Música

Livro disseca trajetória de Os Mutantes, que há 50 anos lançavam seu primeiro álbum

Obra inclui discografia solo dos três integrantes da banda de MPB

Os irmãos Sérgio e Arnaldo Batista e Rita Lee, integrantes do grupo Os Mutantes no 3º Festival de Música Popular Brasileira da Record, em 1967 - Acervo UH/Folhapress
Fabiana Schiavon
São Paulo

Há 50 anos, os Mutantes lançavam o seu primeiro álbum. Para celebrar a data, a trajetória musical da banda é dissecada no livro “Discobiografia Mutante: Álbuns que Revolucionaram a Música Brasileira” (R$ 70, 243 págs.), da pesquisadora Chris Fuscaldo.

A obra repassa a discografia da banda até os mais recentes álbuns solo de seus integrantes.

Além das capas e de dados técnicos, o livro detalha a identidade de cada LP dentro do contexto de época, com dados inéditos.

Ao longo da trajetória dos Mutantes, discos, letras e músicas ficaram perdidos e foram resgatados, não sem árduo trabalho.

“Encontrei a letra original de uma das músicas censuradas do disco de 1972 porque falava sobre um prostíbulo”, conta a jornalista Chris Fuscaldo, sobre “A Casa da Monica”.

“Mas a história mais inacreditável é do álbum ‘Tecnicolor’, que foi gravado em 1970, em Paris. Na época, o disco foi abandonado pelo produtor. Quando Carlos Calado fez a biografia da banda, ele tentou fazer o relançamento, mas perdeu a briga”, lembra a autora, citando o livro “A Divina Comédia dos Mutantes”, de Calado.

Resumindo a história, a autora conta que o disco passou por mais diversas mãos até ser lançado em 2000.

Durante seus anos de pesquisa, Chris conta que tentou completar a coleção de LPs dos Mutantes, que foi lançada em CD no fim dos anos 1990.

“E foram feitas poucas cópias, que se esgotaram.”Chris diz que convive com música desde criança, por influência dos pais. Ouvindo rock e MPB, um dia se encantou pelos Mutantes.

“Quando o inglês David Byrne, fundador dos Talking Heads, descobriu a música brasileira, tirou o Tom Zé e os Mutantes da obscuridade. Em 1999, lançou uma coletânea dos Mutantes, e um amigo me deu uma cópia. Descobri coisas novas e me apaixonei, já que eles são a síntese do que eu mais gosto: a mistura de rock e música brasileira.”
 

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