Renato Kramer

Roberto Carlos Especial 2015: o Rei, sempre especial

"Então é Natal", já diria a cantora Simone. Sim, agora podemos dizer que chegou o Natal, pois tivemos o Especial do Roberto Carlos.

E foi mesmo "especial", embora 'bocas de matildes' estivessem prontas para cacarejar aos quatro cantos: "É sempre a mesma coisa, para que repetir o mesmo do mesmo" e baboseiras que tais.

Ora, por favor! Graças a Deus que Roberto está aí. Cheio de energia para nos mostrar, o cantor carismático nos conquistou há mais de 50 anos. Não são 5, são 50! Quantos cantores duram mais do que dez anos no cenário artístico?

Mas para quem não curte o seu estilo desde sempre, claro que vai ficar apontando defeitos aqui e acolá. Nós não somos mesmo assim? Do que gostamos, defendemos mesmo o indefensável. Se não vamos com a cara, encontramos até uma unha encravada no dedinho do pé para apontar. O ser humano não é muito surpreendente.

Mas houve surpresa no "Especial do Roberto". Numa tímida homenagem aos 50 anos de Jovem Guarda, o Rei deu início ao seu show cantando "Eu Sou Terrível" (grande sucesso dos anos 60), no lugar da costumeira "Emoções", que há anos abria o espetáculo. Mais tarde "Emoções" se fez presente no repertório, como não poderia deixar de ser.

Roberto Carlos, Carlinhos Brown e Jota Quest em especial de fim de 2015. Foto: Paulo Belote/Divulgacao. ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
Roberto Carlos, Carlinhos Brown e Jota Quest no tradicional especial de fim de ano - Crédito: Paulo Belote/Divulgação

E digo "tímida homenagem" porque acreditava ser uma oportunidade de Roberto levar ao palco cantores e grupos que fizeram parte do movimento e que estão por aí: Martinha, Eduardo Araújo, Waldirene, Golden Boys, Trio Esperança, Jerry Adriani, Os Caçulas, entre tantos outros, responsáveis pelo brilho das tardes de domingo na Record dos anos 60.

Nada contra os convidados do especial, mas a verdadeira homenagem seria levar os que fizeram tudo acontecer. Pelo menos não faltaram os dois pilares: Erasmo Carlos e Wanderléa —pouco aproveitados.

Wanderléa lacrou. Eleita a "Rainha da Juventude" em 1965, a Ternurinha entrou no palco deslumbrante, como se tivesse saído "diretamente da fonte da juventude para o Especial do Rei", como bem observou o produtor musical Thiago Marques Luiz. Wanderléa mantém o reinado e a juventude, 50 anos depois.

Erasmo, o amigo de fé, irmão camarada, entrou logo depois, foi homenageado verbalmente, mas não o suficiente para quem ajudou a sustentar uma parceria das mais ricas da música pop brasileira.

Como de praxe, alguns cantores do momento tiveram vez ao lado do mito. Imposição da produção ou não, de um bom tempo para cá isso sempre acontece —diferentemente de quando os convidados tinham o cacife de Ângela Maria, Maria Bethânia, Alcione, Caetano Veloso ou Milton Nascimento.

Em seu belo terno azul noite, com bordas brilhantes combinando com a gravata e voltando a ostentar as fartas ombreiras no paletó, Roberto Carlos esteve pleno. O mesmo Roberto Carlos? Claro, o Roberto Carlos que nos embalou por décadas cantando o dia a dia com sua poesia simples e romântica, cantando o amor com a leveza e suavidade certeira, marcando fundo os corações de milhares de fãs.

Os que não são fãs? Que se danem. Respeitem o moço, o maior mito que o Brasil vai conhecer. "Não adianta nem tentar me esquecer, durante muito tempo em sua vida eu vou viver... não, não adianta nem tentar me esquecer", cantou Roberto Carlos, sua canção preferida, com lágrimas nos olhos. Ora, Roberto, quem te ama desde os anos 60 e tem em cada veia que corre em seu corpo gravada uma música sua, jamais te esquecerá.

Vida longa ao Rei!

Renato Kramer

Natural de Porto Alegre, Renato Kramer formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Em São Paulo, formou-se como ator na Escola de Arte Dramática (USP). Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Já assinou a coluna "Antena", na "Contigo!", e fez críticas teatrais para o "Jornal da Tarde" e para a rádio Eldorado AM. Na Folha, colaborou com a "Ilustrada" antes de se tornar colunista do site "F5"

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