Renato Kramer

'Se você não acreditar no ser humano, você já está morto sem saber', diz Erasmo Carlos

"O artista tem um microfone na mão, e ele não pode usá-lo de maneira irresponsável", declarou o cantor e compositor Erasmo Carlos no "Mariana Godoy Entrevista" (Rede TV) da última sexta-feira (8).

"Ele tem que medir muito bem as palavras porque elas podem ter repercussões incontroláveis", acrescenta Erasmo. "O artista não tem obrigação de ser político, ele tem obrigação de ser político como cidadão, não como artista. Ele pode ser, mas não tem obrigação", conclui.

"'Fé na vida, fé no homem, fé no que virá, nós podemos tudo, nós podemos mais, vamos lá fazer o que será'. Essa frase você citou", comentou Mariana. "Isso é do grande poeta Gonzaguinha, uma frase que eu usei num discurso das 'diretas já', em 1984 no Rio. É uma das frases que eu acho mais lindas sobre otimismo, sobre esperança. Uma coisa que eu falei e vou falar sempre", afirma o Tremendão.

E explica: "Quando eu falo fé na vida, fé no homem, eu não tô falando me referindo a governos, antigos ou presentes, eu estou me referindo a sempre. Sempre, com qualquer governo, com qualquer Deus, eu terei sempre fé na vida. Porque isso é que faz a gente acreditar no ser humano!", diz o amigo de fé, irmão camarada de Roberto Carlos.

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Matéria importada do Spiffy News

Erasmo ganhou o Grammy Latino 2014 como Melhor Disco de Rock ("Gigante Gentil"). "É um prêmio que há anos esperava, já tinha sido indicado várias vezes e nunca tinha tido a oportunidade de ganhar. De repente surgiu, eu fiquei muito feliz", comemora Erasmo.

De início o cantor achou que alguns prêmios que vinha recebendo seria pelo reconhecimento da obra. Mas logo percebeu com entusiasmo que não, é em função do trabalho atual mesmo, o que muito o envaidece. "Prova que você tá vivo, que tá disputando com todo o mundo, uma disputa saudável, isso é maravilhoso!", ressalta o Gigante Gentil.

"Como é cantar e compor com a nova geração?", pergunta Godoy. "É bonito, porque eu aprendo com as pessoas. Fazer música com o Arnaldo Antunes, por exemplo, é uma maravilha!", confidencia Erasmo. "Ele me dá opção de letra, ele é muito fértil na criação dele, então ele dá letra pra você escolher! Que luxo isso!".

"Com a Marisa Monte eu fico meio envergonhado. É que eu sou um 'gentleman' por incrível que pareça. Eu sou um homem rude mas sou gentil. E aí fico cheio de dedos pra compor fisicamente com Marisa. Se ela falar que eu não senti muito, eu vou ficar sem jeito de dizer pra ela: 'Não, Marisa, não gostei muito disso, não'. A educação não me permite. Então prefiro compor por e-mail, fica mais fácil", argumenta Erasmo Carlos.

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

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