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Fátima Bernardes se emociona em volta ao Encontro ao falar das mortes por Covid

Apresentadora disse que uma funcionária dela morreu vítima da doença

Fátima Bernardes retorna ao Encontro
Fátima Bernardes retorna ao Encontro - Globo
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São Paulo

Um mês após seu afastamento para tratar um câncer de útero, Fátima Bernardes, 58, se emocionou ao voltar nesta segunda (4) a comandar o programa Encontro, na Globo. A apresentadora chorou ao dizer que, durante o período, ficou muito angustiada com as notícias de aumento de mortes por causa da pandemia do novo coronavírus no país.

"[...] Porque você acaba fazendo uma cirurgia, acaba ficando com a imunidade mais baixa, e o medo dessa doença ficou muito maior. E olhar a quantidade de pessoas morrendo por causa dessa doença, e as outras que estão com câncer e não estão conseguindo ser atendidas porque tem medo de ir ao hospital, estão adiando um exame, isso me deixa muito angustiada."

Fátima Bernardes lamentou a morte de uma funcionária, que trabalhava com ela há 30 anos, e foi vítima da Covid-19. "E olha que ela tinha plano de saúde, tinha tudo, não andava de transporte público...Não sabemos como ela se contaminou [...], ela era muito cuidadosa. Ela sempre chegava em casa muito cedo, e eu dizia que não precisava porque eu tomo café aqui [na Globo], mas ela fazia questão de fazer um café de coador para eu tomar antes de eu sair. E hoje fez muita falta esse café", afirmou Fátima, muito emocionada.

"Uma pessoa que convive com você por 30 anos, que está bem, que teve uma doença há sete anos [um câncer no pulmão], mas foi curada [...] E chegar outra doença e levar ela assim. [A pessoa] não fica um mês internada, vai para casa com balão de oxigênio, depois volta a internar e em dois dias a pessoa morre", disse ela, que posteriormente afirmou que a funcionária se chamava Alice.

A apresentadora destacou que não queria falar sobre o assunto, porque sabia que iria se emocionar. "Quantas pessoas estão sofrendo sem necessidade [...] Muitas pessoas não vão ter a chance de recomeçar, não vão ter as chances que eu estou tendo. Eu penso que nem tenho direito a derramar lágrimas", completou. Ela afirmou também que sabe ser muito privilegiada por poder ser operada para retirada do câncer quatro dias após receber o diagnóstico.

"A gente falou tanto em empatia aqui, mas acho que não resolveu [...] Como comunicador, a gente não conseguiu levar para o nosso público a importância do significado da empatia", disse.

Apesar da emoção, a apresentadora afirmou que não tem "vocação para a tristeza", e que voltava ao trabalho com a energia renovada e uma expectativa boa. Ainda em recuperação da cirurgia, ela contou que não pode fazer atividades físicas, dirigir ou ir à praia e à piscina. Também afirmou que não houve indicação médica até o momento para que ela faça quimioterapia ou radioterapia.

MUDANÇAS APÓS CÂNCER

Fátima Bernardes recebeu o diagnóstico do câncer no útero no dia 2 de dezembro, e foi submetida a cirurgia para retirada do tumor no dia 6. A apresentadora afirmou a sua sensação é de ainda estar "se recuperando de um soco". "Eu absorvi, mas é como se eu ainda não tivesse refletido muito bem sobre tudo que aconteceu", afirmou.

Ela contou que tem se cobrado muito sobre o que mudou nela internamente após o câncer. "E eu ainda não encontrei a grande mudança. Eu sempre fui medrosa, então eu sempre fui cuidadosa com a saúde. Eu sempre me cuidei. Sempre fui ansiosa, continuo ansiosa. Eu fico tentando achar alguma transformação, mas talvez seja perceber que parar, contemplar, ficar um pouco à toa, também é uma forma de viver. Também é possível para trazer coisas boas", refletiu ela.

"Já notei outra coisa que mudou, estou mais chorona", disse Fátima, em outro momento.

Para ela, um dos momentos mais difíceis foi contar sobre o seu diagnóstico para amigos e familiares, e mostrar que está forte. "Tem horas que você dá uma baqueada, mas eu tive, nesse momento da baqueada, um total suporte", completou.

Ela destacou ainda o apoio dos três filhos, do namorado, Túlio Gadêlha, e dos pais. "Túlio está comigo desde o início, desde que eu fui à médica dia 2, os meus pais também. Faz muita diferença, muita diferença você ter o olhar do 'vai dar certo', 'já deu tudo certo'. Mas eu fico pensando que não deve ter sido fácil para minha mãe. Minha irmã também teve câncer, então você fica imaginando como é para uma mãe", afirmou a apresentadora.
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