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Rodrigo Lombardi fez dieta de sono e teve pico de pressão e estresse para fazer 'Carcereiros'

Série volta ao ar nesta terça na Globo para segunda temporada

Rodrigo Lombardi (Adriano), em “Carcereiros” (Globo)
Rodrigo Lombardi (Adriano), em “Carcereiros” (Globo) - Divulgação
Fernanda Pereira Neves
São Paulo

Dar vida a uma personagem muitas vezes exige um esforço do ator. Pode ser a perda de peso, a adoção de um cabelo novo, aulas para um sotaque diferente. O sacrifício de Rodrigo Lombardi, 42, para fazer Adriano, em “Carcereiros”, no entanto, foi um pouco além: ele optou por fazer uma dieta de sono. 

“Não recomendo, mas eu dormia quatro horas por dia”, conta o ator, que adotou a medida ainda na primeira temporada da série e repetiu para fazer a segunda etapa, que estreia nesta terça-feira (16), na Globo. 

Segundo o ator, a ideia de restringir o tempo de sono aconteceu após observar os carcereiros que acompanhavam as gravações no set de filmagens. Além de dicas de postura, fala e com o dia a dia de uma prisão, Lombardi diz que eles tinham algo diferente no olhar: “Não era tristeza, não era depressão, depois eu entendi que eles são cansados”.

“Foi aí que eu comecei a fazer a dieta de sono. Depois de duas semanas eu já estava dando bom dia pra mesma pessoa dez vezes em cinco minutos, não entendia o que acontecia, mas o Zé [o diretor José Eduardo Belmonte] foi me guiando e a gente fez a primeira temporada”, conta o ator. 

O processo de preparação para o personagem pode ser sido mais drástico por conta da falta de tempo para que Lombardi se preparasse para o papel, feito originalmente para Domingos Montagner, que morreu afogado em setembro de 2016, em Sergipe, onde gravava a novela “Velho Chico” (Globo). 

Lombardi foi chamado para o papel numa sexta, já avisado de que as gravações começariam na terça-feira seguinte. “Foi um super laboratório. Só assisti ao documentário que gerou a ideia da série, baseado no livro do Dráuzio [Varela], que falava desse universo, e conheci o elenco”, brinca o ator. 

O retorno para a segunda temporada não teve mudança de ator ou imprevistos sérios, mas aí foi a própria rotina no set de filmagens que levou Lombardi a manter a dieta de sono. “O volume de trabalho é intenso, todas as cenas são conflituosas, não tem cena pra jogar fora. Esse trabalho me valeu por três novelas”, afirma ele. 

Morando em um flat, sozinho, durante toda a gravação, o ator conta que a situação ficou ainda pior com o começo das filmagens noturnas, quando seu período livre passou a ser das 5h às 15h, afetando não apenas o seu sono, mas a alimentação, o humor, a concentração. Apesar disso, deixou seu personagem ainda melhor, segundo ele. 

No balanço final ele conta que teve picos de pressão e estresse durante as gravações: “Quando acaba o dia, você vai pro flat, mas não quer dizer que você deixou todo o estresse lá. No caso de ‘Carcereiros’, você acaba levando junto. Então quando acabou a série ainda demorou um tempinho pra dar aquela desintoxicada”. 

Apesar de todo o desgaste, Lombardi só tem elogios à série, aos colegas de trabalho e ao seu próprio desempenho. Bom, já que uma terceira temporada já está sendo estudada e pode ser confirmada em breve. Antes disso, estreia o longa baseado na série, que já está pronto e deve ser lançado no segundo semestre. 

MAIS HUMANA

Apesar de ainda retratar a vida dos carcereiros e os conflitos internos da prisão, a nova temporada de "Carcereiros" promete dar mais espaço para a vida pessoal de Adriano, mostrar uma versão menos heroica e mais introspectiva de todos os personagens. 

A mudança começa no cenário, com a transferência de Adriano para outro presídio, após se envolver com a mulher de um detento —que também acaba presa. Como um personagem que se adequa a um novo trabalho, o local ficou mais soturno, “mais parecido com a ideia de cadeia brasileira”, diz o diretor-geral José Eduardo Belmonte. 

A troca de locação, no entanto, foi um mix de necessidade e mudança de foco. As locações não eram mais possíveis na prisão de Votorantim, no interior paulista, que tinha “mais cara de presídio americano”, já que ela passou a receber presos reais. Assim, a equipe teve que montar um presídio cinematográfico.  

Nesse novo ambiente, Adriano se une ao amigo e também carcereiro Valdir (Tony Tornado), que volta a trabalhar a seu pedido, mostrando o dia a dia do sistema carcerário brasileiro. Brigas, rebeliões e até um pouco de investigação por parte do protagonista vão acontecer nessa temporada, apesar do foco maior na vida pessoal. 

Fora do presídio, Adriano manterá seu relacionamento com Érika (Letícia Sabatella), agora presa, mas o romances poderá ser abalado com a volta de Janaína (Mariana Nunes), agora grávida. Também se repetem e até se aprofundam os dramas dele com a filha, Lívia (Giovanna Ríspoli), que insiste na busca pela mãe. 

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