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Carcereiros volta para 2ª temporada em presídio novo e mais focado em dramas pessoais

Série estreia segunda temporada nesta terça-feira (16) na Globo

O carcereiro Adriano (Rodrigo Lombardi) revista o preso Califa (Sergio Menezes ) na segunda temporada de 'Carcereiros'
O carcereiro Adriano (Rodrigo Lombardi) revista o preso Califa (Sergio Menezes ) na segunda temporada de 'Carcereiros' - Ramon Vasconcelos/Rede Globo
Fernanda Pereira Neves
São Paulo

​“Um único homem tem que cuidar de 350 pessoas confinadas em um pavilhão, sozinho, sem nada, ele tem que ser um super-herói”. É assim que o ator Rodrigo Lombardi, 42, descreve a vida de um carcereiro. Não a vida de Adriano, seu personagem em “Carcereiros”, mas a de todos os carcereiros que ele representa. 

Após uma primeira temporada focada no presídio e nesse lado mais herói dos profissionais que trabalham ali, a série, inspirada no livro homônimo de Dráuzio Varella, volta ao ar na Globo nesta terça-feira (16) com a proposta de mostrar um outro lado, o menos heroico e mais pessoal, introspectivo. 

“O que muda é o foco, o olhar que descortina a vida pessoal do Adriano. A gente quer saber como é a vida dessas pessoas, as pequenas fraquezas desses homens que têm que se mostrar tão fortes, tão poderosos. Tivemos menos cenas de rebeliões, mas mostramos mais os demônios internos”, afirma Lombardi. 

A mudança começa no cenário, com a transferência de Adriano para outro presídio, após se envolver com a mulher de um detento —que também acaba presa. Como um personagem que se adequa a um novo trabalho, o local ficou mais soturno, “mais parecido com a ideia de cadeia brasileira”, diz o diretor-geral José Eduardo Belmonte. 

A troca de locação, no entanto, foi um mix de necessidade e mudança de foco. As locações não eram mais possíveis na prisão de Votorantim, no interior paulista, que tinha “mais cara de presídio americano”, já que ela passou a receber presos reais. Assim, a equipe teve que montar um presídio cinematográfico.  ​

Nesse novo ambiente, Adriano se une ao amigo e também carcereiro Valdir (Tony Tornado), que volta a trabalhar a seu pedido, mostrando o dia a dia do sistema carcerário brasileiro. Brigas, rebeliões e até um pouco de investigação por parte do protagonista vão acontecer nessa temporada, apesar do foco maior na vida pessoal. 

Fora do presídio, Adriano manterá seu relacionamento com Érika (Letícia Sabatella), agora presa, mas o romances poderá ser abalado com a volta de Janaína (Mariana Nunes), agora grávida. Também se repetem e até se aprofundam os dramas dele com a filha, Lívia (Giovanna Ríspoli), que insiste na busca pela mãe. 

“A Janaína volta, mas de uma forma muito mais madura, porque está em contato com o próprio desejo [de ser mãe]. Então, ela vira mais um porto seguro para o Adriano, que continua com as questões de trabalho que ele sempre traz pra dentro de casa. Ela está mais em contato com ela mesma e mais tranquila na relação”, afirma Mariana Nunes, 38. 

Giovanna Ríspoli, 16, também vê sua personagem mais madura nessa segunda temporada e mais próxima do pai. “Existe uma troca bem maior, há momentos em que ela precisa da ajuda do pai e outros que é ele quem precisa da ajuda da filha”, afirma ela, que também protagonizará um conflito envolvendo um novo namorado. 

A segunda temporada terá 14 episódios, tendo um diretor diferente para cada um deles. No segundo semestre deve ser lançado o longa baseado na série, enquanto a terceira temporada ainda é estudada. “A gente conta histórias que ouvimos de todos os carcereiros. É uma gota que a gente dá pra vocês, pra fazer suas mentes voarem”, diz Lombardi.  

SEGUNDA OPÇÃO 

Apesar da paixão pelo projeto Carcereiros, Rodrigo Lombardi lembra que não foi a primeira opção para fazer o protagonista. Adriano foi feito para o ator Domingos Montagner, que morreu afogado em setembro de 2016, em Sergipe, onde gravava a novela “Velho Chico” (Globo). 

Lombardi foi chamado para o papel numa sexta, já avisado de que as gravações começariam na terça-feira seguinte. “Foi um super laboratório. Só assisti ao documentário que gerou a ideia da série, baseado no livro do Dráuzio [Varela], que falava desse universo, e conheci o elenco”, brinca o ator. 

“Em 90% dos meus trabalhos foi assim, eu não era a primeira opção. Não me envergonho disso. Mas o Belmonte, ao entender que eu estava chegando num processo e não ia ter tempo hábil, chegou pra mim e disse ‘vamos gravar em ordem cronológica pra que você consiga entender o caminho que estamos trilhando’. Ele entende o ator”, conta. 

A principal ajuda na composição do personagem, tanto na primeira como na segunda temporada, no entanto, veio dos carcereiros. Os verdadeiros, que acompanharam toda a gravação junto dos atores, no set de filmagem. Ajustavam as falas, posturas e ações do elenco pra ficar o mais fiel possível ao dia a dia de um presídio. 

Lombardi conta que, de tanto observar os verdadeiros carcereiros, concluiu que eles tinham uma característica que não era tristeza ou depressão, mas um cansaço no olhar. Foi assim que ele teve a ideia de fazer uma dieta de privação de sono, na primeira temporada, e novamente na segunda. Eram apenas quatro horas de sono por dia. 

“A dieta de sono foi uma coisa que eu tive a iniciativa de fazer na primeira temporada, mas se eu não fizesse ela viria também. Só precisei adiantar um pouco. Na segunda temporada ela veio do mesmo jeito, porque esse trabalho me valeu por três novelas. O volume de trabalho é intenso, todas as cenas são conflituosas. Mas vale a pena”. 

DA COMÉDIA AO DRAMA

Conhecida por seus papeis cômicos, Samantha Schmutz também retorna para a segunda temporada de Carcereiros, comemorando a oportunidade de fazer novamente um personagem mais dramático, após sucessos como a série “Vai que Cola”, no ar desde 2013 na Multishow, e o filme “Tô Ryca” (2016).  

“É muito bom dar certo num negocio ao mesmo tempo em que é muito ruim. Eu, por exemplo, dei tão certo como comediante que ninguém me chamou pra mais nada. Então reabrir essa porta pra mim, como atriz, que sou formada pra fazer todos os gêneros, é muito importante. Então me sinto lisonjeada”, afirma Schmutz. 

Ela conta que ficou atenta até a alguns detalhes do roteiro e das falas para não deixar “vazar humor”. “Eu tinha que falar ‘esses produtos são todos lícitos, estou com todas as notas do Paraguai’, mas eu sabias que na hora que eu falasse Paraguai ia ficar engraçado. Se eu falo isso acabou”, recorda a atriz.  

Casada com Tibério (Othon Bastos), pai de Adriano, a personagem Sol será nessa segunda temporada um caminho para o ilícito chegar à família de Adriano. Segundo a atriz, ela será uma espécie de “muambeira”, vendendo produtos de origem duvidosa e, assim, melhorando a situação financeira do casal. 

A história que seguirá em paralelo provocou indignação a Bastos, que faz um ex-carcereiro na trama: “Eu não entendi porque esse homem que tem ética, ensina ao filho o que deve fazer, como deve agir, de repente muda”, questionou ele, sendo interrompido por Lombardi para evitar spoilers. “Até hoje não entendi”, retrucou novamente o ator. 

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