Tony Goes

Sem concorrentes polêmicos, BBB 20 corre o risco de cair no marasmo

Programa pode ficar chato justo no momento em que temos poucas opções na TV aberta

Noite de formação do nono Paredão - Globo

Estamos vivendo uma situação inédita no país. Pela primeira vez na história da nossa TV, todas as novelas inéditas e programas de variedades estão saindo do ar. A pandemia provocada pelo novo coronavírus forçou a interrupção das gravações em todos os canais abertos. Só os noticiários continuam a todo vapor.

No mundo do entretenimento, uma única atração ainda resiste, feito a irredutível aldeia do Asterix: o BBB 20. A Globo considerou que deveria levar o reality até o final, apesar das preocupações com a saúde de seus funcionários. Não quis abortar uma edição que reavivou o interesse do público, tanto na audiência como nas redes sociais, nem desonrar o compromisso com os patrocinadores.

No entanto, eis que surge uma nova ameaça ao Big Brother Brasil: o vírus da monotonia. Depois de dois meses agitados, quase todos os personagens polêmicos já saíram da competição. Neste momento, restam nove mulheres e apenas dois homens dentro da casa.

Essa tendência ao matriarcado já vinha sendo observada nos últimos anos. O público do BBB é majoritariamente feminino e, depois de ter dado a vitórias a homens em quase todas as primeiras edições do programa, mudou de preferência mais recentemente. As mulheres votam e as mulheres ganham.

Nada contra. O problema é que, na sanha de punir quem identificam como vilão, os internautas acabam tirando do jogo justamente os jogadores mais interessantes.



Quem ainda pode causar dentro do BBB 20, depois da saída de Daniel na noite desta terça (24)? Eu identifico apenas três possíveis vetores da discórdia. O maior de todos é Prior, que não só conseguiu ser o único machão a sobreviver até agora, como já desponta como favorito. Aos trancos e barrancos, o rapaz construiu uma narrativa de redenção pessoal: o chauvinista empedernido que as fadas sensatas conseguiram educar.

Na sua cola vem Babu. O ator conta com a torcida explícita de boa parte da classe artística, e suas mazelas financeiras, fartamente exploradas pela mídia, lhe ajudam a angariar simpatia. Babu também tem sido vítima de diversos episódios de racismo implícito por parte dos demais integrantes. É curioso como o chamado grupo hegemônico o vê como um ogro a ser eliminado, mal desconfiando de sua popularidade aqui fora.

Por fim, há Thelma. A médica vem arrancando elogios na internet por sua sensatez e seu equilíbrio emocional. Mesmo quando perde um pouco as estribeiras, como no recente embate com Flayslane, não perde a categoria. Essa firmeza de caráter tem o potencial de criar conflitos com suas instáveis companheiras, e isto é bom para o programa.

Se esses três saírem nas próximas semanas, o BBB 20 acabará antes da hora. Vai sobrar dentro da casa um bando de meninas sensíveis, com baixa capacidade de nos entreter. Melhor procurar logo alguma coisa no streaming.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem