Música

Músico argentino Charly García terá sua história retratada em musical que estreia em SP em 2020

Chamado de louco por alguns, o músico já tocou para Mick Jagger

Billy Bond (à esq.) com Charly Garcia em Buenos Aires, em outubro deste ano
Billy Bond (à esq.) com Charly Garcia em Buenos Aires, em outubro deste ano - Arquivo Pessoal

Tatiana Cavalcanti
São Paulo

No Brasil, pouca gente conhece Charly García. No resto da América Latina, o músico conhecido como “Mozart argentino”, por ser virtuose no piano, é considerado um deus. Em 2016, fez uma pequena apresentação a ninguém menos que Mick Jagger e Ron Wood, durante a turnê dos Rolling Stones ao país hermano. 

Ainda na infância, Charly descobriu que sofria de vitiligo, problema que ficou aparente em seu bigode, metade preto e metade branco. Por essa razão, ganhou o apelido de bicolor. Os problemas com drogas, as internações também fazem parte de sua biografia conturbada. A rica e polêmica história desse influente artista da Argentina será retratada em “Charly, el Musical”, dirigido por Billy Bond, que vai estrear em São Paulo em meados de 2020, após as eleições argentinas, em outubro daquele ano.

“Ele é um semideus da música, um fenômeno massivo”, afirma Bond, amigo do músico argentino. “Charly tem talento e personalidade. É um ícone do rock da Argentina, recebeu a alcunha de cidadão de Buenos Aires. É rico como personagem.” E completa: “Só homenageiam pessoas que já morreram, e deixam de honrar uma lenda viva. Como produzo grandes musicais, pensei que Charly merecia uma homenagem digna ao grande músico que ele é”.

Para muitos, Charly García, hoje com 67 anos, é um gênio. Para outros, um louco. “Ele não negocia com o sistema, tem suas opiniões formadas. Por ser controverso, muitas pessoas não gostam dele, dizem que ele é louquinho, o que considero uma bobagem”, diz Bond.

O musical será composto de mais de 30 sucessos de Charly García, segundo Bond, que também vai compor três músicas instrumentais especialmente para o musical.

O espetáculo vai focar, ainda, em três relacionamentos de Charly, sendo um deles com uma brasileira, a bailarina Marisa Pederneiras, de Belo Horizonte (MG), nos anos 1970.

Outra conquista do músico, bem conhecida do público brasileiro, é a chef argentina Paola Carosella, que confessou em um programa ter namorado o músico por alguns meses. Mas a história deles não será citada no espetáculo.

Entre os momento “malucos” do músico argentino está uma “tentativa de suicídio” ao mergulhar na piscina após saltar do nono andar do quarto de hotel em que estava hospedado, em Mendoza, na Argentina. Charly disse, posteriormente, que na verdade estava fugindo de policiais que batiam à sua porta. “Só vi e me atrevi. Não vou morrer nunca”, disse ele à época.

“Vamos mostrar que ele teve problemas com as drogas, foi internado e quase morreu”, diz o diretor.

Bond garante que o musical, interpretado em espanhol, será ao estilo Broadway. “Todas as canções serão de Charly, interpretadas por uma orquestra. Será uma mistura de rock e semi-sinfonica.” Haverá efeitos especiais, diz Bond, como um helicóptero, que vai representar a repressão na Argentina nos anos 1970.

Bond finaliza afirmando que Charly não é conhecido no Brasil pela barreira da língua, mas que em países como México, Peru, Colômbia, Chile, Venezuela e, claro Argentina, quando anunciam um show do músico argentino, os ingressos se esgotam em minutos, como acontece a qualquer astro do rock‘n‘roll..

AMIZADE ALÉM DA MÚSICA E DO TRABALHO

A amizade entre Charly García e Billy Bond remonta aos anos 1970, quando o segundo produziu os quatro primeiros álbuns da então iniciante banda de rock Sui Generis.

“Produzi discos do Sui Generis e Serú Girán também”, afirma ele sobre os grupos musicais argentinos, liderados por Charly García.

Mas além da relação musical, a dupla tem uma irmandade, segundo Bond.

“Ele teve sequelas pelo uso das drogas, ficou mal, enfraqueceu, ficou internado por seis meses, sentado todo o tempo, não falava, perdeu parte da dicção. Hoje temos conversas bem mais lúcidas. Ele lembra de coisas que eu já esqueci. [Charly] tem ótima memória”, diz Bond. 

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