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BGS 2019: John Romero, criador do 'Doom', diz que o Minecraft é o ápice da tecnologia hoje

Cocriador dos jogos de sucesso nos anos 1990 está em São Paulo

John Romero, cocriador dos famosos jogos “Doom”, “Wolfenstein 3D” e “Quake”
John Romero, cocriador dos famosos jogos “Doom”, “Wolfenstein 3D” e “Quake” - Instagram/theromero
Fabiana Schiavon
São Paulo

John Romero, 51, cocriador dos famosos jogos “Doom”, “Wolfenstein 3D” e “Quake”, e considerado o pioneiro dos jogos de tiro está no Brasil para participar da BGS (Brasil Game Show), que acontece em São Paulo.

Em entrevista exclusiva ao F5, o designer de games que ganhou fama nos anos 1990 fala sobre as polêmicas criadas em torno dos jogos considerados violentos e sobre como a tecnologia hoje pode tornar tudo possível.

Para o designer, o streaming é o futuro dos games, e todo mundo hoje quer tentar fazer algo melhor ou parecido com o Minecraft. “É um ambiente que você joga e ajuda a construir o jogo ao mesmo tempo. É incrível”, afirma. 

Atualmente, Romero trabalha em um jogo inspirado na máfia que atuou em Chicago, nos anos 1920. A ideia é da mulher dele, Brenda Romero, 52, que também atua como designer de jogos. 

Leia a entrevista completa aqui:

O que é mais fácil? Ter uma grande ideia ou transformar essa ideia em um jogo?
Romero: A execução de um jogo é sempre mais difícil. Você pode ter uma grande ideia, mas construir um jogo é algo que dá muito trabalho para toda uma equipe, são muitos detalhes envolvidos. Há diferentes fases para se pensar, e o editor pode não gostar do resultado inicial. Ou seja, você só sabe se sua ideia será genial se você conseguir que ela consiga ser realmente executada com qualidade –essa é receita perfeita.

O que te inspira a criar um jogo? Filmes, músicas ou quadrinhos?
Depende muito do que eu estou criando, mas, na maioria das vezes, o que mais me inspira são os outros jogos. É você ver algo pequeno em um game que pode ser utilizado e transformado em uma ideia maior. Por exemplo, Minecraft é algo especial, porque não há programadores criando níveis diferentes, o jogador é que vai criando e evoluindo enquanto joga. Essa ideia levou os games a um outro patamar e essa tecnologia ainda está sendo absorvida pelo mercado. Todo mundo está tentando fazer algo como o Minecraft sem dar a sensação de que apenas copiou o jogo. O grande desafio hoje é criar um design tão poderoso quanto esse. 

Com a tecnologia que existe hoje, é possível fazer qualquer coisa?
Sim. Acho que a nossa única limitação é a disseminação dos jogos por streaming, e fico surpreso que a tecnologia ainda não tenha nos atendido quanto a isso. Games como Minecraft são jogos por streaming, não é preciso baixar ou adquirir apenas um nível do jogo que tenha o mesmo tamanho da memória do aparelho ou console que você estiver usando. No jogo de streaming você não tem níveis, apenas naquele mundo. Streaming é um componente dos jogos do futuro, é considerada uma tecnologia nova e ainda vai evoluir.

No que você está trabalhando agora?
Estou trabalhando em um jogo chamado "Empire of Sin", que se passa na Chicago dos anos 1920. A minha mulher trabalha nessa ideia há alguns anos e estava aguardando o momento em que o projeto fosse aprovado. É uma ideia única, não há nenhum jogo ambientado nesse cenário. Você pode viver diversos chefões e construir o seu império, derrubar inimigos, formar alianças, recrutar gângsters. A ideia é tomar a cidade, então, você vai dominando bairro a bairro. 

Fazer jogos de tiro e de violência ainda é uma questão para você?
Nunca foi. Esse é um tema para ser discutido pela mídia. Para mim, é simples, se você acha que o jogo pode ser muito violento para uma criança, estabeleça uma idade mínima para que ele possa ser comprado ou baixado. Ficar pensando sobre isso é algo que pode matar a sua criatividade. É como acontece com os filmes. Se o conteúdo é muito violento, então ele não deve ser um produto consumido pelas crianças.
 

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Diferentemente do que foi afirmado anteriormente, John Romero tem 51 anos, e não 61

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