Televisão

É como se Eike Batista resolvesse virar Felipe Neto, diz Antonio Tabet sobre 'Borges'

Série mostra uma importadora cheia de dívidas e pessimamente administrada pelo seu dono

Antonio Pedro Tabet, do Porta dos Fundos, no Lollapalooza 2013
Antonio Pedro Tabet, do Porta dos Fundos, no Lollapalooza 2013 - Avener Prado/Folhapress
Cris Veronez
Rio de Janeiro

Após estrearem no mundo dos seriados de TV em 2015 com "O Grande Gonzalez", o coletivo Porta dos Fundos, agora adquirido pelo conglomerado Viacom (gigante americana que também é dona da MTV), acaba de lançar a série "Borges". 

A produção mostra uma importadora cheia de dívidas e pessimamente administrada pelo seu dono, Borges. Num belo dia, quatro funcionários da empresa —interpretados por Antonio Tabet (Erasmo), Karina Ramil (Sônia), Rafael Portugal (Pablo) e Thati Lopes (Rosana)— descobrem a falência da companhia da pior forma possível. Chegam ao trabalho e veem que foram enganados pela proposta de sociedade e agora são os únicos donos de milhares de dívidas e processos trabalhistas. 
 
Sem saber o que fazer, e perseguidos por credores e ex-funcionários, eles fazem um vídeo a fim de explicar ao maior número de pessoas que eles não são responsáveis por aquela situação e sim, tão vítimas como todos os outros.

A surpresa é quando a filmagem viraliza e fatura, em um dia, mais dinheiro do que a própria importadora. Então, a solução que os funcionários encontram para seu dilema é se transformar em uma produtora de canais de vídeo para internet. 

 
O enredo, a princípio, parece ter a ver com a história do Porta. No entanto, Tabet diz que não é bem assim. Ele conta que o surgimento do coletivo foi algo programado, feito por pessoas já experientes e que queriam de fato trabalhar com a produção de vídeos.
 
Já em Borges, o que se vê são quatro pessoas sem a menor noção de como escrever para vídeo, decorar textos, filmar. “Estamos fazendo essas pessoas, sem experiência, produzindo o conteúdo. É surreal”, afirma.

Para exemplificar melhor, o humorista faz uma comparação: “É como se fosse um Eike Batista falido que resolve virar o Felipe Neto. É essa a história que a gente vai contar."

A série, que teve como inspiração sucessos internacionais como Silicon Valley e Seinfeld, será exibida por toda a América Latina. Segundo Ian SBF, responsável pela criação e direção de "Borges", o texto não sofreu muitas alterações para se adaptar aos outros países.

“Temos muitas piadas regionais [que às vezes não servem para a América Latina toda], mas acho que, no geral, elas funcionam para tudo quanto é lugar. Não tive necessariamente uma preocupação com isso, mas tive cuidado.” 

 

Com um leque de produtos cada vez mais diversificado, o Porta dos Fundos, segundo o diretor, acabou ficando dividido em dois.

“Gostamos de fazer uma separação. Não vejo Borges como uma série do Porta, mas como um projeto que tem aqui dentro, assim como o Porchat tem o dele e o Gregório também. É outra pegada.”

Animado com a estreia, Tabet diz que está confiante no sucesso da série e que acredita que ela será melhor do que "O Grande Gonzalez". "Borges" terá dez episódios de meia hora cada um, exibidos sempre às terças, às 21h30, no Comedy Central. 

Confira o perfil dos personagens principais:

Erasmo (Antonio Tabet) – Personagem mau caráter logo, que se torna o responsável pelos piores esquemas e tentativas equivocadas de tirar a empresa do vermelho. Ele cumpre o papel do comercial da nova empresa de vídeos.
 
Pablo (Rafael Portugal) – É o cara mais legal do grupo e, por isso mesmo, acaba como o que mais se ferra na história. Por causa do seu carisma natural, torna-se o ator do grupo (mesmo que a contragosto).
 
Rosana (Thati Lopes) – Por ser a mais responsável e consequentemente a mais estressada, ela se torna de imediato a produtora do grupo. Apesar das boas intenções, tem tanta dificuldade quanto os outros em se adaptar à nova função.
 
Sonia (Karina Ramil) – É a mais criativa, emotiva e perdida do grupo. Por esse motivo, ela fica com as funções de roteiro e direção. Sem fazer a mais absoluta ideia do que um roteirista e um diretor devem fazer, tenta descobrir da maneira mais difícil: fazendo. E quase sempre bem mal.

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