Aventura na cozinha

Baseado em prato inglês, escondidinho de carne é prático e funciona como refeição completa

Do Nordeste, prato se espalhou por todo o território nacional

Escondidinho de carne tem receita inspirada em tradicional prato inglês
Escondidinho de carne tem receita inspirada em tradicional prato inglês - Juliana Ventura/Arquivo Pessoal

Olá, cozinheiros! Bem-vindos a mais uma aventura na cozinha! Quem é que não adora um escondidinho? O prato que chamamos assim aqui no Brasil (popular no Nordeste, espalhou-se por todo o território nacional) tem em sua receita mais conhecida um saboroso e perfumado refogado de carne-seca como recheio de creme de mandioca. A ideia de colocar uma surpresa dentro de um creme acabou dando origem a uma infinidade de versões, como abóbora e camarão e mandioquinha e cogumelos, entre outros.

Inspirada na shepherd’s pie inglesa (ainda que esta leve carne de cordeiro), fiz um escondidinho de carne cozida na cerveja preta, com batatas. Adoro histórias de comidas camponesas europeias, e esta não foge à regra. Conta-se que o prato nasceu das tentativas de reaproveitar os assados de domingo. A receita ganha a minha cozinha com frequência e, apesar de ser simples e rápida, tem sabor sensacional graças à bebida. Sobre a cerveja: é possível usar qualquer tipo, mas, de todas as que provei, a preta teve melhor resultado.

Como poderão ver, prefiro apenas cobrir o recheio de carne com o creme de batatas. Isso porque, ao fazer uma cama de purê e colocar o cozido por cima (e depois outra camada de purê), perde-se em umidade. O líquido do recheio é, em parte, absorvido pelo creme, um resultado que não me agrada muito. A adição de amido de milho à carne veio depois de alguns testes. É o mesmo recurso que dá aquele brilho bonito a pratos como yakissoba. Ao mesmo tempo, trabalha para impedir a absorção do caldo pelas batatas. O efeito é um cozido caudaloso que pode quase ser comido separadamente da “tampa” de purê.

Para terminar, uma dica que quem não gosta de cebola sempre pergunta: como escondê-la? Simples. É só ralar a cebola em ralo grosso. Assim, aproveita-se o sabor, e os pedaços, por serem bem pequenos, somem no cozimento. Vamos para a cozinha? Até a próxima!

(A)ventura na cozinha

Juliana Ventura, 33, é jornalista formada pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), pós-graduada em gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi e professora de culinária para crianças.
email: aventuranacozinha@grupofolha.com.br
Instagram: @venturanacozinha

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