Tony Goes

Victor Hugo era um corpo estranho no BBB 20, em todos os sentidos

Maranhense tinha muitas desvantagens que o público não perdoou

BBB 20 - Victor Hugo - Victor Pollak/Globo
São Paulo

Foi a eliminação menos emocionante desta temporada. Desde que os três emparedados foram definidos na noite de domingo (8), o Brasil inteiro já sabia que Victor Hugo sairia do Big Brother Brasil nesta terça (10). A única surpresa –e, ainda assim, pequena– foi o tamanho de sua rejeição: o maranhense recebeu 85,22% dos votos, mais do que apontavam as enquetes.

Victor Hugo cumpriu o papel de corpo estranho nesta vigésima edição do reality. É uma função que, até hoje, gerou um único campeão: Jean Wyllys, do BBB 5. Na época um total desconhecido, o jovem baiano caiu nas graças do público e escapou de sucessivos paredões, até faturar o prêmio final.

Os tempos eram outros. A narrativa que levou Jean à vitória –pobre, feinho, íntegro, boa gente– não cola mais no Brasil de 2020. O próprio Jean, depois de se eleger deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, viu as baterias do reacionarismo se voltarem contra ele, a ponto de ter que deixar o país no começo do ano passado.

A narrativa de Victor Hugo era diferente. Com um corpo totalmente fora dos padrões que costumamos associar aos brothers, o rapaz ainda trazia uma novidade para a atração: seria o primeiro jogador assumidamente assexual.

A assexualidade existe desde sempre, mas o termo em si entrou na mídia há pouco tempo. É um fenômeno complexo e multifacetado, o que dificulta sua compreensão. De resto, a assexualidade de Victor Hugo não sobreviveu muito tempo, uma vez dentro da casa. O crush do psicólogo pelo bonitão Guilherme mostrou que ele não é tão desinteressado por sexo quanto achava ser.

Mas, além do físico fora de forma e da sexualidade esquisita, Victor Hugo tinha outra enorme desvantagem: a imaturidade emocional. Ele parece ter entrado na adolescência em frente às câmeras, tamanha sua ingenuidade. Isto foi lido por parte da audiência como uma personalidade desagradável. Em resumo: um chato de galochas.

Sua saída também quebra a sequência de machistas eliminados do programa (ou aliados dos machistas, como Bianca aparentava ser). Daquele grupo original de machos-alfa, só sobrou um representante: Prior, que agora desponta como um possível campeão.

Daqui em diante, as coisas ficam mais indefinidas, o que é bom. Na semana que vem, aposto que sairá uma das meninas do chamado “grupo hegemônico”, que vem ditando o ritmo do jogo até o momento. Ou o pobre Daniel, que não deve sobreviver mais muito tempo lá dentro. A não ser, é claro, que ele altere o curso de sua própria narrativa, como o Prior já conseguiu.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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