Diversão

Comédia musical leva programa Silvio Santos para teatro de São Paulo

Peça, suspensa em 2020 devido à pandemia, já está em cartaz

Silvio Santos (Velson D'Souza) e elenco

Silvio Santos (Velson D'Souza) em cena da peça "Silvio Santos Vem Aí" Adriano Doria/Divulgação

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São Paulo

Quando o público entra no terraço do Teatro Santander para assistir à comédia musical "Silvio Santos Vem Aí", na Vila Olímpia (zona oeste de São Paulo), já se depara com símbolos dos programas do apresentador como Roletrando, Porta da Esperança, Foguete do Sim ou Não e Pião da Casa Própria.

Os espectadores entram para a peça pelo palco, que já tem uma câmera do grupo Silvio Santos a postos. Nas poltronas, há pompons disponíveis. "Mas não é brinde", alerta Roque (Roquildes Junior). A plateia lamenta. "Se formos fazer pompons em todas as sessões, o Silvio Santos fica pobre", rebate o fiel funcionário do Patrão.

Com placas nas mãos de "Aplausos", "Vaias" e "Delírios", Roque logo começa a orientar como deve ser a reação da audiência. O público mal percebe que o espetáculo já começou e que já está dentro de um auditório, participando animadamente como as "colegas de trabalho". Peça e plateia se misturam.

As pessoas balançam os pompons de um lado para o outro e logo a música que dá nome ao musical anuncia a entrada tão aguardada do anfitrião: Silvio Santos. "[O teatro] É um auditório com capacidade para 250 pessoas. Eu olho o público e vejo que as pessoas me olham como se eu fosse o Silvio. É surreal, muito emocionante. Imagina como o Silvio não se sente sendo ele mesmo", afirma o ator Velson D’Souza, intérprete do Patrão, em entrevista ao F5.

Silvio Santos logo apresenta os jurados: Pedro de Lara (Ivan Parente), Aracy de Almeida (Juliana Bógus), Sônia Lima (Giselle Lima) e Sérgio Mallandro (Vinícius Loyola). É aí que tem início uma viagem pelo legado e pela vida do maior comunicador do país, Senor Abravanel, popularmente conhecido como Silvio Santos.

Uma das personalidades mais imitadas do Brasil, o apresentador do SBT costuma ganhar homenagens caricatas, mas Velson evitou esse estereótipo. "Minha preocupação sempre foi fugir da caricatura. Todo mundo imita ele dessa forma. Num show de calouros isso foi um desafio", afirma.

"Eu fiz o Silvio apresentador, que comanda o auditório. Se fosse a caricatura, as pessoas não embarcariam no universo", afirma Velson, que trabalhou com o Patrão no SBT em 2010, no Jogo dos Pontinhos. "Tinha contato com ele umas três vezes por semana e sempre era uma sensação empolgante e única, porque ele é um mito, uma lenda", afirma o ator.

Velson conta ainda que das pessoas retratadas na peça, apenas Mara Maravilha foi assistir a peça. "A Sula Miranda, que é citada na história, também foi. O Serginho Mallandro deve ir em breve. A ideia é começar a fazer dessas participações especiais na peça, quem sabe", diz.

O ator conta, ainda, que a pessoa mais próxima da família de Silvio Santos que ele teve contato nos últimos anos foi Tiago Abravanel, neto do Homem do Baú. "Somos amigos, e fui à casa dele uma vez e falamos de como é difícil fazer um personagem tão vivo e presente na memória da população. Pedi umas dicas do avô dele [risos]. Tiago também fez um musical importante, onde interpretou Tim Maia, então ele entende a responsabilidade", afirma Velson.

FIGURAS POPULARES

O espetáculo passa pela infância de Silvio, mostrando depois como ele deixou de ser camelô para trabalhar em rádios até, finalmente, se tornar apresentador e ter seu próprio canal de televisão. Tudo a partir de um sonho do Homem do Baú, quando ele é anestesiado e submetido a uma cirurgia na garganta.

A peça não esquece de outras figuras populares que passaram pela vida do apresentador —como Hebe Camargo (Daniela Cury), Manuel de Nóbrega (Léo Rommano), de A Praça da Alegria, assim como uma das personagens mais famosas desse programa, a Velha Surda (Adriano Tunes)—, ou que foram alçados a uma fama ainda maior pelo Patrão —como Gretchen (Hellen de Castro), Elke Maravilha (Paula Flaibann), Mara Maravilha (Gigi Debei) e o palhaço Bozo (Lucas Colombo).

Na peça, Daniela Cury dá vida à "gracinha" Hebe de forma humorada e carismática. "Personificar esse ícone da televisão brasileira é, acima de tudo, uma grande honra pra mim. Estou vivendo uma felicidade singular em interpretar a Hebe", afirma.

A atriz conta que não esperava uma recepção tão entusiasmada do público. "Estou muito emocionada. A minha construção foi espontânea, quase intuitiva e acho que é por isso que as pessoas me acham tão parecida com ela, meu coração está ali", afirma Daniela.

Pedro de Lara, ou melhor, Ivan Parente, conta que seu personagem mal-humorado foi um presente. "É um misto de realização e responsabilidade. A personalidade forte e explosiva do Pedro de Lara tem uma empatia imediata com o público. Todo mundo espera que ele exploda de raiva e, quando isso acontece, a plateia se deleita. E eu também", afirma o ator.

