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Avó de Chico Brown, Marieta Severo diz que preconceito racial é a coisa mais estúpida e cruel que existe

Na trama, a vilã Sophia pouco se importa com os filhos e é focada em ter mais poder

Sophia (Marieta Severo) em cena de "O Outro Lado do Paraíso" (Globo)
Sophia (Marieta Severo) em cena de "O Outro Lado do Paraíso" (Globo) - Divulgação

Cris Veronez
Rio de Janeiro

Desde quando a filha Helena, 49, engravidou de um homem negro, a atriz Marieta Severo, 71, passou a vivenciar diversas situações envolvendo preconceito contra sua família. Apelidada carinhosamente como Lelê, a primogênita de Severo foi casada com o cantor Carlinhos Brown, 55, até 2011. Eles são pais de Chico Brown, 21, Clara, 19, Cecília, 11 e Leila, 8. 

Segundo Marieta, parte da imprensa foi cruel quando soube da gravidez de Helena. “A nossa reação foi fazer o que fazemos agora, que é processar. Teve um jornalista de Goiás que foi enquadrado, até por não ser réu primário numa situação assim. O que podemos fazer é lutar contra isso. O preconceito racial é a coisa mais estúpida, absurda e cruel que existe.”

A atriz afirma ainda que já ouviu pessoas defendendo discursos preconceituosos, considerando-os uma forma de expressão. “Gente, como assim? Vamos meditar sobre isso?”, diz, indignada.

Vovó coruja assumida, Severo comenta o talento musical do neto, que trilha seu caminho na música. Ele, inclusive, chegou a ser considerado pelo avô, Chico Buarque, como o melhor músico da família, durante entrevista do cantor de 73 anos à Folha

“O Chiquinho é o mais velho dos meus sete netos e está demonstrando essa vocação para a música. Espero que cada um deles descubra a própria vocação. É o que salva a gente. É uma bênção quando a gente descobre na vida o que gosta, e consegue fazer”, afirma a atriz.

Esta Marieta Severo totalmente família destoa bastante da personagem que ela interpreta na atual novela das 21h da Globo, "O Outro Lado do Paraíso". Na trama, a vilã Sophia pouco se importa com os filhos, nutre um discurso recheado de preconceitos e uma vida focada em somar cada vez mais poder.

ARTISTAS CONTRA O PRECONCEITO

Recentemente, outros artistas também passaram por situações envolvendo preconceito racial. Durante uma transmissão ao vivo em seu Instagram neste Carnaval, o ator JP Rufino, 15, recebeu comentários agressivos de internautas (um deles chamando o adolescente de “macaco”) e fez questão de se defender. 

No final de 2017, autointitulada socialite Dayane Alcântara Couto de Andrade, mais conhecida como Day McCarthy, 28, publicou um vídeo no qual chama Titi, 4, filha dos atores Bruno Gagliasso, 35, e Giovanna Ewbank, 31, de "macaca com cabelo de bico de palha".

Essa não é a primeira vez que a filha do casal é vítima de racismo nas redes sociais. Essa mesma mulher também chamou a filha de Roberto Justus e Ticiane Pinheiro, Rafaella, de "brinquedo assassino", em referência ao filme homônimo que tinha como personagem principal o boneco Chucky.

Durante uma palestra proferida durante o TEDxSaoPaulo, em agosto passado, a atriz Taís Araujo, disse que a cor do seu filho faz com que as pessoas mudem de calçada. Em resposta ao comentário, o presidente da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Laerte Rimoli, replicou um post com a imagem de um homem em queda livre ao lado de um avião. Dizia o texto: "Passageiro pula de avião ao constatar que Taís Araújo estava a bordo". Após ser repudiado, ele acabou pedindo desculpas.

Outras celebridades brasileiras já foram vítimas de mensagens racistas pela internet no ano passado. Entre elas, as cantoras Ludmilla e Preta Gil, Adélia do ex-"BBB" e a jornalista Maju Coutinho, que denunciaram as agressões racistas que receberam.
 

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