Nerdices

Técnico de time brasileiro diz que falta investimento e personalidade no mercado de eSports

Ramo deve alcançar público de mais de 450 milhões de pessoas até final de 2019

FalleN e Zews, da MIBR
FalleN e Zews, da MIBR - Reprodução/Instagram
Beatriz Vilanova
São Paulo

Técnico da MIBR, um dos principais times brasileiros de games, Wilton “Zews” Prado acredita que o Brasil ainda não se deu conta do potencial que os eSports têm no país. Temos investimentos, mas deveriam ser muito maiores”, diz ele em entrevista ao F5.

"Os patrocinadores estão perdendo uma oportunidade de mercado muito grande, porque quem entra agora [com patrocínio] pega uma base de fãs enorme ‘a preço de banana’. Não deveria ser assim, mas é como funciona o mercado brasileiro", completa.

A afirmação tem como base o crescimento contínuo de eSports no mundo todo. Pesquisa da Newzoo, agência global de marketing especializada no ramo, mostra que esse mercado deve crescer quase 15% em 2019, alcançando um público global de mais de 450 milhões de pessoas ainda este ano.

Olhando para o futuro, Prado dá a dica para os investidores: jogos de celular. Além do “Counter Strike” (game jogado pela MIBR), “League of Legends” e “Rainbow Six”, os jogos de celulares, como "Free Fire", têm ganhado força entre os brasileiros. "É muito fácil jogar no celular e todo mundo tem acesso. Então a base de fãs no mercado é gigante."

Recém-integrado à equipe oficial da MIBR, por conta da saída de Marcelo David (Coldzera), o técnico comemora que, ao menos, consegue tratar seu trabalho como profissão. "Tenho o privilégio de trabalhar com o que gosto, não há o que reclamar. Você consegue viver disso sem passar fome. Mas os eSports deveriam ser mais reconhecidos pelo tanto que movimentam o mercado."

“Como tudo no Brasil, as coisas demoram um pouco mais para acontecer”, acrescenta Gabriel "FalleN" Toledo, capitão da MIBR. "Estamos afastados dos polos onde há investimentos de empresas no setor. Nos falta tempo. Talvez também falte um pouco mais de regulamentação para realmente tornar o jogador de eSports um profissional –em termos de carteira assinada, que ainda não existe. Isso vai ser um pouco mais devagar."

Além de investimentos, Prado acredita faltar personalidade dentro das equipes de eSports. “Às vezes, uma rixa com um time fomenta a paixão do público. Isso é entretenimento. Lógico que resultados positivos em jogos trazem investimentos, mas o entretenimento é essencial."

O técnico jogou ao lado do resto do time nas semifinais do IEM Chicago 2019, e avalia o momento da equipe como "bastante positivo". "Nosso ambiente, química, a comunicação, o apoio, o know-how estão ótimos."

Com o bom rendimento, Toledo acredita que os times de eSports estão cada vez mais próximos de chegar à Olimpíada, apesar de esse não ser seu foco hoje. "O esporte eletrônico tem seu universo e cultura. Não precisamos desse 'atestado' da Olimpíada para ficar feliz. É lógico que seria legal; no passado já pensei muito sobre isso. Mas vejo a Olimpíada, daqui 15 ou 20 anos, precisando adicionar os eSports mais do que nós precisando fazer parte dela."

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem