Colo de Mãe

Quando se tem uma menininha de seis anos em casa

Você é tratada como pop star, ganha beijos de bom dia e ligação de boa noite

Laura Gardim, seis anos, desenhou a família no avião
Laura Gardim, seis anos, desenhou a família no avião - Arquivo Pessoal

Eu sempre adorei crianças. A minha experiência com elas me mostrava que, com quatro anos, chegava-se ao auge da fofura infantil. Acho que adquiri essa visão ao cuidar da minha irmã Tatiane, hoje com 29 anos.

Aos quatro anos, ela foi para a pré-escola e começou a nos surpreender. Depois, ao me tornar madrasta, passei a acreditar que os cinco anos eram melhores. Minha enteada Eleonora, hoje com 20 anos, era uma graça.

Ao ter minha primeira filha, descobri que os cinco são, realmente, muito maravilhosos. Hoje, as crianças dessa idade começam a ser alfabetizadas e soltam pérolas. Uma das histórias de Luiza de que mais gosto foi quando pedimos autógrafo a uma atriz, e ela perguntou: “É Luiza como ‘s’ ou com ‘z’?”. E minha filha, mais do que depressa, respondeu: “É Luiza com ‘l’”.

Ou coisas do tipo: “Mãe, eu te amo infinito, do tamanho da baleia azul, que é o maior mamífero do mundo e isso é infinito, né?”. Mas, com a minha caçula, tenho descoberto que ter uma menininha de seis anos em casa é a coisa mais deliciosa do planeta. O cérebro em total desenvolvimento não tem limites. Da boquinha irrequieta saem frases sensacionais, e os pensamentos dela me emocionam.

Minha pequena Laura, com seis aninhos recém-completados, é a figura que eu conheço que mais pensa no futuro. Diz que vai ter três filhas, e todas já têm nome. E me pede para adotar duas crianças: um menino e uma menina.

Ter uma menininha de seis anos em casa é ouvir, após o banho: “Mamãe, eu estava conversando sobre a Cinderela com minha amiga invisível, a Isabela, que é minha filha. Ah, a Cinderela sou eu”.

Ter uma menininha de seis anos em casa é ter uma criança que comemora suas evoluções com a seguinte afirmação: “Eu tenho minhas habilidades”, ao ser questionada pela irmã sobre como passou de fase em jogos eletrônicos. Ou ouvir, nas brincadeiras: “Aqui ficam os animais e, aqui, os seres humanos”.

Ter uma garotinha em casa é saber que você é mãe da futura presidente. E, aos seis anos, minha garotinha já tem plano de governo: vai dar arroz, feijão, macarrão e carne para todos. E vai cobrar mais caro por chocolate com muito açúcar, numa clara decisão de incentivar os pequenos produtores de cacau do sul da Bahia, destino de nossas últimas férias.

Ter uma menininha de seis anos em casa é ouvir o discurso de sua posse. “Quando eu ganhar, mãe, eu vou falar assim para todo o mundo: ‘Eu quero ser uma boa presidente, quero que gostem de mim e quero ver todos do planeta muito felizes’”.

Ter uma garotinha de seis anos em casa é ter uma pequena que anotou sozinha meu número de celular para me ligar no trabalho e me dizer boa noite. Porque, por enquanto, eu ainda sou a coisa mais importante do mundo para ela.


LIVRO AUXILIA NA FASE DE ALFABETIZAÇÃO

Toda letra é importante, e cada uma delas tem papel fundamental na comunicação e no dia a dia. É com essa mensagem que os dois volumes do livro “Cidade das Letrinhas” (RG editores, R$ 29,90), da jornalista, ilustradora e escritora Viviane Zanardo, prende a atenção das crianças em fase de alfabetização.

O primeiro livro conta a história das vogais que moravam sozinhas em uma cidade. Depois, no segundo, chegam as consoantes e começa a briga, pois cada letra quer ser mais importante do que a outra, até que finalmente entendem que, juntas, são essenciais.

A ideia surgiu a partir de uma pequena história que Viviane achou nas anotações de sua avó. Mãe de Isabella, sete anos, ela encontrou a inspiração ideal para falar sobre alfabetização. “Comecei a escrever quando minha filha tinha quatro anos. Ela me ajudou muito”, diz.

Agora

Colo de Mãe

Cristiane Gercina, 39, é mãe de Luiza, 11, e Laura, 6. É apaixonada pelas filhas e por literatura. Graduada e pós-graduada pela Unesp, é editora-assistente de Grana do jornal Agora, empresa do Grupo Folha. Quer ver o desenho do seu filho publicado na coluna? Envie-o para o email colodemae@grupofolha.com.br com nome completo e idade da criança, nome e celular do responsável.

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