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Zapping - Cristina Padiglione
Descrição de chapéu Três Perguntas Para...

Karina Dohme diz que conheceu par romântico já na cena de beijo

Atriz fala sobre vilã de 'Quanto Mais Vida, Melhor', gravada durante a pandemia

Karina Dohme - Aline Ferreira/Divulgação
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Campinas

Aos 36 anos, Karina Dohme, ainda é reconhecida por seu papel como Beth na série "Sandy & Junior", exibida no fim dos anos 1990 na Globo. Agora, ela dá vida a Teca, vilã engraçada da novela das sete, "Quanto Mais Vida, Melhor". Depois de uma pausa na carreira para abrir sua empresa de produtos naturais no interior de São Paulo, em 2016, a atriz voltou à emissora em 2020, ao ser chamada para um teste.

Atualmente morando em Campinas (SP), Karina mudou-se para o Rio de Janeiro sozinha durante a pandemia, entrando em total isolamento para as gravações da trama. A novela foi gravada de outubro de 2020 a novembro de 2021, mas a atriz chegou à cidade maravilhosa em janeiro do ano passado, já que sua personagem entrava em cena um pouco depois.

Antes disso, seu último trabalho foi uma participação em "Totalmente Demais", onde interpretou a falsa babá de Arthur (Fábio Assunção), Helga. Ela fez parte do elenco fixo do humorístico Zorra Total até o fim de 2015, quando o programa foi reformulado como Zorra.

A atriz é entrevistava na seção "Três Perguntas Para...", por onde já passaram nomes como Malu Galli, Yuri Marçal, Paulo Gorgulho e Larissa Nunes. Confira:

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Sua carreira na televisão é marcada por personagens relacionados ao humor, como no caso do Zorra Total. Em "Quanto Mais Vida, Melhor", o papel mistura a graça e a vilania. Como você observa isso?

O humor é um lugar que eu gosto, que faz sentido para mim —me sinto confortável. E agora, com a Teca, eu vim com essa possibilidade de fazer não só o humor, mas também a parte da vilania, algo que vivi pouco na minha carreira. A Teca tem uma densidade diferente, porque ela é um personagem complexo, que faz coisas que atrapalham a carreira do Neném [Vladmir Brichta] só uma grande vilã faria.​

Eu fui tentando encontrar, nesse caminho, por que essa mulher faz isso, quais camadas ela tem que causam esse ódio por esse homem. Esse é um momento da minha carreira muito especial porque ela me permitiu fazer uma coisa que todo ator quer fazer, que é um vilão.

E são cenas muito legais, porque ao mesmo tempo que ela é vilã, ela também é vítima. É um personagem muito gostoso, porque dá para mostrar várias facetas de uma pessoa, o que ajuda a deixar mais crível

Você já se impressionou com alguma coisa que a Teca faria? Ficou consternada com ela em alguma situação?

Tiveram algumas. Tem uma cena muito emblemática, que é quando ela acusa o Neném de assédio —ela fala que ele tentou agarrá-la, mas é mentira. Essa cena me pegou em um lugar muito específico, porque eu sou mulher e sei exatamente como é passar por situações de assédio e de constrangimento.

E aí, ler uma cena em que uma mulher está usando disso, que é uma causa tão grande para nós, que a gente tem lutado tanto, e mentindo sobre isso, usando esse artifício para tentar levar vantagem, foi uma coisa que me pegou.

É uma atitude indignante. Estamos em 2022 lutando pelos nossos direitos, pelo nosso espaço, e uma mulher usar uma causa tão nobre para tentar obter vantagem é realmente muito difícil. E a gente sabe que infelizmente pode existir, porque não só homens como mulheres têm desvios de caráter e de conduta. Essa foi uma fase da Teca que me impressionou.

Ela dopou o Neném. Foi difícil fazer porque eu sou uma pessoa muito certinha, medrosa com tudo, e tive que fazer isso do jeitão que ela faz, na imponência, tipo 'tô dominando a situação'...

Mas existe. Tem gente que faz o mal, que quer ferrar a outra, que tem inveja, que tem questões. Então também para mim, como pessoa, lidar com essa camada mais densa e pensar que isso é a realidade foi desafiador, e muito gostoso também.

Você gravou a novela durante a pandemia. Como foi esse processo individual, de lidar com o isolamento social e ao mesmo tempo fazer a novela?

Foi muito esquisito, inicialmente. Porque como eu trabalhei na Globo muitos anos e eu estava há muito tempo sem gravar, a memória que eu tinha era de uma rotina normal, como sempre foi: muitas pessoas no estúdio, muitas pessoas no Projac, camarim dividido.

E aí, quando eu cheguei lá, a gente se deparou com uma realidade completamente diferente. Os nossos camarins eram separados, a gente era isolado, a gente tinha que fazer a nossa própria maquiagem, o nosso próprio cabelo. Tínhamos uma sequência de testes [de covid] muito intensa.

Isso foi apavorante, porque a gente precisa olhar no olho, bater o texto, se tocar, construir laços. Por exemplo, o Marcelo Flores, que é o meu par ao longo de uma boa parte da novela, que é meu noivo, a gente está junto há muitos anos [na trama], como é que eu vou construir essa relação com ele?

Por mais que seja uma coisa profissional, a gente precisa ter um certo nível de intimidade no âmbito pessoal também. É impossível você nunca ter visto a pessoa e chegar e fazer a cena com a mesma naturalidade e com a mesma interação e conexão como quando você tem uma história construída por trás daquilo como uma pessoa física.

Eu fui conhecer o Marcelo na nossa primeira cena, já era uma cena de beijo. E ainda assim, com equipe reduzida, testando todo mundo, e depois que fazia testava de novo, e não podia sair do apartamento que estávamos morando, porque todo mundo tem que se resguardar... Foi uma loucura entender essa nova fase.

Além disso, eu fui morar no Rio sozinha, sou do interior de São Paulo, e meu marido e minha mãe não podiam ir comigo, o que me deixava muito mais vulnerável também. Tudo isso foi muito desafiador, muito surpreendente e muito diferente de tudo que a gente já tinha feito.

Mas deixa a gente com a sensação de mais que um dever cumprido. Apesar de todas as questões e de todas as limitações, a gente conseguir entregar um trabalho com a qualidade que entregamos é uma alegria muito grande.

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

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