fragoso sentiu o desafio de manter a história interessante. "Novelas são um 'tour de force' [algo como um grande esforço], então, quando fazem esse sucesso que alcançamos é algo para ser celebrado. Foi um trabalho muito especial", comemora. Para Gael, um novo amor surgirá de última hora. Ele ainda deve provar que está totalmente curado.

CASAMENTO DE RAQUEL E BRUNO 

Uma das personagens que mais sofreram em "O Outro Lado do Paraíso" foi Raquel (Erika Januza). Após perder o amor de sua vida por causa do racismo da sogra, Nádia (Eliane Giardini), ela virou juíza e deu muitas lições na família de Bruno (Caio Paduan).

O casamento dos dois foi umas das cenas mais emocionantes para o público e para os atores. "Confesso que fiquei nervosa de verdade. Nem sei se o Caio percebeu. Assistia muitas de nossas cenas do início um dia antes. Foi uma linda história", revela Erika Januza.

O episódio serviu de redenção para a personagem Nádia. "Foi um casamento muito lindo e significativo. Foi incrível o discurso escrito pelo Walcyr Carrasco e dito pela Eliane. A cena ainda mostrou a representatividade entre os convidados."

Parte da igreja tinha todos os familiares e amigos quilombolas de Raquel. "Sou muito grata por esse trabalho. Fechamos essa história com aliança de ouro!”, brinca

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