Nerdices

Chineses e manifestantes de Hong Kong levaram conflito real para dentro do 'GTA V'

Jogadores criaram avatares no game para imitar o duelo que ocorre entre nações

Manifestantes durante ato contra o governo de Hong Kong em passarela no centro da cidade
Manifestantes durante ato contra o governo de Hong Kong em passarela no centro da cidade - Igor Gielow/Folhapress
São Paulo

A crise política de Hong Kong foi parar dentro do game "Grand Theft Auto V". O duelo virtual começou quando os jogadores de Hong Kong descobriram que seus avatares no game poderiam se vestir como os manifestantes da vida real: roupas pretas, máscaras de gás e capacetes de segurança amarelos.

Os jogadores compartilharam a descoberta em uma plataforma de mídia social popular em Hong Kong, e logo novos adeptos foram chegando ao jogo. Eles entraram tanto nesta ideia que há avatares que usam como tática de jogo arremessar bombas de gasolina na polícia de choque, que é controlada por jogadores do continente. Os rivais responderam com canhões de água e gás lacrimogêneo. 

Os chineses perceberam rápido o que estava acontecendo dentro do GTA V e passaram a se unir contra os gamers de Hong Kong, em uma guerra virtual. Um dos usuários chegou a publicar uma provocação: "Baratas expressaram seu desejo de matar o GTA e nos derrotar, a guerra neste jogo pode se tornar mais feroz. Você está pronto?" 

Os atos em Hong Kong começaram há mais de seis meses contra um projeto de lei agora retirado de pauta e que previa extradições de Hong Kong para a China controlada pelo Partido Comunista.

Desde então, as manifestações transformaram-se em um movimento pró-democracia, com críticas à intromissão de Pequim nas liberdades prometidas aos cidadãos desde que o território deixou o domínio britânico para ser parte da China, em 1997.

O governo chinês nega interferência e diz que está comprometido com o método “um país, dois sistemas” acordado na época.

O GTA V é um jogo de ação e aventura que dá recompensas aos jogadores que cometem crimes virtuais. Ele permite que dezenas de jogadores interajam simultaneamente em ambientes de "mundo aberto", com assaltos a bancos e roubos de carros.

Enquanto a maioria dos videogames mantém o jogador ocupado em um curso de ação predeterminado, os jogos em mundo aberto permitem maior liberdade para explorar caminhos diferentes. Por isso, não demorou muito para que os jogadores de Hong Kong começassem a imitar as ações da vida real dos manifestantes. 

Várias batalhas intensas aconteceram simultaneamente, de acordo com o jogador de Hong Kong Mickey Chang, que tem 20 anos e transmite as partidas ao vivo no canal do YouTube Minilife HK.

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem