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'BBB15' - Fernando tenta convencer que ausência de beijo com Amanda o isenta de responsabilidade

18/03/2015 - 15h27

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Ganha-se um "BBB" como se ganha qualquer outro jogo na vida: por talento pessoal, erro dos outros, ou geralmente pelas duas coisas juntas. Mas nem o público nem a emissora ganham com os erros da direção do "BBB15".

O elenco escolhido e o novo modelo de confinamento trouxeram algumas consequências desastrosas. Boninho admitiu que escolheu candidatos mais propensos a loucuras, e talvez por isso 2015 seja lembrado como o ano em que a edição fugiu ao controle.

Restam apenas 5 no 'BBB', quem merece ganhar? Vote!

A desistência dramática de Tamires deixou um rombo no enredo e no entendimento dos telespectadores. Excluída de tudo, até mesmo mutilada da vinheta de abertura do programa como tentativa de lavagem cerebral do público ("ela morreu pra nós e pra vocês"), a participante deixou os políticos Adrilles e Cézar sem objeto de campanha eleitoral definido, e Amanda sem sua interlocutora para assuntos de baixa autoestima.

O "BBB15" entretanto tem seguido à risca a proposta inicial de volta às origens, talvez por isso esteja tão recheado de narrativas ficcionais na edição. Não bastasse inventar sonhos dos participantes, criaram também alguém para interpretá-los. Mas a finalidade é nobre: gerar interesse por pessoas das quais quase ninguém mais aguenta ouvir falar. A narrativa se tornou lenta e monótona, e na ausência de herói ou heroína legítimos, a trama se pulverizou em assuntos de pequena importância, com exceção do estado de carência de Fernando e Amanda.

Parece pouco provável que o público legitime o casal 'Amando'. Ao se desligar de sua vida amorosa que assumiu no início do programa com Aline, Fernando deixou sua zona de conforto e mergulhou num completo desconhecido, passando a interpretar um personagem que ele acredita agir segundo a vontade do público. Inicialmente tentou construir um herói que resistia ao seu inimigo mais íntimo, o desejo sexual por Amanda, a fim de obter glória e recompensa. Mas não convenceu.

No caminho da autorrealização existencial, Fernando não apenas muda de grupo, mas transita pelo encontro do verdadeiro "eu" quando permite ser masturbado por Amanda sob o edredom "disfarçadamente", e ao mesmo tempo quer convencer o público que mantém a palavra de fidelidade honrada à Aline. Em sua fantasia, quer convencer a si e ao público que a ausência de um beijo em sua relação com Amanda isenta-o de qualquer responsabilidade, algo tão equivocado quanto Bill Clinton querendo provar que o sexo oral de Monica Lewinsky não foi sexo.

Nesse conto de fadas sem beijo na boca despontam em popularidade Adrilles e Mariza. Frequentemente mostrados na edição como os narradores do "BBB15", eles representam o casal "João e Maria", duas crianças que se perdem após serem abandonadas pela madrasta perversa na floresta e juntos vivem situações de perigo. De fato não são um casal de namorados, mas de irmãos. Com astúcia, confiança e coragem têm superado as dificuldades do dia a dia, mas ainda se perdem em discussões tolas.

Enquanto Amanda se vitimiza por não ser legitimamente amada, Fernando assume que não suporta mais machucar as pessoas, Cézar se perde num personagem autista, e Adrilles não consegue controlar sua vaidade intelectual, beirando o egocentrismo nas entradas ao vivo.

Assim, Mariza se torna a personalidade mais interessante entre os sobreviventes. Capaz de reconhecer seus erros e limites, mesmo sendo a mais velha entre os cinco finalistas, demonstra utopicamente que, apesar de ser um jogo sujo, o "BBB" no fundo é um conto de esperança que pode ser vivido com superação pessoal e respeito aos adversários.

Marcelo Arantes

Marcelo Arantes é médico psiquiatra e psicoterapeuta, atende adultos e crianças em São Paulo e interage com os leitores por meio do site "www.marceloarantes.com"

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