Mas um dos momentos mais emocionantes da peça é quando um "personagem do futuro" interrompe a cronologia para se apresentar. É o caso de Gugu Liberato (Vinícius Loyola), que visita o amigo e patrão quando esse nem sabia ainda, na peça, que ele existia.

Gugu mostra sua alegria com músicas como "Pintinho Amarelinho", se apresenta a Silvio e diz que eles vão se ver em breve. Os dois se abraçam e Gugu vai embora. O momento é clara homenagem ao apresentador que morreu em novembro de 2019.

"A história do Gugu com o Silvio é de proximidade. Gugu foi office-boy, alcançou a fama e teve uma morte trágica. Toda vez que abraço o Vinny, que é meu grande amigo há 17 anos e interpreta o Gugu, é como a partida de um amigo. É uma homenagem, sim, ao Gugu, e muito comovente", afirma Velson de D’Souza.

Outro momento trágico da vida de Silvio apresentado no espetáculo é quando sua primeira mulher, Cidinha (Thalita Pereira), é diagnosticada com câncer aos 39 anos. "São as cenas que me emocionam em todas as sessões, do Gugu e da Cidinha", afirma Velson.

A peça, claro, conta ainda do relacionamento do apresentador com Íris Abravanel (Bianca Rinaldi), sua mulher até hoje, sem esquecer as filhas, da número um à número seis.

PANDEMIA

A comédia musical "Silvio Santos Vem Aí" chegou a estrear em 13 de março do ano passado, mas não completou o fim de semana de apresentações por causa da pandemia de Covid-19. Velson D´Souza explica que houve a sessão de sexta-feira e as duas do sábado.

"No intervalo da última, fiz a besteira de olhar o Instagram e vi na página do teatro que a peça seria cancelada. Foi um choque, desanimador. Nem fizemos a apresentação de domingo. Esperamos um ano e sete meses para finalmente voltar aos palcos."

Mas o ator destaca a alegria de estar de volta. "Eu sempre acreditei nesse espetáculo. Foi difícil esperar, mas valeu muito a pena. É uma emoção enorme", diz Velson.

Ivan Parente reforça o sentimento. "Parece que faltava um pedaço de mim. Com o passar do tempo eu nem percebi o que era. E era o palco. Estar nele contando histórias e dividindo ele com meus melhores amigos é uma compensação depois de tantos meses parados", afirma o intérprete de Pedro de Lara.

Parente fala, ainda, dos primeiros dias de ensaio este mês, após tantos meses afastados. "Meu coração ficou acelerado e creio que todos estavam muito excitados também. Depois que fizemos os testes de Covid, o sorriso se espalhou por tudo e foi lindo demais. Esse reencontro com o palco alimentou a minha alma que estava faminta."

Daniela Cury também se anima ao falar do retorno aos palcos. "É uma alegria indescritível! Depois de tanto tempo, reestrear o 'Silvio Santos', que construímos com tanto carinho. E rever os amigos, estar em cena com eles. Estou em cena com meus 'irmãos de alma', Velson e Ivan. E todo esse elenco cheio de grandes amigos... sem falar na equipe criativa. Muita emoção!", afirma a atriz que interpreta Hebe e Rebeca Abravanel.

Ela ressalta, ainda, que a classe artística foi "certamente" uma das mais prejudicadas durante esses meses todos. "Pandemia e desinformação afetaram cruelmente nossa classe. Espero que as pessoas não esqueçam do que as mantiveram minimamente 'bem' durante os duros meses da pandemia: filmes, séries, livros, música, dança, teatro online, poesia... enfim, arte. A arte é fundamental além de ser a identidade de um povo. Que as pessoas voltem ao teatro e que nosso país possa valorizar a enormidade de sua cultura", finaliza Daniela.

Parente lembra, ainda, que a pandemia ajudou a ressaltar a importância em se apoiar que cada vez mais histórias brasileiras sejam contadas nos palcos. "É importante lembrar das histórias essencialmente brasileiras que precisam ser contadas cada vez mais. Montar e captar para espetáculos nacionais deveria ser a preocupação daqui para frente", afirma.

E Parente conclui. "O 'Silvio Santos Vem Aí' é um musical totalmente brasileiro com uma das equipes mais amorosas com quem trabalhei e eu sinto que esse tipo de ambiente é a coisa mais importante que existe. Um respeito pelos seus funcionários. Eu amo estar com essa equipe."

"Silvio Santos Vem Aí"

  • Quando Sextas, às 20h30; sábados, às 15h30 e às 20h30; e domingos, às 15h e às 20h - Até 21/11
  • Onde 033 Rooftop, na cobertura do Teatro Santander (av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041, Vila Olímpia)
  • Preço R$ 75 (setor 2) e R$ 180 (plateia central)
  • Classificação Livre
  • Autor Marília Toledo e Emílio Boechat
  • Elenco Velson D’Souza, Bianca Rinaldi, Ivan Parente, Daniela Cury, Roquildes Junior, Adriano Tunes, Vinícius Loyola e Gustavo Daneluz, entre outros
  • Direção Fernanda Chamma e Marília Toledo
  • Direção musical Marco França
  • Vendas www.sympla.com.br
  • Obrigatório Apresentação do passaporte de vacina contra Covid-19
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