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O suposto estupro e os limites do "BBB"

16/01/2012 - 16h55

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Ainda não dá para sacar conclusão alguma sobre o que de fato aconteceu entre Monique e Daniel na madrugada de sábado para domingo, sob o lendário edredom do "Big Brother Brasil".

"Só se ele foi muito mau caráter", diz Monique sobre sexo
Não houve estupro e Daniel é vítima de racismo, diz Boninho
Polícia e advogados da Globo conversam sobre suposto estupro

Todas as partes precisam ser ouvidas. Além do mais, é a própria moça quem precisa ir à polícia --caso contrário, não se configura crime algum.

Entenda: Fazer sexo com alguém dormindo é crime hediondo

Se ainda não há uma resposta convincente, pergunta é o que não falta. Tentei enumerar algumas:

- Por que a Globo tirou o vídeo comprometedor de seu site, se ele chegou a ser exibido pelo "pay-per-view"? Se de fato não aconteceu nada, então não há porque censurar as imagens. Além do mais, quem procura, acha --a cena ainda não saiu totalmente de circulação.

- Por outro lado, até que ponto o escândalo não faz bem para o programa? Esta edição começou meio morna, com a audiência em baixa e muita reclamação sobre a falta de novidades. Um pouco de pimenta pode ajudar o "BBB 12" a pegar no tranco. Mas será que a dose não foi exagerada?

- E por falar em exagero, não há limites para o álcool nas festas? A produção poderia cortar a oferta de bebidas, se julgar que algum participante está se excedendo. Mas não é justamente o excesso o que se busca com a fartura de birita?

- Se realmente Daniel transou com Monique sem o consentimento desta, ele não pode alegar que também estava bêbado? Quer dizer, sem noção do que estava fazendo? O que diz a lei nestes casos?

- Minha última questão envolve a própria sobrevivência do "reality show". Não há anunciante na face da Terra que queira associar sua marca a uma suspeita de estupro, mesmo que não comprovada. O "Big Brother Brasil" tem uma produção relativamente barata e vende com facilidade todos seus espaços publicitários. Uma eventual debandada de clientes pode fazer com que esta 12ª edição seja a última.

O caso é cabeludo, e de longe o mais complicado de toda a história do "BBB". Por coincidência, estourou justo no final de semana seguinte ao último capítulo da série "Dercy de Verdade", que mostrou a falecida atriz perdendo seu programa na Globo por causa do baixo nível das atrações (e não por causa da audiência, que era altíssima).

É cedo para dizer que o mesmo acontecerá com o "BBB". Mas uma luz amarela se acendeu. E, mesmo que não se prove nem aconteça nada com Daniel neste momento, os dias dele estão contados dentro da casa. O cara provavelmente será eliminado no paredão da semana que vem.

Frederico Rozário/Folhapress
Daniel e Monique
Daniel e Monique

Tony Goes tem 50 anos. Nasceu no Rio de Janeiro mas vive em São Paulo desde pequeno. É publicitário em período integral e blogueiro, roteirista e colunista nas horas vagas. Escreveu para vários programas de TV e alguns longas-metragens, e assina a coluna "Pergunte ao Amigo Gay" na revista "Women's Health". Colaborador frequente da revista "Junior" e da Folha Ilustrada, foi um dos colunistas a comentar o "Big Brother 11" na Folha.com.

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