Tony Goes

Steven Soderbergh promete uma cerimônia do Oscar mais cinema e menos TV

Diretor de 'Contágio' é um dos produtores da premiação, que acontece em meio à pandemia

O diretor Steven Soderbergh - AFP
São Paulo

Dez anos atrás, Steven Soderbergh, 58, estava dirigindo “Contágio”, sobre um vírus que se espalhava da China para o mundo, provocando uma pandemia. Mas não foi este trabalho que o credenciou para produzir a 93ª cerimônia de entrega do Oscar, enquanto o coronavírus ainda faz milhares de vítimas todos os dias. Foi, segundo ele mesmo, seu amor pelo storytelling – o infinito poder das narrativas.

Ao lado de Stacey Sher e Jesse Collins, seus companheiros nesta empreitada, Soderbergh adiantou alguns detalhes da festa durante uma entrevista coletiva realizada por videoconferência neste sábado (17).

“Não vai haver um único assento ruim na plateia”, garantiu o diretor, ele mesmo vencedor de um prêmio da Academia por “Traffic” (2000). “Ninguém vai querer ir embora”.

A cerimônia de 2021 vem sendo trombeteada como uma experiência única, diferente das anteriores. Soderbergh diz que quer deixá-la mais com cara de filme do que de programa de TV, usando câmeras e enquadramentos típicos do cinema.

Quinze atores famosos, como Brad Pitt e Joaquin Phoenix, já foram anunciados como parte do “elenco” deste filme. Alguns outros nomes serão divulgados na próxima semana.

“Queremos que as pessoas contem suas próprias histórias. Algo mais intimista, menos institucional”, prosseguiu Soderbergh.

Mas como lograr intimidade em tempos de distanciamento social? O Oscar deste ano não vai respeitar os protocolos de higiene?

“Não existe um universo onde eu vá colocar alguém em risco. Já estou rodando meu segundo longa durante a pandemia, e aprendi como trabalhar com segurança. Além disso, foi ótimo a cerimônia ter sido adiada. Dois meses atrás, não teríamos tanta gente vacinada como agora. Mas posso assegurar que as máscaras terão um papel importante na história que será contada naquela noite”.

Perguntada como será o tapete vermelho, Stacey Sher respondeu: “Não será do modo tradicional. Na verdade, o tapete vai ser bem pequenininho... Mas o programa que antecede a cerimônia será muito mais do que isto. Ele é uma parte importante da experiência, e queremos trazer o espectador para dento de Hollywood”.

Os produtores confirmaram que as cinco canções indicadas ao Oscar serão executadas na íntegra durante este “pré-show”. “Dessa vez, nenhuma delas será cortada, nem enfiada num pot-pourri com as demais concorrentes. Os músicos adoraram a ideia”, afirmou Sher. “Mas a vencedora só será anunciada durante a cerimônia propriamente dita”.

A premiação terá várias locações simultâneas. As duas mais importantes estão em Los Angeles: o gigantesco Dolby Theatre, palco tradicional do Oscar, e a Union Station, uma estação ferroviária construída em 1939 que hoje também é um monumento histórico. Além disso, haverá conexões com Nova York, Londres e Paris. Nenhum premiado poderá agradecer por vídeochamada: só quem comparecer pessoalmente.

Pandemia à parte, talvez o maior desafio dos produtores seja mesmo levantar a audiência. As cerimônias de premiação, que já vêm atraindo menos espectadores a cada ano que passa, despencaram ainda mais em 2021. Culpa dos cinemas fechados e dos eventos virtuais, que não têm a vibração de uma plateia lotada.

A 93ª entrega do Oscar está marcada para domingo, 25 de abril. O canal pago TNT, o YouTube da TNT e as plataformas TNT GO e Globoplay transmitem a cerimônia na íntegra, a partir das 21 horas. Na Globo, a exibição começa logo após o BBB 21.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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