Comic Con

Giovanna Antonelli diz que Gloria Perez soube fazer Jade, de 'O Clone', não ser 'mocinha idiota'

Atriz afirmou que 'odeia dançar' e teve de se dedicar às coreografias da personagem

A atriz Giovanna Antonelli caracterizada como a personagem Jade, da novela 'O Clone', da TV Globo João Miguel Jr./TV Globo

São Paulo

Jade (Giovanna Antonelli) está de volta. E com ela a dança do ventre, a cultura árabe e todos os bordões que viraram hits há 18 anos como “Inshalá”, “Maktub” e “Você vai arder no mármore do inferno”. A novela “O Clone”, de 2001, será reprisada no Viva, a partir desta segunda (9), às 23h. Ela vai substituir “O Cravo e a Rosa” (Globo, 2001).

Para Giovanna Antonelli, o sucesso da trama da jovem muçulmana que se apaixona por um brasileiro, mas não pode viver esse romance, pode ser explicado por uma conjunção de fatores, como o empenho e a dedicação de todos os envolvidos e, especialmente, da autora Gloria Perez.

"Ela nos deu a oportunidade de contar uma história de amor como poucos trabalhos e fazer as pessoas comprarem aquela história. E é muito delicado falar de amor, é muito delicado fazer mocinha de novela, porque geralmente elas são idiotas. E eu acho que a Gloria soube dar um tempero", disse a atriz durante sua participação, na última sexta (6), em um painel na CCXP (Comic Con Experience), feira de cultura pop que acontece em São Paulo até este domingo (8). 

Giovanna Antonelli fez questão de dizer que adora fazer as protagonistas boazinhas, mas não é a favor da "mocinha idiota". "Porque as mulheres não são mais assim. A gente é safa, a gente é esperta e a gente está em processo de transformação. A Gloria soube dosar", afirmou. 

Para interpretar Jade,  Antonelli contou que passou por uma preparação intensa, uma "imersão da cultura árabe", que durou cerca de quatro meses. Um dos maiores desafios, diz ela, foi aprender a dança do ventre. Nesse ponto, a atriz surpreendeu ao revelar que "odeia dançar".  "Aí já foi a primeira barreira mental que eu tive que quebrar", contou.

Ela afirmou que passava de oito a dez horas por dia ensaiando. "E eu me filmava e levava a fita [cassete] para casa para para ficar me assistindo", relatou.  

Antonelli fez o público da Comic Con gargalhar ao citar uma cena famosa em que Jade aparece dançando com uma roupa vermelha em umas ruínas do Marrocos. "E a câmera não cortava jamais. Toda vez em que eu virava de costas para a câmera, eu falava: 'Meu Deus do céu, eu não estou mais aguentando, eu não tenho mais fôlego'. Aí voltava: 'Eu estou desesperada, acaba essa merda'." 

Para a atriz, é fundamental saber se divertir durante o trabalho. "A vida é muito chata, se a gente não se divertir...(...) A gente tem que levar isso aqui de uma forma leve, mas não descompromissada."

"O Clone" foi comercializada para diversos países. Giovanna Antonelli conta que, vira e mexe, quando está no exterior é reconhecida por pessoas que moram fora do Brasil e é chamada de Jade. "Não, gente, peraí, eu já estou quase avó da Jade. Cara, o tempo passa e os personagens ficam no imaginário."

Para a atriz, a trama também soube inovar e arriscar. Como foi lembrado durante a conversa, “O Clone” estreou 20 dias depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro nos Estados Unidos, o que gerou um certo receio por parte da Globo de como a novela seria recebida pelos telespectadores, já que grande parte do enredo girava em torno de personagens muçulmanos.

"Mas a novela veio realmente para desmitificar um mito. A cultura árabe é uma das mais encantadoras que eu já pude vivenciar", disse a atriz. Segundo o site Memória Globo, a novela teve a maior audiência da Globo no horário das 20h, batendo o recorde de "A Indomada", de 1997, até aquele momento. 

DEPENDÊNCIA QUÍMICA E CLONAGEM HUMANA

Além da cultura árabe, "O Clone" abordou temas como a clonagem humana, que dá nome à novela. Na história, Lucas tem um irmão gêmeo chamado Diogo, que morre em um acidente nos primeiros capítulos da novela.

Então, o cientista Albieri (Juca de Oliveira), padrinho dele, resolve fazer um clone de Lucas, que é gestado e criado por Deusa (Adriana Lessa). A mãe, no entanto, não sabe que seu filho é fruto de um experimento científico. 

Vinte anos se passam na novela. E Léo (Murilo Benício), o clone, conhece Jade e se apaixona por ela, o que provoca uma grande confusão. A novela também abordou o drama da dependência química por meio dos personagens vividos por Débora Falabella (Mel), Thiago Fragoso (Nando) e Lobato (Osmar Santos).

"O Clone" teve ainda um núcleo cômico e popular de grande sucesso, concentrado no bar da dona Jura (Solange Couto), que recebeu ao longo da trama várias personalidades famosas, como o jogador Pelé. 

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