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De faixa a coroa
Descrição de chapéu Miss Universo

Miss Universo: Festa da 70ª edição decepciona, assim como exibição no Brasil

Cearense Teresa Santos não teve bom desempenho; indiana foi campeã

Indiana Harnaaz Sandhu, eleita Miss Universo 2021 - Menahem Kahana/ AFP
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São Paulo

Apesar de não trazer nada de novo, a final do Miss Universo 2021, que aconteceu neste domingo (12), foi melhor que a da última edição. O palco grandioso e bem iluminado encheu tanto os olhos da plateia presencial, quanto de quem acompanhou de casa. Posicionamentos de câmeras, vídeos de intervalos e até as músicas superaram o cansativo tema latino do evento anterior, realizado em maio na Flórida (EUA).

Mas antes dos detalhes técnicos, precisamos falar sobre a hipocrisia com que o Brasil trata os concursos de beleza. Nós somos uma nação culturalmente sensual, o mundo todo sabe disso. Adoramos embarcar na onda do culto ao corpo e à aparência, sem falar no ode aos artistas e aos influenciadores. Mas então, por que os concursos de miss não têm exibição na TV por aqui? Por que a final do Miss Universo 2021 não foi transmitida nem na TV aberta nem na paga?

Nem o canal TNT, que tradicionalmente exibe o evento, o fez. Para assistir ao show, os fãs tiveram que ou acompanhar imagens vazadas no Youtube, de péssima qualidade, na maioria retransmissões ou lives da plateia presencial. Ou pior, foram forçados a assinar gratuitamente por sete dias o serviço pago DirecTV GO. O serviço, aliás, fez uma divulgação fraquíssima da janela. Nota zero.

Voltando para o evento em si, desta vez o concurso teve a cidade de Eilat, em Israel, como sede. Com objetivo de promoção de destino turístico, esta é a primeira vez que o país do Oriente Médio recebe o show. As 80 postulantes aterrissaram por lá em meio às expectativas do avanço da variante ômicron. Apesar das restrições para a entrada de estrangeiros no país, as misses receberam isenções diplomáticas.

A crise sanitária também atrapalhou um pouco a visibilidade da competição, que foi meio apagada desde o início do confinamento. Poucas fotos, vídeos, eventos e atividades marcaram (ou deixaram de marcar) a agenda das candidatas. A força do concurso só mostrou sua cara mesmo nos três últimos dias, com os desfiles preliminares classificatórios e a final em si.

É decepcionante, tratando-se do concurso comemorativo de 70 edições do Miss Universo. Fora que há muito que poderia ter sido explorado sobre isso, e não foi. A mudança do formato da competição ao longo das décadas, ou até mesmo do perfil das misses e do padrão de beleza feminina deveriam estar ali com exaltação.

Era o momento de celebrar a relevância histórica do Miss Universo, que testemunhou sete décadas e gerações de mulheres do mundo todo reunidas uma vez ao ano, no mesmo canto do planeta. Porém, a festa foi morna, parecia um "reclame" ao final ou início de cada bloco, com vídeos de misses antigas. É como um aniversário que não foi comemorado como se deve.

Um dos pontos altos, é preciso dizer, foi o retorno do humorista americano Steve Harvey, 64, na apresentação —sim, aquele que errou o nome da vencedora em 2015. Harvey não é lá muito engraçado, principalmente por ter um padrão de humor um pouco questionável, mas sua presença deixa o show mais leve. Por ser grupo de risco da Covid-19, ele não pilotou o programa em 2020, e foi substituído por uma dupla que deixou muito a desejar: a modelo americana Olivia Culpo (Miss Universo 2012) e o apresentador Mario Lopez. Sua ausência foi muito sentida. Que bom que voltou!

Vale o registro da dupla enfadonha de comentaristas dos intervalos, a cargo de Cheslie Kryst (Miss EUA 2019) e o ator Carson Kressley. Muito chatos, parecia que não tinham o que falar e ficaram inventando assunto.

A exaltação das três finalistas no palco, extraída do famoso Top 5, rendeu pontos positivos ao show. O recorte permite que as três melhores possam falar e desfilar mais, e assim confirmar as razões de estarem ali. Como insumos adicionais para votar, também fica mais justa a decisão do júri artístico aos olhos dos espectadores. Esse formato classificatório retorna depois de pouquíssimo tempo, e ainda estende mais a duração do show, para a alegria dos fãs —o espetáculo teve três horas.

A apoteose, sem dúvida, foi a coroação da indiana Harnaaz Sandhu, 21, que era favorita de todos os especialistas do setor desde seu nacional. Tranquila e divertida, a miss chegou a imitar um gato quando chamada ao palco por Harvey no primeiro corte, de 16 semifinalistas. Ela tem uma beleza considerada clássica, e seu vestido da final, maquiagem e cabelo estavam adequados para a ocasião.

Muito relevante frisar que Harnaaaz Sandhu optou por um maiô, ao invés de biquíni, no desfile de traje de banho. Uma inovação interessante, quando se tem na mesa a sensualidade costumeira do Miss Universo.

A cearense Teresa Santos, 23, representante do Brasil, também foi um dos destaques por não ter entrado no Top 16, e ter sido eliminada logo no início. A surpresa foi pois a loira constava na lista dos missólogos no mundo todo como uma das favoritas da competição. Entre os pontos analisados, estava sua plástica agradável, além do desempenho empolgante no concurso nacional.

Esta é a primeira vez em uma década que a representante brasileira fica de fora do primeiro corte. A última vez que o Brasil tinha ficado de fora logo de cara foi em 2010, com a mineira Débora Lyra. Vale lembrar que a gaúcha Julia Gama, 28, ficou em segundo lugar e tornou-se vice Miss Universo na última coroação. As únicas brasileiras a vencer o concurso foram a baiana Martha Vasconcellos, em 1968, e antes dela a também gaúcha Ieda Maria Vargas, em 1963.

O Miss Universo é considerado uma das mais importantes competições de beleza do planeta ao lado do Miss Mundo. Assim como nas últimas edições, o formato segue desgastado e démodé, mas ainda assim atrai uma legião de telespectadores. Fazem ainda parte dos principais certames femininos do planeta o Miss International, Miss Supranational, Miss Grand International e Miss Terra.

E que venha a final do Miss Mundo nesta quinta-feira (16)! Acompanhe a cobertura conosco.

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil, Miss Universo, Miss Mundo e Mister Brasil. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias e comunicação corporativa.
Contato ou sugestões, acesse instagram.com/defaixaacoroa e facebook.com/defaixaacoroa

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