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Tony Goes

Eduardo Costa deveria mudar o nome para Eduardo Safadão

Depois de criticar a Lei Rouanet, sertanejo agora quer usar a Lei Rouanet

O cantor Eduardo Costa - @eduardocosta no Instagram
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"Esses artistas, atores, bando de jornalista safado, essa gente safada, que fica querendo mamar nas tetas do governo, acabou a mamata, a safadeza", disse Eduardo Costa em 2022, durante a fracassada campanha para reeleger Jair Bolsonaro.

Nada como um dia depois do outro. Agora o próprio Eduardo Costa pode se inserir na lista de artistas safados, pois a produtora da qual é sócio, a Churrasco, Cerveja e Viola - C.C.V. Eventos, recebeu autorização para captar R$ 996,5 mil até o final de dezembro, via Lei Rouanet. Talvez, em nome da transparência, ele devesse até mudar seu nome artístico para Eduardo Safadão.

O projeto que Eduardo Costa pretende realizar é interessante: um DVD para homenagear a música sertaneja de Minas Gerais. Não tenho absolutamente nada contra o fato de o cantor pretender captar dinheiro através da Rouanet para viabilizar esta gravação.

O que me incomoda é a hipocrisia escancarada. Eduardo Costa se tornou um dos mais vocais apoiadores de Bolsonaro. Antes mesmo da eleição do ex-presidente, em 2018, ele foi às redes sociais para xingar Fernanda Lima de "imbecil", porque o programa que ela então comandava, Amor & Sexo (Globo), defendia os direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+. Este ano, o sertanejo foi condenado a pagar R$ 70 mil à apresentadora por danos morais, mais as custas do processo.

Como sói acontecer entre os ardentes defensores da "família tradicional", Costa tem várias polêmicas no currículo. Já foi acusado de estelionato e de vazar nudes da ex-namorada Victoria Villarim. Sua atual mulher, Mariana Polastreli, ainda era casada com outro quando começou o relacionamento com ele.

Além do mais, Eduardo Costa é mais um que aderiu à narrativa mentirosa criada pela extrema direita, de que todos os mecanismos governamentais de incentivo à cultura não passam de roubalheira.

Em 2022, Sérgio Reis disse que artistas contratados pelas prefeituras para se apresentar em cidades do interior eram pagos com "dinheiro para o público, não dinheiro público", como se houvesse diferença.

Zé Neto, que faz dupla com Cristiano, se gabou durante um show de não depender das leis de incentivo, esquecendo do pequeno detalhe de que ele e outros artistas recebem cachês milionários das prefeituras. O escândalo foi tão grande que gerou a chamada "CPI do Sertanejo".

"Quem quiser ganhar dinheiro agora, vai caçar um serviço. Vai capinar um lote, vai bater uma laje, vai caçar o que fazer. Acabou a mamata, a safadeza. Dinheiro de Lei Rouanet, nunca mais", vociferou Eduardo Costa no ano passado.

Pelo jeito, a mamata continua. Ou então Costa se deu conta de que a Lei Rouanet é um mecanismo lícito, fundamental para a manutenção de museus, orquestras e diversas atividades culturais por todo o Brasil.

Seria lindo se ele viesse a público explicar por que resolveu agora se valer da Rouanet, e esclarecer que ela não é um esquema para surrupiar os cofres públicos. Ajudaria muito a mudar a percepção de uma parte do público, que mal sabe que quase todas as áreas da economia brasileira recebem algum tipo de subsídio governamental, e não só a cultura.

Ou então, que Eduardo Costa assumisse de vez o pseudônimo de Safadão.

Tony Goes

Tony Goes (1960-2024) nasceu no Rio de Janeiro, mas viveu em São Paulo desde pequeno. Escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. Ele também atualizava diariamente o blog que levava seu nome: tonygoes.com.br.

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